Parlamento: UCID defende moderação nos gastos das campanhas eleitorais

A União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID-oposição) apelou hoje, no parlamento, a um compromisso público para a moderação e redução de gastos nas campanhas para as legislativas de Maio, proposta rejeitada por MpD e PAICV.

João Santos Luís, eleito nas listas da UCID, defendeu que a política deve dar “um sinal de responsabilidade” perante as dificuldades económicas e sociais do país.

A posição foi expressa numa declaração política apresentada durante a sessão parlamentar, na qual o partido considerou necessário promover uma reflexão sobre o nível de despesas associadas às campanhas eleitorais em Cabo Verde.

Para a UCID, as eleições constituem um dos pilares fundamentais da democracia, sendo o momento em que os cidadãos avaliam e decidem se renovam ou não a confiança nos seus representantes, mas devem também ser um período de “elevação democrática, responsabilidade política e respeito pelas condições reais do país”.

Na declaração, os democratas-cristãos alertaram para o que consideram ser um nível excessivo de gastos em campanhas eleitorais ao longo da história democrática do arquipélago, afirmando que em várias ocasiões se assistiu a uma competição financeira desproporcional entre forças políticas.

Para a UCID, a dimensão dos recursos mobilizados nas campanhas muitas vezes afasta-se da realidade económica vivida pela maioria dos cabo-verdianos.

O partido argumentou que a reflexão torna-se ainda mais pertinente no actual contexto social e económico, marcado pelo aumento do custo de vida e pelas dificuldades que muitas famílias enfrentam para fazer face a despesas essenciais, como alimentação, transporte, habitação e serviços básicos.

Na mesma declaração, a UCID recordou ainda as consequências de fenómenos climáticos extremos registados no país no último ano, que afectaram vários municípios e ilhas, provocando perdas humanas e danos materiais significativos.

Segundo o partido, muitas comunidades ainda enfrentam dificuldades para recuperar desses acontecimentos, razão pela qual considera legítimo questionar se faz sentido manter campanhas eleitorais dispendiosas num contexto de desafios sociais e económicos.

“A força de um partido não se mede pelo tamanho dos seus palcos, mas pela credibilidade das suas ideias”, defendeu a UCID na declaração.

O partido dirigiu o apelo directamente ao Movimento para a Democracia (MpD-no poder) e ao Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição), formações que têm alternado na governação do país ao longo das últimas décadas, sugerindo um entendimento político para a redução voluntária de despesas e maior transparência na origem dos recursos.

Em reacção, as duas forças do “arco do poder” não concordaram com a proposta dos democratas-cristãos, defendendo, no entanto, que deve haver mais e melhor fiscalização por parte da Comissão Nacional de Eleições (CNE) relativamente aos gastos praticados durante o período de campanha.

Os cabo-verdianos são chamados de novo às urnas no próximo dia 17 de Maio para escolherem os seus representantes na Assembleia Nacional.

Inforpress

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