Familiares de Odair Moniz em Portugal acusam polícia de arrombar porta de apartamento onde se faz luto pelo cabo-verdiano 

Homem de 43 anos faleceu na madrugada desta segunda-feira após ter sido baleado pela polícia no bairro da Cova da Moura, em Lisboa.

A família do cozinheiro cabo-verdiano Odair Moniz, que faleceu na madrugada desta segunda-feira após ter sido baleado pela PSP na Cova da Moura, em Lisboa, diz que estava reunida em casa no bairro do Zambujal a fazer o luto quando agentes da PSP encapuzados arrombaram a porta de casa e agrediram dois jovens, uma das quais familiar do falecido, com cassetetes. A informação é avançada por vários órgãos de comunicação social portugueses, nomeadamente a Revista Visão e o canal português SIC Notícias.

Os familiares da vítima alegam que os polícias não tinham mandado judicial e não houve qualquer interação prévia antes da entrada forçada. A situação terá sido contida pela cunhada de Odair, que mostrou uma fotografia do falecido aos agentes, e pela presença de uma equipa de filmagem da TV Record, que documentou o incidente, avançam os média. A advogada da família, Catarina Morais, confirmou à imprensa que vai apresentar queixa formal pelas agressões. 

Numa notícia do SAPO 24, a Polícia de Segurança Pública (PSP) esclareceu que, ao contrário do que foi noticiado, houve apenas uma entrada numa casa no Bairro do Zambujal, para prestar apoio médico a uma criança, a pedido da família e em cooperação com os Bombeiros Voluntários da Amadora, e nega qualquer arrombamento de portas. 

A PSP também comentou imagens que circulam nas redes sociais, com polícias num hall de um prédio, e não dentro de uma habitação, sendo que alega que os agentes estavam apenas a dialogar com os cidadãos para manter a tranquilidade pública.

O caso ocorreu num contexto de protestos contra a violência policial, que acontecem após após a morte de Odair Moniz. Foi aberta na terça-feira uma investigação ao caso e o polícia que fez os disparos foi constituído arguido. Desde a morte de Odair, houve desacatos no Zambujal e noutras zonas de Lisboa, incluindo o incêndio de um autocarro.

Segundo a agência Lusa, desde segunda-feira têm sucedido desacatos em várias zonas de Lisboa, nomeadamente Carnaxide (Oeiras), Casal de Cambra (Sintra) e Damaia (Amadora). Três pessoas foram detidas na terça-feira, duas das quais por incêndio e agressões a agentes policiais, na sequência dos desacatos após a morte de um homem baleado pela PSP na Cova da Moura, Amadora, disse fonte policial.

A Lusa avança ainda que hoje de manhã que a situação no bairro do Zambujal é calma: as crianças estão na escola, muitas pessoas foram trabalhar e alguns idosos dirigem-se para os cafés da zona.

A ministra da Administração Interna portuguesa, Margarida Blasco, confirmou hoje que há três detidos na sequência de “distúrbios inadmissíveis” em várias zonas da grande Lisboa, e garantiu que o Governo português está a acompanhar a situação em permanência.

Margarida Blasco classificou os desacatos das últimas noites como “atos de vandalismo que põem em causa a ordem e a segurança pública” e assegurou que tudo será feito “para levar todos aqueles que participaram nestes tumultos à justiça”.

A Embaixada de Cabo Verde em Portugal já veio a público apelar à calma e serenidade da comunidade após uma onda de contestações no bairro de Zambujal, em Lisboa.

Balai Notícias

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest