‘Maior investidor turístico em Cabo Verde’ reinaugura hotel cinco estrelas na Boa Vista após reforma

Presente no ato simbólico, o primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva referiu-se ao grupo espanhol RIU como “um bom contribuinte em termos de pagamento de impostos significativos para a economia cabo-verdiana”.

Há 17 anos em Cabo Verde e com 6 hotéis no arquipélago, o grupo RIU reinaugurou este domingo, dia 13, o hotel cinco estrelas Riu Karamboa situado junto à praia de Chaves, e um dos três empreendimentos na ilha da Boa Vista.

A remodelação do hotel, que foi completamente reformado e passa agora a contar com 968 quartos, representou um investimento de cerca de 50 milhões de euros.

“Cabo Verde, e o Governo, está muito satisfeito não só por este investimento, mas por aquilo que o grupo RIU representa para o turismo no país. É o maior investidor turístico em Cabo Verde, está nas ilhas do Sal e da Boa Vista e é um grupo com forte sentido de responsabilidade social”, enalteceu o primeiro-ministro em declarações à imprensa após o ato simbólico da inauguração da estruturação e ampliação do hotel.

O chefe do executivo aproveitou a ocasião para anunciar que já foi celebrado um acordo entre a fundação Africa Avanza e o grupo Riu e uma outra entidade para dotar as ilhas do Sal e da Boa Vista de um consultório pediátrico solidário”, uma iniciativa que visa prestar serviços de cuidados de saúde a crianças de forma gratuita e que está prevista acontecer ao longo do ano 2023, a começar pelo Sal e depois Boa Vista.

O primeiro-ministro salientou igualmente que “o grupo RIU é um bom contribuinte em termos de pagamento de impostos, que são significativos para a economia cabo-verdiana, o emprego que cria, o investimento que promove e desde o primeiro investimento não parou (…) De facto, representa um grupo de referência para Cabo Verde”.

Joan Trian, membro do conselho diretivo do grupo RIU, agradeceu a presença do PM neste ato e referiu a necessidade de “tentar melhorar as infraestruturas”, se quer “tentar aumentar o turismo”. “Sei que o governo já o está a fazer e há que continuar na mesma linha. A eletricidade, o saneamento, a segurança, a saúde, tudo o que acompanha a indústria turística é necessário, pouco a pouco, melhorar. E tudo o que possamos contribuir, o governo pode contar connosco”.

A nível de sustentabilidade nos hotéis do grupo, o representante da RIU adianta que o grupo está a dar passos importantes, tanto no Sal, como na Boa Vista. “Instalamos painéis solares e cerca de 15 por cento da energia total dos hotéis vem dos painéis. Estamos à procura de outras formas de trabalhar com as energias renováveis, mas temos de faze-lo em conjunto com o governo, tem de ser uma estratégia conjunta. As infraestruturas devem ser para toda a sociedade”.

Na mesma linha, o primeiro-ministro aproveitou o momento para anunciar o desenvolvimento de um pacto de sustentabilidade turística com hotéis em Cabo Verde, que vai abranger várias áreas. “Passa pela energia renovável, pela utilização da mesma na produção de água dessalinizada, pelo zero plástico nos hotéis, que é um grande desafio, que temos de vencer, já que estamos próximos do mar (…), a substituição de viaturas de gasolina/ gasóleo por viaturas elétricas, e todo um quadro para se apresentar os hotéis com certificado verde (…) Será uma grande marca do turismo de Cabo Verde no mundo e com ganhos ambientais muito fortes”.

Expansão da pista e iluminação do Aeroporto Aristides Pereira vão acontecer

A iluminação da pista do aeroporto Aristides Pereira na Boa Vista foi outro ponto abordado no encontro com a imprensa, tendo o primeiro-ministro adiantado que “no contrato que foi celebrado com o grupo Vinci/Ana e depois dos encontros que com a administração da concessionária, foi estabelecido como prioridade do início dos investimentos na Boa Vista”.

“A expansão da pista, a iluminação e a requalificação e restauração da aerogare. Isto está assumido. Em todo o investimento que a Vinci vai fazer, a Boa Vista será prioridade. Podemos apontar que eventualmente no ano 2023 vão se iniciar estes investimentos”, afirmou o chefe do executivo sem precisar datas concretas.

Questionado se perante a expansão da pista do aeroporto local e a iluminação da mesma, o grupo Riu iria aumentar o investimento na ilha, Joan Trian assume que de facto este handicap é uma das desvantagens da Boa Vista em relação ao Sal e que se acontecer, os aviões que poderiam aterrar na Boa Vista seriam maiores e poderiam faze-lo à noite.

“Isso levaria a um aumento da procura turística na Boa Vista, ficando semelhante ou igual ao Sal. As praias da Boa Vista são muito atrativas e é possível que, se o investimento acontecer, poderá haver mais investimento na Boa Vista”.

Mediante a possibilidade de expansão do aeroporto e do aumento do turismo na Boa Vista, o primeiro-ministro foi questionado sobre como prevenir para que não haja fenómenos de construção clandestina como os do Bairro da Boa Vista. Ulisses Correia e Silva referiu várias medidas nomeadamente a necessidade de se fazer “um trabalho de prevenção, de haver disponibilidade de espaços para construção e de se fazer uma boa fiscalização para evitar o recomeço desse fenómeno. “

“Aqui há que garantir que de facto se faça o exercício da autoridade, não se pode construir em qualquer lugar. Não deixar implantar para depois destruir, um processo muito mais difícil (…) se o exercício da autoridade municipal for feito, conseguir-se-á precaver. Estamos a trabalhar como as câmaras municipais, com investimento muito fortes, são mais de dez milhões de euros investidos aqui na Boa Vista para requalificar o bairro da Boa Esperança, depois para eliminar as barracas e fazer o realojamento das pessoas, não podemos permitir para que depois de 10 milhões tenhamos que meter mais 20 milhões porque vai crescer novamente.

