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Os ministros da Cultura de Cabo Verde e do Brasil assinaram esta terça-feira, dia 14, na cidade da Praia, um memorando de entendimento para reforçar a cooperação entre os dois países lusófonos no setor da cultura, com destaque para a economia criativa, formação, audiovisual e políticas públicas culturais.
Na conferência de imprensa, a ministra da Cultura do Brasil, Margareth Menezes, que se encontra há alguns dias no país, sublinhou o peso simbólico e histórico da relação entre os dois países, destacando Cabo Verde como um parceiro próximo do Brasil.
“(Cabo Verde) é um país muito querido e tem uma recepção muito afetuosa por parte dos brasileiros, principalmente para nós afro-brasileiros, que temos aqui as raízes da nossa ancestralidade e que nós queremos cada vez mais fortalecer (…).”
A governante enquadrou o memorando de cooperação na visão do Presidente Lula da Silva que “tem as relações com a África como estratégicas para o desenvolvimento” do Brasil e defendeu que o seu país precisa “exercitar a prestação de reparação”, tanto internamente como externamente, com o “fortalecimento das relações entre o Brasil e os países africanos, especialmente aqueles que estão ligados à nossa raiz, como é o caso de Cabo Verde.”
Já o ministro da Cultura e Indústrias Criativas, Augusto Veiga, defendeu que “como dois países irmãos que têm muito em conjunto a nível cultural, o Brasil tem sido também uma grande referência para Cabo Verde a nível do seu ecossistema cultural.”
Segundo o ministro da Cultura, Augusto Veiga, o memorando agora assinado vem dar enquadramento formal e reforçar a relação cultural entre os dois países, mas salientou que “há já muitos projetos que estão a acontecer” no âmbito da cooperação já existente, prevendo a criação de um grupo de trabalho entre os dois ministérios para acelerar a implementação de projetos.
O governante destacou ainda que a área formativa e também da coprodução, a nível do audiovisual, no âmbito das várias áreas a nível da cultura e das indústrias criativas a serem tidas em consideração no memorando.
Outro ponto referido que consta do memorando é a digitalização dos arquivos nacionais, em que Cabo Verde pretende “aproveitar toda a experiência que o Brasil tem nessa área”.
Na mesma linha, Margareth Menezes defendeu que o novo memorando vai permitir ampliar a cooperação e efetivar a criação de um grupo de trabalho, algo também facilitado pela língua comum, que é “um elo de ligação muito grande”.
Entre os instrumentos referidos está a partilha de experiências em financiamento cultural, nomeadamente através da Lei Rouanet que é o principal mecanismo de fomento à cultura no Brasil.
O ministro Augusto Veiga destacou que o acordo surge num momento em que estão reunidas condições para aprofundar a cooperação, apontando a retoma das ligações aéreas, prevista para maio próximo, como “uma ferramenta muito importante que vai fortalecer e melhorar a relação cultural entre os dois países”.
Os dois governantes confirmaram que Carnaval surge como uma das áreas com potencial de cooperação, não apenas do ponto de vista cultural, mas também económico.
“Também vemos o Carnaval como uma plataforma de mostrar a nossa diversidade cultural e uma plataforma também de geração de emprego e renda, economia criativa, na verdade”, reconheceu Margareth Menezes que no âmbito da sua visita esteve na sede do grupo campeão do Carnaval de São Vicente, Cruzeiros do Norte, bem como viu uma apresentação dos Mandingas de Ribeira Bote.
A ministra brasileira admitiu a possibilidade de dar maior visibilidade internacional ao Carnaval cabo-verdiano, incluindo a sua transmissão no Brasil.
“É bom que o Brasil saiba e entenda que esse Carnaval de rua também acontece aqui, que além da escola de samba, tem o Carnaval de rua, que é similar também ao Carnaval de Salvador (da Bahia) da minha terra.”
Já Augusto Veiga esclareceu que a componente formativa de cooperação entre Brasil e Cabo Verde, que foi interrompida com a pandemia e o fim das ligações aŕeas, pode regressar, “não só para beneficiar o Carnaval de São Vicente, mas o Carnaval de Cabo Verde de uma forma geral”.
Margareth Menezes recordou ainda a sua ligação anterior ao país, quando atuou no Festival Baía das Gatas em 2008, e destacou o simbolismo de regressar à terra de Cesária Évora.
“Fui muito bem recebida desde o primeiro momento, me impressionou, terra da rainha Cesária Évora, que para nós é um ícone também da música internacional e da música, da fala portuguesa”.
A ministra da Cultura agradeceu a recepção e finalizou afirmando que sai do país com a “perspectiva muito positiva da implementação e materialização das ações assinadas oficialmente no memorando”.
A visita oficial de Margareth Menezes termina ainda hoje com uma deslocação à Cidade Velha e uma visita à Cesária Évora Academia de Artes.
De recordar que Margareth Menezes é também atriz, cantora e ativista cultural e atuou nesta sexta-feira, dia 10, no Kriol Jazz Festival, na cidade da Praia.

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