“Aquilo que comemos vai refletir na nossa saúde mental”, alerta nutricionista

A nutricionista Helena Sapinho alerta sobre a importância de uma alimentação equilibrada e sublinha que o que o ser humano consome tem impacto direto na saúde mental e emocional.

No âmbito do Dia Mundial da Alimentação, o Balai  esteve à conversa com a nutricionista Helena Sapinho, que trabalha no Centro de  Saúde de Achada Santo António. Durante a conversa, foi abordada a relação entre a saúde mental e a alimentação e a forma como os  estados emocionais podem influenciar as escolhas alimentares.

“A alimentação tem muita importância na saúde mental. Como se diz aquilo que comemos vai refletir na nossa saúde mental. Temos que comer de uma forma variada porque cada alimento tem os seus nutrientes, onde podemos destacar as proteínas, os carboidratos, os lipídios ou gorduras, as vitaminas, os sais minerais, e ainda incluímos a água e as fibras. Esses nutrientes podemos encontrar em diferentes tipos de alimentos, por isso volto a frisar que é importante variar a nossa alimentação ao longo do dia”, começa por explicar a especialista.

Apesar de reconhecer que se vive numa época difícil e que  a escolha dos  alimentos deve ser adaptada à realidade de cada um, Helena Sapinho salienta que é importante fazer escolhas que promovam a saúde mental e tentar incluir na dieta diária frutas, feijão, verduras,  arroz, massa, batata-doce, banana verde, laticínios e ovos. 

“A água também é muito importante, devemos consumir, no mínimo, 1 litro por dia, podendo aumentar para 2 ou 3 litros, dependendo  das necessidades individuais”, defende e salienta que se devem também consumir fibras “encontradas em cascas de frutas e cereais integrais”.

Segundo a nutricionista, ao consumir mais frutas, verduras, fibras, proteínas e sais minerais, as pessoas vão ter uma saúde mental mais estável, o que impacta positivamente o humor e as suas emoções e  relações com os outros e consigo mesmos.

Por outro lado, as pessoas que abusam de fast-food como hambúrgueres, produtos enlatados, salsichas e comida processada, até carne de porco e  batatas pré- fritas, maionese e ketchup não estão a ajudar os seus cérebros a trabalhar e estão a contribuir e aumentar as hipóteses de terem problemas tanto a nível da saúde física como mental.

“É importante lembrar que a carne de porco deve ser consumida apenas uma vez por mês, porque pode ser prejudicial à saúde, assim como os alimentos processados. Em alternativa, podemos optar por caldos de peixe, que podem incluir ingredientes como batata-doce  e banana verde”.

Sapinho explica que desde o nascimento “é  fundamental que a pessoa  aprenda a comer de forma saudável e desenvolva bons hábitos alimentares”. “Se formos ensinados desde pequenos a fazer boas escolhas, é menos provável que sejamos  influenciados por padrões de amigos ou outras situações. Uma vez que esses hábitos saudáveis estejam  estabelecidos, as pessoas tendem a se sentir bem e a ter bons resultados e com isso optam por uma boa alimentação de qualidade”, defende.

No que diz respeito à compulsão alimentar, a especialista explica que a depressão, por exemplo, pode levar a pessoa a sentir vontade de comer em excesso e a optar por alimentos pouco saudáveis. 

“É fundamental que esta pessoa receba apoio da família e de profissionais, como psicólogos, psiquiatras e nutricionistas. Um nutricionista poderá orientá-la sobre quais alimentos são mais adequados para ajudá-lo na sua fase”, adianta Helena Sapinho.

Priorizar consumo de água 

A especialista explica que a água é fundamental para a saúde e deve ser uma parte essencial da alimentação, por isso é recomendável que as crianças comecem a beber água a  partir dos 6 meses e que levem água para a escola. Sapinho chama ainda a atenção para os idosos que muitas vezes não têm o hábito de beber água e que o devem fazer.

“Não é normal alguns adultos dizerem que não sentem sede, quando depois a maioria abre o frigorífico preferem beber sumo (…) A água é a fonte da vida e é fundamental beber água todos os dias”, defende e alerta para a diminuição do consumo excessivo de sumo por causa do açúcar que não é favorável para saúde mental, tal como o sal, a farinha trigo.

“A água é igualmente essencial e deve ser incluída na dieta. Por outro  lado, as bebidas alcoólicas devem ser consumidas com moderação, uma  vez que o seu consumo excessivo é prejudicial à saúde. Embora  possamos desfrutar de cerveja ou vinho ocasionalmente, é importante não consumir todos os dias e em grandes quantidades”.

Sinais de alerta

Conforme Helena Sapinho, existem sinais de que a alimentação pode estar a afetar a saúde mental tais como o excesso de agressividade, de tristeza ou quando uma pessoa não consegue controlar as suas emoções e estes comportamentos podem ser observados tanto nas pessoas adultas, como nas crianças.

“Os alimentos processados e açúcar devem ser ingeridos com moderação, pois não são valiosos para a saúde mental. O consumo excessivo desses alimentos pode levar a alterações  de humor, ansiedade e até à depressão. Por isso, é importante investirmos, mesmo com recursos limitados, numa alimentação mais rica em frutas”.

Paralelamente, a profissional diz notar que muitas crianças não estão a consumir leite com  a frequência necessária.

Sublinha que para aqueles que enfrentam problemas emocionais e perda de apetite, o primeiro passo deve ser procurar ajuda primeiramente na família e nos amigos. “É crucial que as famílias não percam a paciência, pois, muitas vezes, isso pode levar a mais dificuldades”, salienta. 

A especialista acrescenta que se necessário, deve-se procurar orientação de psicólogos ou psiquiatras para reconstruir a saúde mental “. Nós como nutricionistas fazemos jogos, desenhos para ver se a pessoa desperta para outro estilo de vida mais saudável, isso  inclui crianças e jovens”, afirma.

Optar por alimentos saudáveis  

Ciente de que as opções no supermercado influenciam a alimentação, a nutricionista salienta que se deve priorizar o consumo de alimentos saudáveis e evitar bebidas açucaradas. E deixa o apelo aos pais e encarregados de educação para quando forem às compras, saibam escolher os alimentos adequados e optem, sempre que possível, por frutas, verduras, farinha de milho e produtos da terra.

Salienta que os hábitos alimentares podem ser corrigidos e dá o exemplo do início dos anos 90, em que as crianças levavam como lanche batatas fritas (matutano) para a escola, mas, devido aos apelos que foram feitos aos pais, este hábito foi-se perdendo. 

“Em Cabo Verde, temos uma rica variedade de comida tradicional, e tudo o que é bom recomendamos consumir, como a farinha de milho, que podemos usar para preparar a papa”, diz e cita também o exemplo da cachupa, sendo que “cada ilha tem a sua própria forma de confeccionar este prato”.

A nutricionista recomenda fazer 5 a 6 refeições por dia, incluindo pequeno-almoço, almoço, jantar e lanche entre as principais refeições, além disso uma ceia antes de deitar.  Para o jantar, recomenda-se uma refeição leve, como sopa de legumes e de fácil digestão

Reforça que é importante evitar bebidas alcoólicas, uma vez que muitas famílias reclamam que não têm dinheiro para comprar alimentos saudáveis, mas conseguem gastar em cerveja e outras bebidas alcoólicas.

Cátia  Lopes /Jornalista  Estagiária

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