Legislativas 2026: Ulisses Correia e Silva assume derrota e anuncia demissão da presidência do MpD

O líder do MpD já felicitou o presidente do PAICV, Francisco Carvalho, e desejou-lhe “sucessos na governação”.

O presidente do Movimento para a Democracia (MpD), Ulisses Correia e Silva, reconheceu na noite deste domingo, dia 17, a derrota do partido nas eleições legislativas 2026. O dirigente afirmou que o MpD “não conseguiu atingir o objetivo de vencer as eleições” nem de continuar a governar Cabo Verde.

Em declarações à imprensa na sede do MpD, em Achada Santo António, após o anúncio dos resultados provisórios, Ulisses Correia e Silva felicitou o PAICV pela vitória eleitoral e revelou já ter contactado o presidente do partido vencedor, Francisco Carvalho, para desejar “sucessos” e continuidade da “boa governação de Cabo Verde”.

“O PAICV venceu as eleições. O MpD vai assumir o seu papel no Parlamento, como oposição responsável, e continuar a servir Cabo Verde”, afirmou.

O primeiro-ministro cessante indicou também que o MpD vai fazer uma reflexão interna sobre os resultados eleitorais e sobre a elevada taxa de abstenção, que segundo dados provisórios ultrapassa os 50%, com mais de 210 mil eleitores ausentes das urnas.

Segundo Ulisses Correia e Silva, apesar da derrota, o cenário ainda não estava totalmente fechado no momento das declarações, uma vez que faltavam apurar algumas mesas no círculo das Américas, o que poderia definir se o PAICV alcançaria maioria absoluta ou relativa.

Demissão da presidência do MpD

Durante a intervenção, Ulisses Correia e Silva anunciou igualmente que vai apresentar a sua demissão da presidência do MpD e defendeu a necessidade de renovação da liderança partidária.

“Vou pedir a demissão enquanto presidente do MpD para que, em convenção do partido, se possa escolher um novo presidente, novos órgãos e novos dirigentes”, declarou.

O líder do MpD sublinhou que “há vida para além da política” e recordou o percurso de vários anos ao serviço do país como primeiro-ministro, presidente da Câmara Municipal da Praia, deputado, ministro e secretário de Estado.

“Já dei um bocado da minha vida à política. Agora é tempo de ir para outra vida e deixar a política para aqueles que têm agora que fazer também o seu percurso”, afirmou.

Questionado sobre se a mensagem do partido não passou ao eleitorado, Ulisses Correia e Silva afirmou que o partido “vai ter tempo e um momento de fazer a avaliação das motivações e do porquê de alguns resultados” com tranquilidade.

O líder do MpD reconheceu que o partido não esperava de certos resultados em círculos como “São Vicente, Sal, Santo Antão”, que acabaram por criar um desequilíbrio que o partido não estava à espera.

Ulisses Correia e Silva apelou ainda à tranquilidade, à aceitação democrática dos resultados e à redução da crispação política no país.

“As eleições não são para durar sempre. Há um momento de apuramento dos resultados e depois devemos entrar na vida normal”, disse, defendendo uma democracia “com menos radicalismo” e maior coesão social.

“Este país precisa de paz, de tranquilidade, de coesão social e não de excesso de processos que às vezes levam ao fanatismo partilhado e que provocam situações que não conduzem à boa convivência, quer política, quer partilhada, quer social, que é o mais importante”, admitiu.

O presidente do MpD garantiu ainda que a transição governativa vai ser feita “com normalidade, tranquilidade e respeito pelas regras democráticas”.

Conforme dados provisórios avançados no site eleicoes.cv, o PAICV lidera a contagem provisória de votos das eleições legislativas com 46,6%  dos votos, que correspondem a 32 deputados, seguido pelo MpD com 43,7% e 30 deputados, a UCID até ao momento conseguiu eleger apenas dois deputados, num universo de 5,2% com um total de 97.7% das mesas apuradas. Já o PTS conseguiu até ao momento 1,7% e PP 0,3%.

Balai Notícias

(em atualização)

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