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A OMS completou, a 07 de abril, 75 anos de existência entre sucessos e críticas, mas também envolto em “grandes feitos” na melhoria da saúde para todos e ajudando países como Cabo Verde a melhorar a saúde pública.

A afirmação é do representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Cabo Verde, Daniel Kertesz, em entrevista à Inforpress sobre os 75 anos da organização e o trabalho que vem sendo feito para melhoria da saúde pública a nível mundial.
“Os países do mundo têm trabalhado arduamente para melhorar a saúde de seus povos. E neste 7 de abril, Dia Mundial da Saúde e em que comemoramos o 75º aniversário da OMS, celebrarmos, também, alguns dos tremendos sucessos globais em saúde e que tem a ver com o aumento da esperança de vida, com milhões de crianças salvas por vacinas e erradicação da varíola”, disse.
Conforme Daniel Kertesz, os sucessos traduzem-se na expectativa de vida, que “aumentou dramaticamente”, e as pessoas podem esperar viver 25 a 30 anos mais hoje do que quando a OMS foi criada.
O sucesso passa ainda, segundo a mesma fonte, pelos milhões de vidas de crianças foram salvas por vacinas, muito menos mulheres que morrem de complicações no parto, a varíola que matou milhões de pessoas está erradicada graças à vacinação, enquanto que países continuam a construir sistemas de saúde fortes fornecendo serviços básicos “a mais pessoas e a um custo acessível”.
Cabo Verde, conforme disse, tem conseguido “melhorias significativas” na saúde do seu povo desde a independência, sendo que hoje os cabo-verdianos podem viver até cerca de 75 anos, em comparação com os 58 anos na época da independência.
O País, realçou, registou uma “diminuição significativa” das mortes de mulheres relacionadas com a gravidez e o parto, o que tem contribuído para que as crianças cabo-verdianas “sobrevivam e se tornem adultas”.
“O arquipélago construiu um sistema de cuidados de saúde primários muito forte, fornecendo serviços básicos como cuidados pré-natais e vacinação infantil aos seus cidadãos, maioria dos cabo-verdianos vive a 30 minutos de um centro de saúde e mais de 95% das crianças foram completamente imunizadas com as vacinas disponíveis”, avançou, confirmando assim a contribuição de Cabo Verde para a melhoria da saúde e no cumprimento dos ODS.
No âmbito de objetivos cumpridos, mencionou a resposta de Cabo Verde face à pandemia da covid-19, contribuindo com “taxas elevadas” de vacinação, em comparação com outros países da região, e realçou o apoio da OMS às equipas de vacinação e no reforço dos laboratórios do País.
Tendo em consideração o desfaio “Saúde para Todos”, o representante da OMS indicou que Cabo Verde, nos últimos anos, tem “avançado muito” a nível da saúde pública, mas chama a atenção para o facto de a medida que os serviços básicos aumentam e melhoram serem necessários serviços de base hospitalar mais especializados e com médicos e enfermeiros especializados.
Admitiu ainda que em Cabo Verde, assim como em outros países pequenos, pode ser difícil de manter um serviço especializado, visto que menos pessoas precisam consultar especialistas, que têm áreas de especialização muito específicas e focadas, do que um médico generalista.
“Como arquipélago, com populações relativamente dispersas, o desafio de Cabo Verde é proporcionar o acesso a serviços de saúde mais especializados em todas as zonas do País”, disse, reconhecendo a implementação de “serviços notáveis” a nível nacional.
Apontou ainda a nova Unidade de Cuidados Intensivos e a Unidade de Diálise no Hospital Agostinho Neto como “notório”, apesar de assegurar que a existência de novas tecnologias podem ajudar a melhorar o acesso a serviços de saúde mais avançados para as populações mais distantes.
Informou que neste processo a OMS está a trabalhar com o Ministério da Saúde para melhorar a telemedicina e a saúde digital, visando permitir o acesso virtual a médicos especialistas e a certos tipos de serviços.
