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O executivo também garantiu que, neste momento, há stock de todos os produtos para o abastecimento do país.

O governo anunciou na manhã desta quinta-feira, 12, um conjunto de medidas para mitigar os possíveis impactos da subida dos preços internacionais do petróleo, provocada pelo agravamento do conflito no Médio Oriente que envolve os Estados Unidos da América, Israel e o Irão.
Numa comunicação ao país, o chefe do governo, Ulisses Correia e Silva, explicou que no espaço de poucos dias, o preço do barril de petróleo subiu de cerca de 70 dólares para mais de 90 dólares no mercado internacional, podendo ultrapassar os 100 dólares caso o conflito se prolongue.
“O impacto direto sobre os preços dos produtos energéticos já se faz sentir a nível mundial e pode se transformar numa crise energética séria e inflacionista se a guerra se prolongar no tempo”, alertou.
Do leque de medidas para travar o impacto no mercado interno constam “a suspensão temporária do mecanismo de atualização dos preços, mediante a compensação às petrolíferas pelo déficit provocado”, “a aplicação de descontos em montante equivalente ao aumento da receita do IVA, gerado pela subida do preço do combustível importado”, bem como “a redução de impostos sobre os produtos petrolíferos”.
Segundo o líder do executivo, as medidas visam “proteger as famílias e as empresas” caso os preços internos venham a ser afetados de forma significativa e podem ser aplicadas “isoladamente ou de forma combinada”, consoante a evolução dos preços internacionais e dos seus efeitos no país.
Cabo Verde com stock garantido, afiança ministro da Energia
“Neste momento, temos stock suficiente de todos os produtos para o abastecimento do país,” assegurou o ministro da Indústria, Comércio e Energia, Alexandre Monteiro, garantindo que o processo de abastecimento decorre normalmente.
Alexandre Monteiro explicou ainda que a logística de fornecimento não é diretamente afetada pelo conflito no Médio Oriente, uma vez que Cabo Verde importa produtos sobretudo da Europa do Norte, África e América Central. No entanto, os preços acabam por ser influenciados pelo mercado global.
“Não afeta a logística, mas afeta o preço, porque o preço é global, e nomeadamente tendo em conta que o tráfego dos produtos do Estreito de Ormuz, que é o ponto do conflito na zona da guerra, representa cerca de 20% a 25% do mercado global”, explicou.
Perante o cenário de incerteza, o governo criou uma equipa técnica permanente para acompanhar diariamente a evolução do mercado internacional.
Esta equipa integra representantes do ministério da Energia, do ministério das Finanças, da Direção Nacional de Energia e da Agência de Regulação Multissetorial da Economia (ARME), que fixa mensalmente os preços dos combustíveis no país com base nas cotações internacionais do petróleo Brent.
A missão, segundo o ministro, é avaliar o impacto do preço dos combustíveis no mercado internacional em relação ao mercado interno e propor medidas.
Aposta nas energias renováveis
Durante a sua comunicação, o primeiro-ministro destacou que o país continua a acelerar a transição energética para reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados.
Segundo Ulisses Correia e Silva, Cabo Verde deve atingir ainda este ano mais de 35% da produção de eletricidade a partir de energias renováveis, principalmente solar e eólica. A meta é chegar a mais de 50% até 2030 e ultrapassar os 80% até 2040.
O governo aposta também em medidas de eficiência energética, como a substituição da iluminação pública por tecnologia LED e a promoção da mobilidade elétrica.
“O reforço das energias renováveis, a eficiência energética e a mobilidade elétrica permitirão reduzir progressivamente a dependência energética e a exposição do país aos choques externos”, concluiu o chefe do Governo.
“Com estas medidas, reforçando e acelerando o investimento nas energias renováveis, introduzindo mais eficiência energética, investindo fortemente na mobilidade elétrica, nós estaremos progressivamente e com consistência a reduzir a dependência energética e a exposição do país a choques externos”, concluiu o chefe do governo.
Balai Notícias
Aline Oliveira







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