Pedro Pires empenhado em valorizar “invulgar triunfo pós-morte” de Amílcar Cabral

Pedro Pires, ex-presidente da República e companheiro de Amílcar Cabral na luta pela libertação, manifestou-se esta sexta-feira, 13, empenhado em revelar e valorizar o “invulgar triunfo pós morte” do líder africano, assassinado há 50 anos.

“Hoje, quando penso naquele dia doloroso e trágico de 20 de janeiro de 1973, não me agarro às manifestações amarguradas da grande desgraça e do perigo iminente da derrota que representava para os seus companheiros de luta, para o PAIGCV [Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde] e para a Guiné e Cabo Verde”, disse, durante o colóquio “Amílcar Cabral e a História do Futuro”, que decorre hoje e sábado na Assembleia da República, em Lisboa.

Para o antigo chefe de Estado, o triunfo de Cabral após a sua morte só foi possível “porque os seus correligionários e herdeiros políticos, com lealdade, raiva e perseverança, não permitiram que morresse e se apagasse ingloriamente com este miserável assassinato, infligindo as maiores derrotas militares ao exército colonial no teatro de guerra da Guiné, em maio de 1973, apenas quatro meses após o seu criminoso assassinato”.

“Se a morte trágica de Amílcar Cabral, com o seu assassínio vil e criminoso, comandantada pelo governo colonial e organizado pelos sequazes da PIDE/DGS e de mais agentes do colonialismo, planeado enquanto a última solução militar da salvação do império, em risco de derrotada, não lhe permitiu presenciar a vitória que vinha meticulosa e judiciosamente construindo, porém, os seus herdeiros e continuadores, entre os quais me incluía, conseguiram, leal e heroicamente, o seu excecional triunfo pós morte, quatro meses após o seu desaparecimento e não permitiram que se apagasse ingloriamente”, disse.

Sobre os assassinos e os organizadores mandantes do assassinato do líder africano, Pedro Pires disse que a História lhes tem reservados “a ignomínia e o esquecimento”.

E advertiu: “Não há como regenerá-los e transformá-los em defensores dos direitos humanos ou em cidadãos respeitáveis, como têm vindo a tentar alguns corretores e rasuradores de verdades e factos históricos concretos”.

Pedro Pires está convencido de que “as vitórias militares de Amílcar Cabral e do PAIGCV tiveram um impacto político e militar decisivo, quer no interior e no exterior do país, conduzindo ao afundamento do império colonial”.

“Concorreram para o fim do regime fascista instalado na metrópole e que se acelerasse o passo histórico em Portugal, precipitando a sua democratização”, prosseguiu.

Lusa

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