
- PUB
A regulação da IA e a participação das mulheres na tecnologia em Cabo Verde são os dois grandes temas em debate na VI edição do Fórum de Governação da Internet que decorre na cidade da Praia nos dias 21 e 22 de abril.

Cabo Verde tem sido um exemplo naquilo que é a governação da Internet, a nível regional, adiantou esta terça-feira, dia 21, a PCA da ARME, Leonilde Santos, em declarações à imprensa por ocasião da VI edição do Fórum de Governação da Internet. O evento de dois dias arrancou hoje no Tech Park e tem entre os temas de destaque a Inteligência Artificial (IA) e a participação feminina na tecnologia.
O Fórum de Governação da Internet (IGF em inglês) é uma iniciativa das Nações Unidas que é organizada em Cabo Verde pela Agência Reguladora Multissectorial da Economia (ARME).
Segundo a organização, o evento é uma oportunidade de juntar no mesmo espaço entidades públicas e privadas, a academia, as startups e a comunidade no seu todo.
Em entrevista ao Balai, a Presidente do Conselho de Administração (PCA) da ARME destacou que “Cabo Verde tem sido um exemplo naquilo que é a governação da Internet” e que este ano o objetivo é, a nível da IA, discutir a sua regulação juntamente com as várias entidades de modo que todos estejam alinhados neste debate.
Outro ponto salientado por Leonilde Santos é que a governação digital pressupõe também literacia e inclusão digital. “ É preciso um espaço onde a Internet permite que todos tenham acesso, mas nós não queremos somente ter acesso às tecnologias, queremos também ser produtores.”
Segundo a responsável, a ARME tem estado também a fazer muitas ações de literacia digital, com destaque para as escolas, “onde tudo começa”.
No que diz respeito à cibersegurança, a PCA reconheceu que há desafios, mas destacou que foram desenvolvidas e estão a ser alteradas as leis “para permitir uma maior confiabilidade” e que no passado, a ARME recebeu selo o Web Trust, a cadeia máxima em termos de certificação digital.”
Questionada sobre as medidas que a ARME está a tomar perante as queixas dos consumidores sobre a qualidade da internet em Cabo Verde, afirmou que a entidade fez o levantamento no ano passado e elaborou um estudo sobre a qualidade de serviço de internet em todas as ilhas de Cabo Verde e que o mesmo vai ser apresentado ainda este ano para “mostrar onde existem fragilidades e junto das operadoras exigir que haja melhorias.”
Reconhecendo que a internet é um bem essencial é necessário e com a aposta do país na economia digital, a responsável garantiu que a ARME tem trabalhado, através de fiscalizações, de ações de literacia digital, mas também junto das operadoras para melhorar este serviço”.
Presente no evento, o diretor nacional da Modernização do Estado, João Da Luz Rocha, defendeu que a Inteligência Artificial é uma mais-valia na “simplificação dos processos e na agilidade da resposta do Estado”, o que consequentemente “permite que o Estado esteja mais próximo do cidadão”.
O dirigente reconheceu, no entanto, que para um melhor uso da IA é preciso apostar na literacia digital de modo a que os cidadãos em geral, mas também na também na administração pública, possam saber usar a Internet. João da Luz Rocha explicou que já existe um estudo do Banco Mundial sobre a literacia digital no país que vai permitir que o Estado possa direcionar as políticas públicas nesse sentido.
Paralelamente, a infraestrutura e a expansão da rede de comunicações no país é outro aspecto a ser reforçado. “ (…) não adianta termos Inteligência Artificial, estratégia, lançar serviços e haver cidadãos no país que não têm acesso à internet de boa qualidade”, acrescentou.
No que diz respeito à regulação da IA, o diretor afirmou que existem vários posicionamentos a nível mundial nesta área, até porque “a Inteligência Artificial trouxe um desafio aos reguladores de todo o mundo”.
“A essência da regulação, não é para regular a tecnologia, é para regular os serviços provenientes da tecnologia. A IA é tecnologia e os reguladores não estão vocacionados para regular a tecnologia”, clarificou o responsável.
“ Regular a tecnologia significa criar alguma limitação, “obstaculizar” a inovação. E, definitivamente, não é razoável porque limita, até certo ponto, a criatividade e a inovação”, defendeu João da Luz Rocha, reconhecendo que é preciso “dar respostas à advento da Inteligência Artificial .
Já para o secretário de Estado das Finanças, Alcindo Mota, a presença do digital e de ferramentas como a Inteligência Artificial, nas organizações e na governação é evidente e daí a importância de se apostar na regulação.
“Temos que criar todo um quadro regulatório, sem cercear aquilo que é a capacidade de inovação, de crescimento e de todas as mais-valias da IA, mas garantir que tenhamos uma Inteligência Artificial que esteja efetivamente ao serviço das pessoas e que seja utilizada da melhor forma possível, de modo a que consiga potenciar todas essas valências”.
No âmbito do Fórum, vai ser assinalado esta quarta-feira, o Dia Internacional das Meninas e Jovens nas TIC, que é comemorado a 23 de abril, com uma atividade com 60 meninas de 10 liceus diferentes da cidade da Praia, revelou a PCA da ARME.
As estudantes vão ter sessões de mentoria no âmbito da literacia digital, com a startup SheTec, em parceria com a organização Women in Tech.
A responsável salientou que a aposta na capacitação vai no sentido de “não deixar ninguém para trás”, não apenas meninas, mas também “pessoas em zonas remotas e séniores” de modo a promover de facto a inclusão.
“A ideia é todos os cabo-verdianos poderem aceder a esta ferramenta que é a Internet, mas a mesma tem que ser utilizada com segurança, fiabilidade, inclusão e com proteção, “salientou.
A ideia é compartilhada pela representante residente das Nações Unidas, Patrícia Portela, que defendeu no evento que “o desenvolvimento tecnológico tem que ser para todos” e que a inclusão deve “garantir que todos tenham acesso a esse desenvolvimento, sobretudo, com segurança”, nomeadamente das crianças, jovens e mulheres.
A responsável abordou ainda a necessidade de atrair jovens, tanto rapazes como raparigas, mas destacou as meninas, “que normalmente não seguem as carreiras das novas tecnologias, da ciência, da matemática, da engenharia.”
Nesta linha, a iniciativa do dia 23 com jovens do ensino secundário pode ser uma boa forma de “chamar a atenção das possibilidades que as TICs têm a oferecer do ponto de vista de formação e desenvolvimento social e económico, como uma opção de trabalho e renda para meninas no âmbito da tecnologia.”
Até porque, segundo Patrícia Portela, sem essas iniciativas “o fosso entre homens e mulheres e as disparidades de género que ainda persistem em muitos países do mundo, só vai aprofundar.”
Nádia Pires/Jornalista Estagiária

Site agregador de notícias e conteúdos próprios e de parceiros, com enfoque em Cabo Verde e na Diáspora, que quer contribuir para uma maior proximidade entre os cabo-verdianos.
+238 357 69 35
geral@balai.cv / comercial@balai.cv / editorial@balai.cv



