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A instituição afirmou que “enquanto entidade reguladora de conteúdos de média disponibilizados ao público, não lhe cabe supervisionar conteúdos publicados em páginas pessoais de Facebook ou de outras redes sociais”.

Perante as acusações da Associação Sindical dos Jornalistas (AJOC) de “falta de ação”, “omissão grave” do seu dever e de não cumprir com a sua “função de proteger a integridade dos profissionais da comunicação social”, a Autoridade Reguladora para a Comunicação Social (ARC) emitiu ontem, dia 14, um comunicado. No documento, a entidade classifica a posição da AJOC como “lamentável e despropositada”.
Numa nota de repúdio publicada nas suas redes sociais na semana passada, a Associação Sindical dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC), denunciou publicamente a conduta de um cidadão que se autointitula de “Repórter do Povo”, em São Vicente, e acusou o mesmo de interferir no trabalho dos jornalistas “manifestando publicamente uma postura hostil e aversão à classe jornalística (…) a atuação do mesmo tem causando graves perturbações em coberturas mediáticas”. Entretanto, na mesma nota, a AJOC acusou a ARC de omissão e falha grave na sua missão de proteção dos jornalistas face das ameaças alegadamente feitas pelo “Repórter do Povo”.
Ontem, dia 14, a ARC expressou “estupefação” com a posição da AJOC, nomeadamente do presidente da associação, e reafirmou que as matérias de “ameaças de agressão e intimidação” são de foro criminal e de jurisdição policial e que não cabe à entidade reguladora atuar nesses casos e que qualquer ameaça física contra jornalistas deve ser investigada pelas autoridades competentes de segurança pública.
A mesma fonte clarificou também que, “enquanto entidade reguladora de conteúdos de media disponibilizados ao público, não lhe cabe supervisionar conteúdos em páginas pessoais de redes sociais”, como o Facebook, respeitando assim os princípios constitucionais da liberdade de expressão e de atuação das autoridades públicas.
“Não é pelo fato de uma pessoa se autointitular de “Repórter do Povo”, que ganha estatuto de jornalista ou a sua página no Facebook de órgão de comunicação social, sujeito às regras do setor. Os direitos e deveres previstos no Estatuto do Jornalista, bem como no Código Deontológico dos Jornalistas cabo-verdianos são aplicáveis exclusivamente a esta classe profissional, não se estendendo aos cidadãos individualmente considerados”, destacou a ARC.
A reguladora também recordou que, em agosto último, após uma denúncia de um grupo de jornalistas, já havia tomado uma posição através da Deliberação nº 50/CR-ARC/2024, onde repudiou “todo e qualquer discurso de ódio contra profissionais dos órgãos de Comunicação Social, por serem práticas atentatórias à liberdade de imprensa e contrárias aos valores de um Estado de Direito Democrático.”
A entidade ainda reiterou que continua comprometida com a defesa da liberdade de imprensa e que tem promovido anulamente várias ações de literacia mediática junto das escolas e universidades para incentivar o uso de fontes credíveis de informação, nomeadamente dos órgãos de comunicação social.
Como nota final do comunicado, a ARC expressou repúdio contra as tentativas do que nas suas palavras, são tentativas de “conspurcar o bom nome e a imagem” da instituição, “eleita, de forma legítima pelo Parlamento e em pleno exercício de suas funções constitucionais.”
De salientar ainda que após as críticas da AJOC na semana passada, a referida página foi renomeada para Luiz Gomes – Ativista do Povo.
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