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A participação de Cabo Verde no Mundial de futebol gerou uma exposição mediática global sem precedentes para o país, abrindo portas para oportunidades de negócios avaliadas em milhares de dólares, afirmou hoje o presidente da Câmara de Comércio do Sotavento.

Marcos Rodrigues fez esta afirmação em declarações à imprensa, à margem do 1.º Fórum Brasil Cabo Verde, subordinado ao tema “Conectando Oportunidades, Negócios e Desenvolvimento”, onde avançou que o país enfrenta agora o desafio urgente de estruturar a sua estratégia de marketing e diplomacia económica para capitalizar este impacto.
O alerta e a análise foram partilhados durante o evento empresarial realizado na Praia, no qual representantes cabo-verdianos e brasileiros cruzaram perspectivas sobre a projecção internacional da nação e as recentes pontes comerciais estabelecidas entre os dois lados do Atlântico.
“O volume de exposição em jornais, redes sociais e televisões globais atingiu patamares impossíveis de alcançar através de campanhas de publicidade tradicionais. Milhões de pessoas procuram diariamente descobrir a localização geográfica de Cabo Verde, a sua cultura e a identidade do seu povo”, sublinhou Marcos Rodrigues.
De acordo com o presidente da CCS, a prestação dos Tubarões Azuis demonstrou a capacidade de superação do povo cabo-verdiano de emergir com força em momentos de máxima exigência.
Contudo, apesar do sucesso desportivo, o líder empresarial advertiu que o país não se preparou estruturalmente para esta avalanche de atenção, apontando que a falta de experiência na gestão de marcas nacionais à escala global pode ditar a perda de contratos e parcerias se não se agir de imediato.
Os empresários presentes defenderam que o objectivo actual passa por demonstrar ao mercado internacional que o arquipélago tem muito mais para oferecer além do futebol, evidenciando o forte potencial nos sectores do turismo, da ciência e da economia do conhecimento.
Para que esta visibilidade se traduza em benefícios económicos duradouros, urgiram uma diplomacia activa por parte das embaixadas cabo-verdianas.
“Necessitamos utilizar os departamentos económicos das embaixadas para realizar sessões de aproximação directa com grandes investidores e operadores turísticos internacionais, e promover a estabilidade política, a democracia, a paz e a segurança do país como vantagens competitivas”, apontou o presidente da CCS.
Por sua vez, o presidente do Fórum Brasil Cabo Verde e do Grupo Teleport, Gildo Neves, destacou que o impacto dos jogadores cabo-verdianos conquistou também a claque brasileira, que tem apoiado a selecção crioula de forma fervorosa.
“Esta forte ligação cultural e desportiva coincide com uma nova etapa de aproximação comercial, impulsionada pelo recente voo inaugural entre a Praia e Recife”, sublinhou.
Inforpress

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