O que se sabe sobre o plano de paz de Trump para a Ucrânia

Uma nova proposta de paz para a Ucrânia com 28 pontos, elaborada pela administração do Presidente dos EUA, Donald Trump, sugere concessões significativas por parte de Kiev à Rússia e a redução do Exército ucraniano.

Um plano para pôr fim à guerra na Ucrânia, apoiado pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, obrigaria Kiev a ceder grandes partes do seu território à Rússia, limitar o tamanho das forças armadas e impedir a adesão à NATO.

O plano, composto por 28 pontos e descrito por responsáveis norte-americanos como um “documento de trabalho”, parece favorecer a Rússia, que iniciou a guerra com uma invasão em larga escala da Ucrânia em fevereiro de 2022.

O enviado especial de Trump, Steve Witkoff, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, têm trabalhado “discretamente” no plano, segundo a Casa Branca. “O Presidente apoia este plano. É um bom plano tanto para a Rússia como para a Ucrânia”, afirmou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, aos jornalistas na quinta-feira (20.11).

O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, publicou uma resposta ponderada nas redes sociais, mas sem abordar diretamente a proposta. “Estamos preparados para um trabalho claro e honesto”, escreveu.

Concessões territoriais, medidas de segurança e prazo para eleições

Segundo os termos do plano, a Ucrânia teria de limitar as suas forças armadas a 600 mil soldados e “receber garantias de segurança robustas”.

A Ucrânia não poderia aderir à NATO e a aliança militar ficaria impedida de se expandir ou de estacionar tropas no país.

A Crimeia, Luhansk e Donetsk, incluindo áreas que as forças de Vladimir Putin não conseguiram conquistar, seriam reconhecidas como de facto russas, inclusive pelos Estados Unidos. A Rússia ocupa ilegalmente a Crimeia desde 2014.

A Ucrânia também seria obrigada a realizar eleições no prazo de 100 dias.

Está previsto um plano abrangente de reconstrução para a Ucrânia, com 100 mil milhões de dólares provenientes de ativos russos congelados, destinados a desenvolvimento e investimento.

A Rússia teria um alívio gradual das sanções e seria convidada a regressar ao G8. Seria concluído um acordo de não agressão entre Rússia, Ucrânia e Europa, segundo o plano.

A Rússia manteria ainda metade da energia gerada pela maior central nuclear da Europa, Zaporizhzhia, localizada na Ucrânia.

Os Estados Unidos assinariam um acordo com a Rússia abrangendo energia, recursos naturais, infraestruturas, inteligência artificial, centros de dados e extração de metais raros no Ártico.

Europeus céticos, Rússia diz que não há consultas em curso

Mas os países europeus, principais apoiantes da Ucrânia, indicaram que não aceitariam exigências que implicassem concessões punitivas por parte de Kiev.

“Para qualquer plano funcionar, é necessário que os ucranianos e os europeus estejam a bordo”, afirmou a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, na reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros do bloco. “Não ouvimos falar de quaisquer concessões do lado russo”, acrescentou Kallas.

“Os ucranianos querem paz, uma paz justa que respeite a soberania de todos, uma paz duradoura que não possa ser posta em causa por futuras agressões”, disse o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noel Barrot. “Mas paz não pode significar capitulação”, disse.

A Rússia, por sua vez, afirmou não ter nada a acrescentar além da posição que Putin apresentou numa cimeira com Trump em agosto.

“Não há consultas em curso. Existem contactos, claro, mas não há um processo que possa ser chamado de consultas”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

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