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Quando se fala de Carnaval o cantor e compositor Constantino Cardoso é tido como uma referência no país, mas foi na música tradicional que começou o seu percurso artístico há três décadas. Agora quer voltar a mostra essa outra faceta.
“Comecei na música desde 1986. Depois de ter participado no concurso Todo Mundo Canta, recebi um convite para integrar o Wings, que era um conjunto de São Vicente que tocava nas festas populares e em festas de romaria na ilha de Santo Antão. O grupo teve a duração de um ano, visto que, alguns elementos emigraram para os Estados Unidos da América. A partir desse momento comecei a levar a música mais a sério. Houve um período em que estive em Portugal onde tive contacto com o Betú – um grande compositor da música cabo-verdiana – que me influenciou um pouco para a música tradicional”, conta em entrevista ao Balai.
Mais tarde, ao regressar a Cabo Verde, foi convidado pelo músico Bau a fazer parte da sua banda Firrim, tendo permanecido no grupo por dois anos. “Depois fiz uma paragem e em 1997 entrei para a banda Serenata, onde continuo até agora. Neste grupo, convivi com o Luís Morais, fizemos digressões internacionais e tive contacto com vários artistas da velha guarda.”
Em 2003, Constantino começou a dedicar-se às composições de Carnaval e não parou mais.
“Na altura não existiam pessoas para compor músicas de Carnaval e os grupos carnavalescos de São Vicente sempre tinham essa necessidade. Então, resolvi dar o meu contributo nesse sentido. (…) E durante esse tempo o meu lado carnavalesco falou alto. As pessoas começaram a conhecer-me mais pelas músicas de Carnaval. Então, senti a necessidade de mostrar que não sou só Carnaval. Existe também o lado tradicional”, conta.
Nha Ote Metade, o regresso ao tradicional
Depois de lançar “Um estória d’Mindel” (2007) e “Carnaval” (2011), Constantino Cardoso lançou nesta sexta-feira, 23, o seu terceiro álbum denominado “Nha Ote Metade”, composto exclusivamente por músicas tradicionais, principalmente morna e coladeira.
“Muitas pessoas desconhecem que faço morna e coladeira (risos). Antes de fazer composições de carnaval, o último CD de Ildo Lobo – lançado em 2005 – trouxe uma morna e duas coladeiras da minha autoria – “Incondicional”, que dá título ao disco, “Amor financiód” e “Amor e Sabor”. A partir daí passei a ser conhecido como compositor”.
“Nha Ote Metade” é composto por dez faixas, sete das quais da autoria de Constantino Cardoso. “O álbum traz duas mornas mais lentas e duas mornas galope que é um estilo da Boa Vista, algumas coladeiras inéditas e uma rapsódia de coladeiras antigas de compositores como Ti Goy, Ano Nobo, que estão a cair no esquecimento e é uma forma de homenageá-los e de resgatá-los”, diz e acrescenta também que há músicas de Manuel D’Novas e Álvaro Soares – um irmão do sogro.
“Sentimento Criol”, “Volta pa terra”, “Nha Ote Metade”, “Nhap Nhap”, “Baloi Bedje”, “Camin de paz”, “Frete D’Intriga”, “Semana Santa”, “Sentimento Maior”, Rapsódia (Camarada Pepe Lope, Tirizinha, So Sabi, Nha Amdjer, Cada, Nha Bulanha) são os temas que compõem o CD que foi produzido por Kim Alves.
“Ultimamente, falta um pouco de raiz nas músicas. São feitas várias misturas com outros ritmos e músicas de outros países. Então, o tradicional tem sido esquecido e corremos o risco de perder a nossa essência na Música. As pessoas vão encontrar um pouco da essência da música de Cabo Verde no CD”, salienta e diz que espera que o álbum possa vir a contribuir para a preservação da música cabo-verdiana.
No que tange ao Carnaval 2023, o artista diz que já está a trabalhar nas músicas dos grupos Monte Sossego e Samba Tropical, que está a fazer em parceria com Vlú e Anísio Rodrigues para retratar a história do grupo e homenagear a fundadora.
No próximo ano o artista pretende realizar vários shows ao vivo para dar a conhecer o seu mais recente trabalho discográfico.





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