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“Trata-se do cumprimento de uma promessa que assumimos aquando da compra temporária das participações que hoje detemos na Caixa Económica, através do Tesouro. Fizemo-lo, na altura, por razões de interesse público”, referiu Olavo Correia, que é também ministro das Finanças e do Fomento Empresarial e ministro da Economia Digital.
A parcela de 27,44% do capital social da Caixa colocada em OPV corresponde à parte que o Governo cabo-verdiano adquiriu, em janeiro de 2020, à sociedade macaense Geocapital.
O Estado detém indiretamente outras participações na Caixa através do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS, 47,21%), principal acionista, e Correios (15,14%).
“Estamos aqui, hoje, perante um processo que não se configura como uma decisão nova, mas estamos a devolver aos privados as participações que já detinham na altura”, referiu Olavo Correia.
A OPV é também enquadrada na política de privatizações e parcerias estratégicas apresentada em 2022.
A operação lançada hoje decorre até 23 de fevereiro e a apresentação pública de resultados está marcada para 29 de fevereiro.
Haverá 381.904 ações em distribuição com um preço de venda de 4.080 escudos (cerca de 37 euros), sendo que o banco apresenta um ‘book value’ (valor que é indicado como valor contabilístico real aproximado) de 5.392 escudos (cerca de 48,9 euros) por ação.
A OPV foi apresentada como uma “oportunidade” para residentes, diáspora e estrangeiros “que procuram Cabo Verde para investir”, acrescentou Olavo Correia.
“Penso que estamos perante uma excelente oportunidade e é muito importante que aumentemos a participação de privados no capital de um banco. Isso é bem visto pelo mercado, pelos colaboradores e por todos os ‘stakeholders’ [intervenientes] e abrimos assim portas para novas parcerias e para acesso a instrumentos reservados às empresas que detêm uma forte participação do setor privado”, referiu.
No toque do sino que simbolizou o lançamento da OPV, Olavo Correia foi ladeado pelo presidente da Bolsa de Valores de Cabo Verde (BVC), Miguel Monteiro, e pelo ministro das Comunidades, Jorge Santos, num sinal de que o Governo pretende projetar a operação junto da diáspora.
“O Governo de Cabo Verde tem ainda em agenda a privatização de várias empresas, de distintos setores de atividade: esperamos, que tais operações continuem a ser feitas preferencialmente por intermédio da Bolsa de Valores”, referiu o presidente da instituição.
Miguel Monteiro recordou que a última oferta pública de venda de ações ocorreu em finais de 2019, quando o Estado alienou 21.000 ações que detinha na distribuidora petrolífera Enacol.
“Na altura, a procura foi de seis vezes superior à oferta, tendo sido submetidas 184 ordens de compra, das quais cerca de 90% foram dadas por particulares”, disse.
Os resultados alcançados na altura foram “um sinal do interesse do público em investimentos do género e mais um dado que nos leva a acreditar no sucesso da operação” hoje lançada, concluiu.
A Caixa é um dos maiores bancos cabo-verdianos, com um ativo líquido de 84,7 mil milhões de escudos (771 milhões de euros), fundos próprios a atingirem sete mil milhões de escudos (63 milhões de euros) e um rácio de solvabilidade de 24,30% (em 30 de setembro de 2023), indicadores que, segundo o Governo, representam “grande solidez económico-financeira”.
Lusa

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