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Geremias Furtado chamou igualmente a atenção para a nomeação dos gestores dos órgãos públicos de comunicação social.

O presidente da Associação dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC), Geremias Furtado, mostrou-se hoje, dia 2, satisfeito com a subida de Cabo Verde no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa 2025, divulgado pela Repórteres Sem Fronteiras, RSF. O arquipélago é um dos países que registou uma melhoria no ranking e subiu 11 posições, estando agora na 30.ª posição. No entanto, o responsável chamou a atenção para situações que precisam ser revistas como a precariedade laboral, os ataques online aos jornalistas e a nomeação de gestores dos órgãos públicos de comunicação social.
Em declarações à comunicação social, no âmbito de uma conferência na Presidência da República alusiva ao Dia da Liberdade de Imprensa, que se assinala este sábado, dia 3, o presidente da AJOC explicou que a subida de Cabo Verde no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa 2025 é um sinal de que “se está a fazer algo em prol da liberdade de imprensa”.
No entanto, este responsável alertou que esta melhoria não deve ser encarada como ponto de chegada. “ (…) há situações em que devemos continuar a lutar e que ainda persistem em Cabo Verde”, afirmou, citando a precariedade laboral no setor, com jornalistas com salários baixos e contratos temporários, além da sobrecarga horária e outros problemas estruturais para os quais a AJOC tem estado a alertar.
Paralelamente, Geremias Furtado destacou as ameaças e intimidações contra jornalistas nas redes sociais e citou o exemplo de um deputado eleito que sugeriu dar “umas palmadas aos jornalistas”, declarações que considerou preocupantes num contexto democrático.
“(…) há um trabalho que se deve fazer junto das pessoas para compreendermos todos a importância da imprensa no nosso jogo democrático e todos contribuirmos para que a imprensa seja de facto livre e que os jornalistas façam o seu trabalho sem medo de represálias e outras intimidações”, salientou.
Relativamente à nomeação dos gestores dos órgãos públicos, o representante sindical esclareceu que, embora o relatório da RSF refira que são escolhidos diretamente pelo governo, a RTC já dispõe de um conselho independente, mas a sua composição é contestada pela AJOC.
Nesta linha, Furtado defendeu a criação de um mecanismo semelhante para a Agência Cabo-verdiana de Notícias, Inforpress, e criticou o facto de que na Infopress o diretor “é escolhido pelo administrador sem um concurso interno, sem que haja um processo de seleção”.
Questionado sobre se as redes sociais “contaminam a imprensa tradicional e podem pôr em perigo a qualidade da informação em Cabo Verde”, ressaltou que as mesmas “têm a sua importância no jogo democrático” e “que tentar silenciar os influenciadores digitais e outras pessoas que estão nas redes sociais a divulgar informações representa uma tentativa também de intimidação da liberdade”.
Entretanto, Geremias Furtado finalizou salientando a necessidade de promover a literacia mediática e digital, de forma a combater a desinformação e reforçar o consumo responsável de conteúdos informativos.
Decorre hoje ao longo do dia um ciclo de debates na Presidência da República que abordam temas como a precariedade no jornalismo e sua relação com a independência da imprensa; as ameaças e intimidações a jornalistas em Cabo Verde; o papel da justiça na proteção da liberdade de imprensa e o impacto da inteligência artificial e das redes sociais no jornalismo.
Cristina Morais







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