Tahirys Dos Santos: jogador de origem cabo-verdiana dá primeira entrevista após incêndio na discoteca suíça

O atleta que joga pelo clube francês FC Metz, falou pela primeira vez sobre o incêndio e contou como tudo aconteceu em declarações ao jornal Paris Match.

Tahirys Moussa Dos Santos, que nasceu em França e é filho de pai cabo-verdiano e mãe do Cambodja, ficou gravemente queimado ao tentar salvar a namorada durante um incêndio numa discoteca na Suíça e deu a sua primeira entrevista após o trágico incidente que matou 40 pessoas.

Juntamente com a namorada, chegou à estância suíça a 26 de dezembro e ficou alojado numa cabana de um amigo. Na noite do Ano Novo, chegaram ao bar Le Constellation, que funciona dentro do resort de esqui de Crans-Montana, por volta das 00h30.

“Descemos porque a Coline precisava de ir à casa de banho. Fui com ela e aproveitei para ir também”, recorda Tahirys.

Pouco depois, ao sair, apercebeu-se do perigo. “Ia em direção ao primeiro andar quando vi o fogo. Não pensei, fui logo chamá-la. Ela estava na casa de banho. Desceu as escadas a correr.”

Os momentos seguintes, segundo o jogador, foram de gritos e pânico. “As pessoas corriam todas em direção à saída. Só havia escadas”.

O jogador não se lembra por onde saiu e só pensava em encontrar os amigos que não sabia onde estavam e se estavam bem.

“Então gritava os nomes deles e não havia resposta, nada. Até que o meu amigo Eliott me encontrou e chamou pessoas para me levarem até um local onde estavam os feridos”, recorda e acrescenta que uma jovem ficou com ele a tranquiliza-lo

“Tinha-lhe pedido para tirar uma fotografia minha para os meus pais, para que não se preocupassem. Para mostrar que estava bem, mesmo depois do sucedido.”

Tanto Tahirys como Coline sofreram queimaduras em várias partes do corpo. O jogador ficou com queimaduras nas costas, braços e na parte de trás da cabeça. Coline teve ferimentos muito mais extensos, apenas o peito, a barriga e a cara não têm queimaduras, e esteve três semanas em coma, tendo sido submetida a três cirurgias.

Tahirys foi inicialmente levado para o hospital de Sion, sendo depois transferido para Estugarda, na Alemanha, onde foi operado. “Tinha pensos em quase todo o corpo. Não conseguia mexer-me, não conseguia usar as mãos, nem sequer andar.”

Mais tarde, foi transferido para um hospital perto de casa, em Metz. Durante dias, evitou olhar para o próprio reflexo. “Sabia que o meu rosto estava queimado e que o cabelo tinha sido cortado, mas não queria ver.”

Apesar do trauma, Tahirys mantém a lucidez quanto ao futuro. “Disse a mim mesmo: estou vivo, é o mais importante. O físico fica em segundo plano.” O jovem jogador está concentrado na recuperação.

“Quero recuperar o uso das mãos e voltar a andar normalmente. Depois, logo se vê.”

Balai Notícias

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