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Dezenas de pessoas em longas filas de espera em frente ao Praia Shopping, na cidade da Praia, têm sido um cenário comum presenciado por quem passa no local nos últimos meses. Trata-se de cidadãos que recorrem ao Centro de Solicitação de Vistos localizado no espaço e que já fizeram várias reclamações sobre como é feito o serviço. Em entrevista ao Balai, vários utentes chamaram atenção para uma melhor organização e atendimento.
Luísa Batista, que esteve no local na primeira semana de agosto para fazer marcação, classificou ao Balai as longas horas de espera para procedimentos simples como “inadmissíveis”. “Se tens uma marcação entre as 10 e às 11 horas, não justifica vir antes para dar o teu nome ou comprar lugar na fila, deviam trazer listas organizadas com os nomes e seguir a ordem de chamada”, considera.
A mesma avançou que estas ações poderiam ser resolvidas em meia hora, mas acabam por levar mais de duas ou três horas.“ Se são enviados e-mails a dizer para vir buscar a notificação, porque não enviam a notificação logo por email”, questiona.
Na mesma linha, André Andrade, que veio do interior de Santiago, contou que já esteve várias vezes no local e que inclusive, chegou a dormir na véspera para garantir atendimento, uma situação relatada por outros utentes. “Já dormi aqui, e quando chegou a hora de ser atendido, disseram que não tinham mais lista”, desabafou.
O mesmo considera uma grande injustiça o facto de outras pessoas, que chegam depois, muitas vezes munidas com mil ou dois mil escudos, conseguem entrar rapidamente e levantam os seus documentos. Diante disso, o jovem apela para que esta situação seja revista com urgência, e que o governo deve intervir para melhorar essa situação.
Por sua vez, Ivânia Vieira conta que está há quatro dias frequentando o local, na tentativa de ser atendida. Entretanto é preciso chegar por volta da uma da madrugada para tentar alguma garantia de ser atendida.
“Normalmente quem consegue entrar são as pessoas que passam a noite aqui, ou que chegam muito cedo, entre a uma e às duas horas da manhã, para aguardarem até às 14h30, que é quando começam a distribuir as senhas, e até às 15 horas, quando iniciam as chamadas”, explicou.
“Estamos a perder sono, tempo e sem alimentação, só para conseguir entrar”, lamenta a utente e sugere o agendamento com dia e hora marca, já que o próprio Centro Solicitação Visto (CSV) é que envia os emails com datas específicas para o posterior levantamento de documentos.
Outro utente, Ivaldino Borges, também vindo do interior, contou que está desde o dia anterior no local, na tentativa de conseguir fazer uma marcação. “Espero que hoje corra tudo bem, estou cá desde ontem a tentar pôr o nome na lista e já consegui, agora estou à espera”, avançou.
O mesmo sugere melhorar a organização do serviço. “Deviam ter pessoas específicas para cada função, uma só para recolher passaportes, outra só para fazer as notificações, assim tudo estaria mais organizado, não dá para vir aqui todos os dias”, afirmou e acrescentou ainda que só conseguiu permanecer na cidade graças à ajuda amiga. “Fiquei hospedado em casa de um amigo na Praia, porque não há dinheiro para pagar o transporte todos os dias”.
Mas nem todos partilham da mesma insatisfação, foi o caso do José Manuel Almeida que se encontra pela segunda vez no local à procura de visto, relatando uma experiência mais positiva atualmente.
“Desta vez começaram cedo, comparativamente com a primeira vez, em que só atendiam depois das 16h00, agora está mais organizado, por enquanto não tenho nada queixar”, afirmou.
O movimento constante em frente ao Centro de Solicitação de Vistos tem-se refletido no comércio local, segundo Manuel Rodrigues, responsável pelo estabelecimento Marcony. “As vendas caíram muito, já tivemos dias melhores, agora por queixas de barulho, retiraram as cadeiras à volta do bar porque houve reclamações, o que afetou as nossas vendas”.
O mesmo conta que presencia regularmente as confusões à porta do estabelecimento. “Há sempre brigas por causa das senhas e há muitas pessoas que chegam do interior, gastam dinheiro com o transporte e voltam sem serem atendidas”, lamenta e sugere uma melhor organização para evitar essas situações.
Patrícia Veiga, que trabalha no restaurante Touro há cerca de dois anos, avançou que o movimento no local depende da época. A mesma acrescenta que as reclamações sobre o atendimento no CSV são constantes. “Já vi muita confusão”, avançou.
Já Vander Gomes, que trabalha no restaurante Kêro, considera que apesar dos desafios, o verão tem trazido uma boa movimentação, impulsionado pelos turistas, imigrantes e utentes do Centro de Solicitação de Visto (CSV). “A movimentação está a correr bem até agora”.
As atuais instalações do Centro de Recepção de Pedidos de Vistos Nacionais para Portugal e para França foram inauguradas em setembro de 2023, e estão a a cargo da VFS Global.
O Balai entrou em contacto com a empresa responsável pelo espaço, a Cabo Verde VFS Global, para pedir mais informações à empresa sobre as queixas, mas não obteve nenhuma resposta até à publicação desta notícia.
Daimara Furtado/ Estagiária







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