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O presidente da Associação de Deficientes Visuais de Cabo Verde (Advic) lamentou hoje a falta de materiais didáticos específicos, nomeadamente para escrita, situação que causa “grandes constrangimentos” ao ensino na Escola de Pessoas com Deficiência Visual e Déficit Cognitivo.

Marciano Monteiro falava em entrevista à Inforpress, no momento em que se aproxima o início de mais um ano letivo, 2024/2025, previsto para arrancar a 16 de Setembro.
“Todos os anos temos sempre esses constrangimentos, porque não são materiais que podemos encontrar aqui no mercado nacional. É para vir de fora, do Brasil ou de Portugal, o que acaba por ficar mais caro”, disse, referindo, entretanto, que para conseguirem a aquisição desses materiais contam, normalmente, com ajuda de parceiros, ou através de linhas de financiamento de projetos.
Na maior parte das escolas do ensino básico e secundário públicas, o calendário escolar é organizado em três períodos, entre cada um dos períodos letivos, há uma interrupção, devendo o início do novo ano letivo arrancar no dia 16 de Setembro, e na Escola das Pessoas Com Deficiência Visual e Déficit Cognitivo, não é diferente.
A lecionar apenas o ensino básico, do primeiro ao sexto ano de escolaridade, a escola que acolhe jovens e adultos com estas deficiências, funciona com 35 alunos, distribuídos por três salas, com um rácio de 10/15 alunos por turma, orientados por três professores, disponibilizados e remunerados pelo Ministério da Educação.
Marciano Monteiro faz balanço positivo do ano letivo transato, não obstante os constrangimentos a nível dos materiais didáticos de que falou, assegurando que houve “bom aproveitamento”, porque todos os alunos passaram de classe.
Segundo aquele responsável, a Escola das Pessoas Com Deficiência Visual e Déficit Cognitivo está preparada para enfrentar mais este novo ano letivo, esperançosos também de que vão conseguir ultrapassar os constrangimentos que possam surgir.
“Porque a cada ano que se passa, traz-nos mais experiências, tanto para nós, dirigentes da escola, como para os professores e também para os próprios alunos. Então, juntos, vamos conseguindo ultrapassar tanto esses como outros constrangimentos que possam aparecer”, manifestou, perspetivando um bom ano letivo 2024/2025, onde se vai retomar, conforme avançou, programas extracurriculares “fracassados com a pandemia da covid-19”.
“Temos estado a trabalhar programas extracurriculares desde alguns anos anteriores, mas com a pandemia acabamos por ter um bocadinho de fracasso nessa questão, mas neste novo ano letivo pensamos contemplar aulas de música, aulas ligadas a Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), e outras que, eventualmente, possam vir a aparecer pontualmente.
“Não são novidades, mas atividades que estavam meio paradas por causa da pandemia e que agora vamos retomar aos poucos”, sintetizou a mesma fonte.
Marciano Monteiro concluiu apelando às famílias no sentido de não deixarem os seus membros que têm qualquer tipo de limitação ou deficiência em casa, porque têm também esse direito à educação.
“Notamos que há muitas pessoas com deficiência, sobretudo deficiência visual que ficam em casa e não lhes são dadas oportunidade de estudar e aprender”, lamentou.
Inforpress

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