Tecnicil Indústria e Cavibel firmam parceria para produção de nova gama de sumos com objetivo de reduzir dependência da importação

Para produzir os novos sumos CERIS, a Tecnicil vai ter de produzir mais e, consequentemente, contratar mais pessoas, conforme avançou o PCA da empresa.

As empresas Tecnicil Indústria e a Cavibel anunciaram esta quinta-feira, dia 12, que vão estabelecer uma parceria de produção por encomenda (copacking), tendo como principal objetivo reduzir a dependência da exportação, criar empregos e fortalecer a capacidade produtiva do país. A informação foi avançada durante uma conferência de imprensa na cidade da Praia.

A colaboração entre as duas empresas prevê a produção local de uma nova gama de sumos da Ceris, que vai englobar novos sabores como laranja, manga e pêssego com manga, uma iniciativa que, segundo os responsáveis, vai contribuir para a dinamização da economia nacional.

O diretor-geral da Cavibel, Javier Pla Breto, explica que trabalhar com outras empresas não é algo novo para a empresa, mas que após uma análise de ampliação de produção e estudo do mercado concluiu que seria mais prático optar por uma parceria do que investir em novos equipamentos.

“Temos de ser mais práticos. O nosso mercado é limitado, acumular meios produtivos sem garantia em mercados muito flutuantes e limitados é um risco elevado. Se temos um parceiro local que tem capacidade, é melhor apostar nisto antes de fazer investimentos importantes. Este é um modelo que estamos a desenvolver em vários países, por isso não é novo para nós,”explicou.

O diretor da Cavibel garantiu que ambas as empresas possuem fórmulas para a produção de diferentes sumos, o que vai permitir aos consumidores diferenciar os sabores produzidos.

“O mais importante aqui é destacar os padrões de qualidade. Cada um tem a sua fórmula para os seus produtos. Evidentemente que não são iguais”,sublinhou.
Para o presidente do conselho da administração (PCA) da Tecnicil Indústria, Alfredo Carvalho, a parceria com a Cavibel demonstra que a empresa possui todas as condições necessárias para garantir uma produção com qualidade e padrões que possam ser equiparados a qualquer unidade de fabrico em qualquer parte do mundo.

Na visão do PCA, a nova parceria vai gerar mais empregabilidade e desenvolvimento económico para o país.

“A Tecnicil vai ter que produzir mais, consequentemente vai ter que contratar mais pessoas, é mais emprego e mais rendimento para o país. Portanto, é mais crescimento e desenvolvimento para o país”, garantiu.

O responsável avançou ainda que a empresa possui capacidade para produção sem a necessidade de se fazer investimentos adicionais.

“A nossa capacidade instalada permite-nos produzir à volta de 15 milhões de litros de sucos por ano, num turno de trabalho. Portanto, trabalhamos 8 horas por dia, sendo que o mercado de sumos em Cabo Verde anda à volta de 7,5 milhões de litros por ano. Portanto, temos a capacidade para abastecer todo o mercado a 100% e ainda ficar com uma margem para produzir para exportação, caso for necessário,” acrescentou.

Em relação ao conflito internacional, o diretor da Cavibel prevê que a indústria vai ser afetada pelos conflitos.

Já o PCA da Tecnicil afirmou que, em princípio, o conflito não vai afetar a disponibilidade de matéria-prima para a produção de sumos, porque o mercado do fornecimento das mesmas não se encontra nessa região, mas pode afetar o preço final dos produtos.

“Nós importamos matérias-primas da América Latina e da Europa e, possivelmente, começaremos também a importar da Ásia, sobretudo da Índia. O efeito mais direto deste conflito pode refletir-se no custo dos transportes e nos custos da energia para a produção. Portanto, não deverá afetar a disponibilidade do produto no mercado, mas poderá afetar no preço final”, explicou.

Presente há mais de 20 anos no mercado, a Tecnicil Indústria é uma das principais indústrias cabo-verdiana no setor das bebidas. Já a Cavibel, com cerca de 40 anos de atividade, é um dos principais operadores da indústria de bebidas no país, com forte presença industrial e comercial no mercado nacional.

Keila Rodrigues/Jornalista Estagiária

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