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Com objetivo de inspirar mulheres a cuidarem mais de si e da sua saúde mental, Ahuna Pires, uma influenciadora digital cabo-verdiana de 32 anos que reside na Europa, criou o projeto HER (Ela), uma iniciativa que, segundo conta em entrevista ao Balai, é voltada para o empoderamento feminino, partilha de experiências e a consciencialização sobre a importância da terapia.
A residir há cerca de sete anos em Luxemburgo, Ahuna Pires trabalha online enquanto influencer digital e tem uma presença ativa nas redes sociais há vários anos. Diz que há cerca de dois anos decidiu dedicar-se profissionalmente nesta área, mais concretamente na plataforma Instagram, que hoje considera a sua ferramenta de trabalho.
Antes de mergulhar no mundo digital, trabalhou na área da estética, em que coordenou um projeto infantil que defendia a aceitação do cabelo afro.
Atualmente, o seu foco está voltado para o projeto HER, que, como explica a influencer, é uma iniciativa desenvolvida para a classe feminina. “ Hoje em dia nós mulheres somos sobrecarregadas, e ficamos sem tempo para cuidar de nós mesmas. O objetivo desta iniciativa é consciencializar as mulheres de que elas precisam de um tempo para o autocuidado e a importância de fazer terapia”.
“Sempre considerei-me uma mulher guerreira, forte e que conseguia lidar com tudo sozinha sem a ajuda de ninguém. Chegou uma fase em que vi que estava errada e que não devia sobrecarregar-me. Comecei a perceber que existem mulheres que estavam a passar pela mesma situação, e na maioria das vezes somos pressionadas pela sociedade, foi o que me motivou a criar este projeto”, conta.
A inspiração para o nome HER veio da história de vida da sua mãe. “Desde criança via a minha mãe super dependente do meu pai, sem autoridade dentro de casa, e com isso almejava ser independente sem depender financeiramente de um homem. Nos meus primeiros relacionamentos não aceitava presentes dos meus namorados, porque pensava que se aceitasse eu iria ser dependente deles, sem voz nem liberdade”.
Com o tempo essa percepção mudou e hoje diz que consegue ver a vida de outra forma. “Precisamos às vezes de pessoas do nosso lado para nos apoiar. HER é uma homenagem a minha mãe, com foco também voltado para outras mulheres”.
Ahuna conta que HER não é um evento de grande dimensão, e que cada edição conta no máximo com 30 mulheres, que se reúnem para se conectar, criar laços, ajudar umas às outras e partilhar experiências.
Entre as atividades desenvolvidas no evento, explica que inicialmente fazem uma pequena meditação para se desligarem um pouco do mundo e conectarem-se com o clima e absorver todas as mensagens que vão ser passadas durante o encontro. Para além disso, fazem outras atividades, como ioga, pilates, artes plásticas, entre outros, e um brunch. “Este encontro é só uma porta de entrada, o objetivo final é consciencializar a importância de fazer terapia, para curar traumas e bloqueios que nos impedem de dar os próximos passos”.
Foto reprodução redes sociais do projeto
O evento não é gratuito, segundo a mentora, porque ainda não tem parcerias que possam dar suporte à iniciativa, e que cada participante paga uma taxa para cobrir os custos do brunch que é realizado em cada edição. Adiantou que já está a trabalhar para fechar futuras parcerias.
O projeto acolhe mulheres a partir dos 18 anos e já foi realizado em cinco países da Europa, nomeadamente Portugal, França, Holanda, Luxemburgo, Suíça, e no mês de novembro vai ter uma edição nos Estados Unidos da América (EUA).
Após os EUA, o evento vem para Cabo Verde, com uma agenda prevista para o mês dezembro, segundo a mentora. Devido a vários pedidos, diz que pretende realizar duas edições e uma delas está marcada para o dia 28, em Tarrafal, na ilha de Santiago. Revelou ainda que pretende organizar uma viagem a São Tomé e Príncipe.
No que diz respeito à evolução do projeto desde da sua implementação, Ahuna acredita que está a ser um sucesso, e a ter um impacto positivo. “HER não é uma terapia, mas sim um lugar que te motiva a procurar ajuda para curar os teus traumas do passado e cuidar da saúde mental. Várias mulheres que participaram disseram que o encontro transformou-as, e muitas delas já estão a fazer terapia”.
Quanto à aprendizagem pessoal, é algo que está a desafiá-la de todas as formas possíveis. Adiantou que implementou o projeto num momento que se sentia vulnerável, onde estava a passar por um processo de separação.
Para a mesma, cada edição ensinou-a algo diferente, cada um com a sua particularidade. “A aprendizagem que vou levar para a vida é que devemos encará-la como ela é, porque às vezes temos a tendência de recuar ou nos vitimizar. Em cada edição já ouvi várias histórias com fechos diferentes, e chegas à conclusão que afinal não passaste o pior, que existem histórias piores”.
“Cada uma tem a sua dor, a sua sorte, e caminhada, mas também cada um de nós têm o poder de mudar a sua história que é algo que só nós conseguimos”, finalizou.





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