Saída de quadros cabo-verdianos para o estrangeiro

Questionado sobre a recente onda de emigração e o que o governo pretende fazer mediante a saída de quadros e necessidade de contratação de recursos humanos locais, o PM respondeu que é “necessário formar cada vez mais”.

“Há mesmo o compromisso de transformar Cabo Verde num hub de formação, técnica e profissional, não só na área de turismo, mas nas áreas das TIC, das energias renováveis e Portugal vai ser um parceiro de referência. Isto quer dizer que vai haver uma comparticipação de Portugal, estamos a trabalhar com a UE para haver uma comparticipação para formarmos em quantidade o número de jovens que, em primeiro lugar, servirá o mercado interno e, em segundo lugar, servirá o resto do mundo se assim for a curto exigido. A curto prazo poderá haver alguma tensão no sentido de haver saídas que podem não ser compensadas de imediato. Mas aquilo que está a ser salvaguardado é que não haja qualquer situação de rutura, por outro lado as empresas têm de garantir também um conjunto de condições e de atratividades para os seus trabalhadores. Eu sei que o grupo RIU faz isso muito bem (…) um trabalhador tem grandes probabilidades de progressão na carreira (…)”.

PM desafia grupo RIU a investir na ilha do Maio

Sobre a possibilidade de investimento no Maio, Joan Trian afirma que o grupo estaria aberto para analisar as propostas do governo, mas salientou a necessidade de se investir primeiro nas infraestruturas de conetividade. “Precisamos de infraestruturas primeiro para a conetividade para podermos trabalhar os produtos que temos para oferecer (…) Não conheço o Maio mas tenho a impressão que falta muito para fazer em comparação o que é o Sal e a Boa Vista.”

O primeiro-ministro explicou que já houve uma abordagem à Carmen Riu, uma das donas da cadeia RIU Hotels & Resorts, porque Maio tem grande potencialidade. “É uma ilha que tem um pouco do Sal e da Boa Vista: tem dunas, praias, mas menos pressão populacional, tem povoações bem organizadas, não tem fenómenos de barracas, está próxima de Santiago”, afirmou o chefe do executivo, reconhecendo que existe o problema de conetividade.

“Há intenção de ter um aeroporto maior no Maio para poder receber voos diretos”, avançou o PM salientando que a ilha já possui uma rampa ‘rol on rol off’ e que “é uma ilha que nos próximos anos pode aumentar a sua capacidade de oferta hoteleira”. “Eu se tivesse que escolher para fazer o próximo investimento do RIU seria o Maio”.

“Nós não nos vamos embora, já somos cabo-verdianos, a medida que as coisas se desenvolvem, veremos”, finalizou Joan Trian.

Ocupação de 80 por cento após reabertura

Em entrevista ao Balai, o diretor do hotel Karamboa, Marco Rodrigues, adiantou que a ocupação atual do hotel é de 80 por cento o que corresponde a cerca de 1500 hospedes. São na sua maioria, 60 por cento, ingleses, com idades entre os 50 e 60 anos, mas os hospedes dependem da época. “Varia do verão para o inverno, quando há uma faixa etária mais alta, por volta dos 70 anos, no verão há uma média de idades mais baixa de 30, 40 anos”.


Com hóspedes na sua maioria europeus, o segundo mercado é o alemão com 18 a 20 por cento, e o restante é diluído entre portugueses, no verão, e no inverno há mais escandinavos. Mas também já há belgas, italianos, checos, polacos que estão a demonstrar interesse no destino Cabo Verde.

A nível das alterações, segundo o diretor do espaço, só ficou a estrutura física, do resto tudo foi alterado. O hotel passa a contar com 968 quartos atualmente, sendo 67 swim-up. “Fizemos mais 112 quartos, passando os quartos familiares para quartos individuais, tendo em conta que o hotel atualmente passou a ser apenas para adultos, explica o responsável que lidera o Riu Karamboa desde outubro de 2021.

O hotel possui 3 restaurantes temáticos, sendo que o layout foi alterado apostando nas esplanadas. O hotel passa a ter 5 piscinas em toda a frente, e o Splash, um parque aquático, também é uma das novidades após a reestruturação.

A nível dos cerca de 420 funcionários a esmagadora maioria, 95 por cento, são cabo-verdianos, mas também senegaleses e guineenses.

“As perspetivas para 2023, são boas. Ainda há uma semana que abrimos passamos de 0 para 80 por cento. No mês de dezembro há uma consolidação e a procura para o resto da temporada de inverno é boa. Esperamos estar à volta dos 80 por cento”.

Em Cabo Verde desde janeiro 2017, antes de assumir a direção do Riu Karamboa, na Boa Vista, Marco Teixeira Rodrigues foi subdiretor do Riu Palace Cabo Verde e diretor do Riu Funana, no Sal. 

O Balai Cabo Verde deslocou-se à Boa Vista a convite do grupo RIU.

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