BCV não se opõe à venda do BCA à Coris Holdings do Burkina Faso

O CA do BCV “deliberou não se opor ao projeto de aquisição”, decisão tomada na sessão ordinária de 20 de novembro de 2025.

O Banco de Cabo Verde (BCV) anunciou hoje, dia 24, em comunicado que “deliberou não se opor ao projeto de aquisição de 59,81 por cento dos direitos de voto e das ações representativas do capital social do Banco Comercial do Atlântico (BCA) pela Coris Holding, S.A.”, autorizando o avanço da maior operação de privatização bancária em Cabo Verde desde 2024.

A decisão foi tomada na reunião ordinária do Conselho de Administração realizada a 20 de novembro de 2025, depois de um processo de avaliação considerado “complexo”, devido à estrutura multinacional da Coris Holding e ao facto de o BCA ser classificado como um banco de importância sistémica (D-SIB).

O BCV afirma que, após a análise dos critérios legais, “não existem indícios ou dúvidas” que coloquem em causa a idoneidade do comprador, a sua solidez financeira ou eventuais riscos de branqueamento de capitais, conforme previsto na Lei das Instituições Financeiras.

Persistiam apenas dúvidas quanto à capacidade de supervisão futura, mas, de acordo com a nota, essas questões “ficaram ultrapassadas com elementos, posteriormente, careados na instrução do processo”.

De recordar que o governo português procedeu em março 2024 à seleção da Coris Holding, S.A. para adquirir ações representativas de 59,81% do capital social do BCA. Na altura os outros dois candidatos eram o IIBGroup Holdings, sediado no Bahrein e presente em Cabo Verde através do banco IIB, e o First Atlantic Bank, do Gana.

O Acordo de Transmissão de Ações foi celebrado a 6 de maio de 2024 entre a Caixa Geral de Depósitos, o Banco Interatlântico e a Coris Holding, operação dependente de autorizações das autoridades cabo-verdianas.

A Coris Holding apresentou ao Banco de Cabo Verde (Banco), em 21 de junho de 2024, um dossier de pedido de não-oposição à aquisição de participação qualificada de controlo no BCA.

A complexidade do processo, segundo o BCV, a Coris Holding tem filias em vários países e o BCA é um banco de importância sistémica, obrigou à realização de diligências adicionais.

“O processo levou à solicitação de esclarecimentos, pedidos complementares, due diligence adicionais, de modo que ficasse suficientemente demonstrado que o proposto adquirente reunia as condições que garantissem uma gestão sã e prudente da entidade-alvo de aquisição”, avança a mesma fonte.

O BCV conclui que o projeto de aquisição deve ser fechado “no prazo indicado pela Autoridade de Supervisão”.

Consoante a agência Lusa, venda será feita por 70,5 milhões de euros e “caso se venha a confirmar o preço global, este deverá gerar mais-valias da ordem dos 15,79 milhões de euros”, acrescentou.

Segundo a mesma fonte, a Coris Holding apresenta-se como uma instituição financeira aprovada pela Comissão Bancária da União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA) cujas principais atividades estão organizadas em torno do setor bancário sob a marca Coris Bank International com nove filiais.

Além do Burquina Faso (onde está cotada em bolsa), está presente na Costa do Marfim, Mali, Togo, Benim, Senegal, Níger, Guiné-Bissau e Guiné-Conacri.

A Coris Holding inclui ainda uma sucursal de financiamento islâmico, o Coris Bank International Baraka, presente noutros sete países.

Balai Notícias com agências

EDITADO

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