Além da saúde digital, acrescentou que a organização trabalha com o Ministério da Saúde e parceiros no sentido da certificação da erradicação da malária, a ajudar a ERIS a fortalecer a forma como regula medicamentos e vacinas importantes, a desenvolver planos e ferramentas para fortalecer instituições como o Instituto Nacional de Saúde Pública e a ajudar na promoção de mudanças de estilo de vida.
Referindo-se aos desafios a nível de saúde nos dias de hoje e no futuro, defendeu que melhorar a saúde é uma jornada, um processo, e que assim como os outros países do mundo, Cabo Verde e os cabo-verdianos fizeram “grandes progressos” nos últimos 75 anos, tendo também enfrentado “importantes desafios” de saúde.
Neste âmbito, apresentou três que incluem doenças não comunicáveis, como as AVC, doenças cardíacas, câncer e diabetes, assinalando que os cabo-verdianos morrem mais agora de doenças não transmissíveis, que podem ser evitadas com a adoção de estilos de vida saudáveis.
“Oferecer boa saúde requer bons profissionais de saúde em número suficiente. A covid-19 nos mostrou a importância de nossos profissionais de saúde. Durante a pandemia, a OMS apoiou o recrutamento de profissionais de saúde para vacinar todos os cabo-verdianos, pelo que esperamos que esses trabalhadores sejam mantidos para que possam se concentrar nos desafios de Cabo Verde após o covid-19”, declarou o representante da OMS.
Ainda no campo dos desafios a nível de saúde, nos dias de hoje e no futuro, Daniel Kertesz, afirmou que a OMS assim como o sector “aprenderam muito” com a pandemia da covid-19, quanto à necessidade de fortalecer os laboratórios e formar os técnicos, para que o vírus e as suas variantes pudessem ser rapidamente identificados e rastreados de forma eficaz.
Referindo-se ao progresso do País, aquele responsável adiantou que apesar de todos os países estarem a enfrentar crises convergentes no que respeita a mudanças climáticas, guerra, impactos económicos e sociais da pandemia, insiste que o avanço deve ser continuado com investimentos contínuos no sistema de saúde.
“A OMS incentiva os países a continuarem a investir na saúde, pois, a pandemia mostrou-nos a importância de um sistema de saúde forte, em que não apenas continuarão as melhorias na saúde que vimos em Cabo Verde, mas também nos ajudarão a preparar para futuras epidemias e pandemias”, prosseguiu argumentando que investimentos em saúde são bons para a saúde e para o crescimento econômico.
Observou também que o modelo “Uma Só Saúde” é uma ideia de que uma saúde melhor depende de muitos factores, incluindo o ambiente e as condições em que vivemos.
Desta forma, considerou que questões de saúde animal são importantes também para a saúde humana, e que a mudança climática também está aumentando a possibilidade de que os humanos sejam expostos a novas bactérias e vírus.
Em Cabo Verde, avançou que a OMS e outros parceiros, como a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, estão a trabalhar com os ministérios da Saúde e da Agricultura e Ambiente como parte de uma plataforma nacional organizada para preparar, identificar e responder a ameaças à saúde humana e saúde animal.
A OMS, concretizou, vê a cobertura universal de saúde como a ferramenta “mais importante” para melhorar a saúde das pessoas em todo o mundo e estar preparada para “responder a novas doenças que, sem dúvida, surgirão”.
Por isso, finalizou que face às doenças a prevalecer no mundo e a se ter mais cuidado, a OMS trabalha em desafios específicos de saúde global, nas doenças não transmissíveis, a preparar-se para responder a futuras pandemias e epidemias, a lutar contra as doenças infeciosas, como a cólera e a malária , e para erradicar a poliomielite do planeta, a ajudar os países a melhorar a vacinação infantil e também a introduzir novas vacinas contra mais doenças.
Inforpress







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