Presidente da AJOC alerta para ameaça à credibilidade do jornalismo em Cabo Verde

A proliferação de informações de caráter duvidoso nas redes sociais é um motivo de preocupação, no entender de Geremias Furtado.

No âmbito de uma entrevista sobre o Dia da Liberdade de Imprensa, o presidente da Associação dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC), Geremias Furtado, demonstrou a sua preocupação com a existência de páginas nas redes sociais que espalham informações falsas, ameaçando a credibilidade do jornalismo em Cabo Verde, avançou ao Balai.

Geremias Furtado disse que acredita que em termos legislativos a Constituição de Cabo Verde oferece total liberdade aos jornalistas para exercerem as suas funções, mas que existem algumas “condicionantes”. O mesmo citou o exemplo das publicações falsas nas redes sociais onde as pessoas não entendem como se faz o jornalismo e espalham informações incorretas.

“As pessoas que não têm literacia mediática não conseguem diferenciar uma página de fofocas de um órgão de comunicação social e acabam por entender que estão perante a um trabalho de um jornalista, mas na realidade não é assim. As pessoas que fazem este tipo de publicações não tomam cuidado em preservar a imagem da pessoa, em trabalhar as informações corretamente ou outros procedimentos que os jornalistas têm que ter para a realização de uma notícia”, acrescentou.

Por outro lado, acredita que a existência dessas páginas nas redes sociais tem sido uma “erva daninha” que prejudica a integridade da comunicação social, “e são os próprios jornalistas que enfrentam as consequências dessas situações”.

O desafio da precariedade no trabalho

A precariedade laboral continua a ser um dos maiores desafios da liberdade de imprensa no país, disse o presidente, e acrescentou que a AJOC defende os direitos dos jornalistas, nomeadamente em relação ao salário, à carga horária, a não cumprimento do pagamento da segurança social por parte de alguns órgãos de comunicação, entre outros.

“Temos jornalistas que continuam a ser eternamente estagiários e é uma questão que tem que ser resolvida e acredito que a AJOC já está a fazer a sua parte, porque o jornalismo é uma profissão nobre e se os jornalistas estão a passar por situações frágeis esta luta não vai ser uma boa luta porque vão estar desmotivados e sem vontade de exercerem a sua profissão”, adiantou.

A AJOC recebeu algumas queixas durante estes anos, nomeadamente perseguições no trabalho por parte dos chefias em relação à forma de trabalhar dos jornalistas, transferência de jornalistas de uma ilha para a outra, etc.. Para resolver os problemas, o presidente da associação assegurou que a AJOC sempre entra em contato com os órgãos de comunicação para dialogar e resolver os problemas pacificamente.

Balanço dos três anos de mandato

Prestes a terminar os três anos de mandato à frente da direção da AJOC, Geremias Furtado avaliou positivamente o trabalho desenvolvido, onde destacou algumas conquistas, nomeadamente a promoção de formações em diversas áreas para os jornalistas, incluindo edição de imagem, valores e princípios do jornalismo, pedagogia, jornalismo online e ação climática. “Estamos a receber feedback positivo pela dinâmica da associação e os trabalhos desenvolvidos durante estes anos”.

Adiantou que apesar dos problemas financeiros conseguiram que a AJOC trabalhasse com alguma liberdade económica e mantivesse a sua  estabilidade financeira. “Conseguimos fazer algumas reparações em que demos mais dignidade à associação”. O mesmo acrescentou que reforçaram os números dos parceiros privados e públicos e tiveram uma parceria com a Embaixada da China que financiou a remodelação dos equipamentos técnicos da AJOC, entre outros.

Revelou que a equipa está no processo de finalizar a sua recandidatura. “A ideia é fazer um segundo mandato, vamos ser avaliados pelos sócios no dia 4 de maio e se tudo der certo vou continuar a contribuir para o bem-estar dos jornalistas”.

Dia da Liberdade de Imprensa com várias atividades

Em relação à comemoração do Dia da Liberdade de Imprensa, assinalado a 3 de maio, Geremias Furtado afirmou que a associação conseguiu nos últimos anos fazer um “programa forte” de comemoração para este dia com a realização de conferências e galas com “momentos de entrega de prémios, reflexões, intercâmbios, convívio entre os jornalistas, parceiros e sociedade civil”.

Este ano, a data vai ser marcada com três conferências de manhã e à tarde na cidade da Praia. A noite vai ser realizada uma gala para a entrega dos prémios nacionais de jornalismo que este ano contam com participações de cerca de 40 jornalistas. O evento vai contar com as atuações de Princezito, Fattú Djakité, Akysanna da Veiga e Ernestina Lopes.

Geremias Furtado faz um apelo às entidades públicas e privadas para apoiar as atividades da AJOC, por esta ser uma associação que defende com “muita força a liberdade de imprensa” e acredita que a democracia de Cabo Verde sai a ganhar com tal posicionamento.

Cidália Semedo/Estagiária

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