Praia: Colaboração de populares terá sido fundamental para encontrar Dailiny. Criança encontra-se “aparentemente bem”

Criança foi encontrada por populares na posse de um indivíduo, que é usuário de drogas e tem passagem pela polícia, no bairro do Palmarejo. A menina aparentava estar bem, segundo testemunho exclusivo de voluntário que integrou grupo de moradores que a encontrou.

A cidade da Praia mobilizou-se hoje, dia 19, na procura de uma criança de 5 anos que estava desaparecida desde ontem, por volta das 21:00 horas. A menina de nome Jessara Cabral Faria, mais conhecida por Dailiny, tinha sido vista pela última vez perto da sua casa, em Achada Santo António, neste domingo a conversar com um indivíduo que foi detido e , segundo a PN, é morador de rua, usuário de drogas e tem cadastro policial.

Encontrada por grupo de voluntários num barco abandonado

Por volta das 13h00, Carlos José Mendes Ribeiro, mais conhecido por Zequinha, juntou-se a um grupo de voluntários da zona do Brasil, na Achada Santo António, e saiu à procura da pequena Dailiny. O ajudante de pedreiro de 37 anos conta que vários grupos resolveram apoiar nas buscas pela menina que desapareceu ontem da sua residência, também em Achada S. António. O homem integrou um grupo de mais 6 voluntários, sendo dois homens e 4 mulheres. Durante algum tempo vasculharam o bairro do Palmarejo, sempre gritando pelo nome da menina desaparecida, diz.

Por volta das 15h00 encontravam-se na rua da Boa Vista e um dos integrantes viu um barco abandonado num terreno baldio. “Vamos procurar aí”, disse um dos voluntários, segundo Zequinha, e foi nesse momento que a cabeça de um homem se levantou de dentro do barco. De imediato, Zequinha saltou para o barco juntamente com outro homem do grupo. Lá dentro estava o indivíduo que desde manhã era procurado pela polícia.

Segundo conta a nossa fonte, o colega segurou no indivíduo que tinha a criança de 5 anos agarrada. “Tirei-lhe a menina e entreguei a uma das mulheres que estava connosco”, conta Zequinha. Segundo a nossa fonte, uma das voluntárias chamou a Polícia Nacional. A criança aparentemente encontrava-se bem, não tinha marcas de agressão e estava vestida, diz, mas “queixava-se de sede e fome e tremia”.

O indivíduo que não disse uma palavra sobre o que terá motivado o crime, segundo Zequinha, acabou por ser entregue aos efetivos da Polícia Nacional que se encontrava também nas buscas e a criança foi encaminhada para o Hospital Agostinho Neto (HAN).
Segundo a nossa fonte, o alegado raptor estaria escondido nesse local desde ontem.

Na Rua da Boavista (ver fotos), por volta das 17h00 encontravam-se 3 viaturas da Polícia Nacional e ainda carros de inspetores da Polícia Judiciária, sendo que uma equipa da PJ estava no terreno, “para a realização de inspeção ao local onde foi encontrada a menor”.

Dailiny encontra-se aparentemente bem

No HAN, o Balai conversou com Dulce Faria, tia da criança que disse ainda estar a recuperar do susto. “Susto desse tipo nem quero ter (…) Estou numa fase má porque ainda não superei o que passei”, diz a tia que há quase dois anos perdeu um filho que foi assassinado no bairro de Ponta D’Água. “Desde ontem à noite que estou de pé, só agora que consegui beber um copo de água. É uma dor insuportável. Agora é um alívio (…)”.

Dulce diz que já falou com a sobrinha e que esta “(…) aparentemente, está bem”. “Parece estar assustada. Quando ela chegou ao hospital, gritou pelo meu nome e deu-me um abraço. Mas parece estar assustada porque disse-me que o senhor lhe deu apenas água desde ontem e que está com fome”, avança. “Ela disse-me que pediu ao senhor para a levar a casa da sua mãe, mas este disse que só iria fazer isso à noite”.

Detido tem passagem pela Polícia em 2016

Em conferência de imprensa realizada no final desta segunda-feira, o diretor da Direção Central de Investigação Criminal da Polícia Nacional, Roberto Lima, diz que o indivíduo encontra-se detido e vai ser presente, em breve, ao Ministério Público. “O indivíduo reagiu bem e não apresentou resistência para a polícia. Encontra-se neste momento na Esquadra do Palmarejo.”

No que se refere ao estado de saúde mental do indivíduo, a mesma fonte diz; “estamos na presença de uma pessoa que tem histórico criminal, que vive nas ruas, deambula e busca comida nos contentores, mas não cabe à polícia qualificar o estado mental dele. Portanto, ainda que fosse a polícia continuaria os procedimentos operacionais e o levaria ao Ministério Público na mesma.”

Segundo a mesma fonte, o homem é usuário de drogas e tem cadastro criminal. “É do nosso conhecimento que ele foi condenado em 2016 por furto.”
Questionado sobre se a Polícia Nacional já sabe a motivação do crime, a mesma fonte responde: “para essas situações não creio haver uma motivação. O que nós podemos avançar é que o indivíduo ia à casa dos familiares da criança e recebia comida da mãe e conhecia a criança.”

A polícia confirma que a criança foi encontrada por populares no bairro do Palmarejo, mais precisamente na rua Boa Vista. “Nós recebemos o suspeito e a criança das mãos de civis. Não obstante, estávamos no terreno, as pessoas também ajudaram e aproveitamos para agradecer essa colaboração. Nós (Polícia Nacional) e a Polícia Judiciária estivemos no terreno numa força muito grande naquela área, precisamente, porque as informações que tivemos das investigações do centro do comando e as imagens que recolhemos durante todo esse trajeto que o indivíduo fez, nos levavam àquela localidade.”

Roberto Lima confirmou como já tinha sido anunciado que a criança foi encaminhada para o HUAN para fazer os exames. E estão aguardando pelos resultados.

O diretor da Direção Central de Investigação Criminal da Polícia Nacional confirma ainda as informações acima avançadas. “Aparentemente, parecia bem, não tinha sinais externos visíveis de agressão. Estava assustada, naturalmente. A polícia teve que a conduzir para o hospital dada as condições que foi encontrada.”

Segundo a mesma fonte, o apoio dos populares é sempre fundamental nesses casos. “Quando temos a população a ajudar, as coisas tornam-se mais fáceis para a polícia e é isso que queremos. Queremos que a população tenha a sua cota parte no combate ao crime. Se todos colaborarem o resultado será sempre isto. Nós temos a força policial no terreno, mas é sempre bom contar com outras forças, nomeadamente, a sociedade que é sempre bem-vinda e nós agradecemos sempre a colaboração neste sentido.

AO e CM

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