Estudantes cabo-verdianos relatam momentos de “tensão e algum pânico” durante sismo em Marrocos

Apesar de estarem relativamente longe do epicentro do sismo que abalou Marrocos nesta sexta-feira, dia 8, os cabo-verdianos Jassira Miranda, em Fez, e André Carvalho, em Casablanca, contam que os momentos durante o abalo sísmico foram “tensos e de algum pânico” principalmente pela incerteza do que estava a acontecer.

Jassira Miranda é uma cabo-verdiana de 25 anos natural de Calheta São Miguel (Santiago) que está a terminar a Faculdade de Medicina em Casalanca. Em entrevista exclusiva ao Balai, a estudante, que reside na cidade de Fez, relata que viveu momentos de “terror e muito pânico” com o sismo que aconteceu por volta das 23h00.

“Quando começou o terremoto estava no apartamento com os meus colegas. Tudo começou a tremer e tivemos de sair do apartamento as pressas para ficar longe dos grandes edifícios,” conta a estudante que salienta que apesar da distância do epicentro (são cerca de 500 quilómetros), viveram momentos de tensão.

Jassira relata que as ruas estavam cheias de pessoas à procura de um lugar seguro para se refugiarem que naquele momento o estado de pânico era visível na cara de todos. A população foi alertada pelas autoridades que não podiam ficar dentro de casa por causa do risco de ocorrerem réplicas.

Após duas horas sem ocorrência de réplicas voltaram à casa, mas o estado de pânico prevaleceu. “Logo quando voltamos para a casa entramos em contacto com os nossos amigos pelo grupo de estudantes que temos nas redes sociais e todos estavam bem, porém um pouco assustados”. A jovem conta que foi contactada pelas autoridades cabo-verdianas em Marrocos oferecendo toda ajuda que precisasse.

Jassira avançou que nos lugares onde o terramoto não causou danos a rotina já foi restabelecida. “Depois do acontecido tudo está normal nas cidades onde não ocorreram danos, aqui em Fez nada mudou. A aulas e o trabalho decorrem tranquilamente”, diz e explica que em Marrocos está a decorrer uma onda de solidariedade com a população afetada pelo sismo estando as pessoas a doar sangue, mas também roupas, alimentos, entre outros.

Natural da Praia, André Carvalho está a estudar em Marrocos desde 2016 estando a terminar atualmente um mestrado na cidade de Casablanca, que fica a cerca de 360 km do epicentro do terramoto.

André conta que no dia do sismo foi para casa de um colega e por volta das 23h00 sentiu um tremor de terra que durou menos de um minuto.” Senti tudo a tremer e, primeiro, estranhei o que estava a acontecer”, diz e acrescenta que de seguida disse aos colegas que ficassem junto à porta do apartamento, onde ouviram muitos gritos e pessoas a correr pelas escadas.

Quando o tremor terminou, o cabo-verdiano e os colegas saíram do apartamento e encontraram várias pessoas na rua sem saber o que fazer. André deslocou-se à sua casa para buscar alguns documentos e itens pessoais com receio de que pudesse haver réplicas do sismo, como foi alertado pelas autoridades. Acabou por voltar à sua residência por volta das 3h000 para descansar.

Diz que foi percebendo que outros colegas cabo-verdianos estavam bem via um grupo nas redes sociais onde o consulado de Cabo Verde em Marrocos procurou saber se todos os estudantes estavam seguros e que seja do seu conhecimento todos estão bem, como aliás já foi assegurado pelas autoridades nacionais.

“O epicentro do sismo não foi em Marraquexe mesmo, onde poderia haver cabo-verdianos, mas mais a sul. Depois fiquei a saber que havia dois cabo-verdianos na cidade, mas acho que estão bem”, relata.

Em Marrocos foram decretados três dias de luto nacional, explica o trabalhador estudante e acrescenta que nas ruas de Casablanca a vida parece ter regressado à normalidade, com os transportes públicos e instituições a funcionar normalmente, apesar do ambiente triste e de um clima de preocupação que paira no ar, salienta. “Tudo já começou a funcionar normalmente”, explica.

Segundo a DW, o terramoto, que ocorreu a uma profundidade de 18,5 quilómetros às 23:11 locais, teve como epicentro na localidade de Ighil, 63 quilómetros a sudoeste da cidade de Marraquexe, foi sentido em Portugal e em Espanha.

Segundo a rádio portuguesa TSF, o número de mortos provocados pelo sismo em Marrocos subiu esta terça-feira para 2901, com 5530 feridos decorrentes do tremor de terra.

De acordo com a agência Reuters, este foi o sismo mais letal e mais forte no território marroquino desde 1960.

Fotos cedidas pela Jassira Miranda
Fotos cedidas pela Jassira Miranda

Cristina M. // Leinira Furtado (estagiária)

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