Época balnear: Nadadores-salvadores da Praia pedem atenção redobrada dos pais e banhistas
Com a chegada do verão e o aumento da frequência nas praias, cresce também uma preocupação com a segurança dos banhistas. Em entrevista ao Balai, nadadores-salvadores e banhistas das praias de Quebra Canela e Prainha, da cidade da Praia, chamam atenção para as orientações e o respeito pelas bandeiras de sinalização.
Alberto Monteiro, nadador-salvador na praia de Kebra Canela desde 2004, alerta que apesar dos esforços da equipa, ainda há muitos banhistas que ignoram os sinais das bandeiras. “Há pessoas que obedecem, e outras que não, mesmo com a bandeira vermelha, alguns entram no mar e colocam a vida em risco”.
O mesmo reforça que o primeiro passo é conversar com os filhos antes de saírem de casa, e ao chegar à praia, devem procurar o salva-vida para saber as condições do mar.
“Alguns banhistas não conhecem os significados das bandeiras, e muitas das vezes os incidentes acontecem por falta de conhecimento”.
“Já tivemos casos em que os pais chegam e largam os filhos e depois culpam os salva-vidas quando algo acontece”, avançou, explicando que em algumas situações de descuido com as crianças, a responsabilidade é muitas vezes atribuída de forma injusta aos profissionais desta área.
Na mesma linha, José Rosário, com mais de 30 anos de experiência como nadador-salvador na praia de Prainha, salienta que na época da chuva o mar torna-se mais perigoso. “Há quem não conheça o mar, nem sabe identificar onde estão as correntes, nem sabe nadar. A nossa função é prevenir, mas é preciso atenção redobrada por parte dos pais”.
Nadadores-salvadores pedem melhores condições de trabalho
Conforme explica Alberto Monteiro, há ainda precariedade nas condições de trabalho dos nadadores-salvadores. O profissional que tem mais de duas décadas de experiência nas praias, diz que no ano passado os nadadores salvadores trabalharam apenas durante a época balnear e não receberam a respetiva remuneração, mesmo estando sob tutela do Instituto Marítimo-Portuário (IMP).
“Trabalhávamos e íamos para casa sem receber nada”, lamenta e diz que já são 21 anos a trabalhar em más condições e que muitos dos seus colegas já saíram por falta de condições.

O mesmo avançou que a situação mudou parcialmente quando a Câmara Municipal da Praia assumiu a gestão dos nadadores-salvadores e fez contratos de prestação de serviço, no entanto alguns dos problemas continuaram.
Inicialmente o salário era de 27.750 escudos, mas foi reduzido para 25.000 escudos, sendo que com os descontos que fazem desce para 21.000 escudos. “Não temos seguro, e esse valor não é suficiente para sustentar uma família, e cada nadador salvador tem as suas dificuldades”, sublinha.
O mesmo destaca que o orçamento que o IMP costumava atribuir todo o ano durante a época balnear pode complementar o apoio da Câmara Municipal, permitindo melhores condições. “Não é que queremos luxo, mas esse reforço já melhora muito”, afirma.
Entretanto, Alberto Monteiro esclarece que a associação de nadadores-salvadores também perdeu força ao longo dos anos, sobretudo devido à interferência de antigos coordenadores.
Apesar de a Câmara ter atribuído recentemente um subsídio de 5 mil escudos, Alberto Monteiro afirma que ainda não recebeu o mesmo, mas que alguns colegas já receberam. “Se há subsídio para dar, tem que ser agora, na época balnear”, reforça.
Atualmente, há apenas sete nadadores-salvadores de serviço, e em alguns postos funcionam com apenas um nadador salvador. “Trabalho sozinho, se não houver colegas para me substituir, não posso abandonar o posto para ir para casa. Em locais com restaurante, como na Prainha, às vezes oferecem almoço, o que é uma ajuda “, afirmou.
Além das questões salariais, o nadador-salvador José Rosário, que está atualmente na Prainha, pede mais equipamentos, como bandeiras, uniformes, óculos de sol e apoio na área da saúde, incluindo consultas dermatológicas. Também apela pela aquisição de uma mota de mar para as suas intervenções na água e pelo reforço da equipa, sobretudo durante os períodos de férias, quando o fluxo de banhistas aumenta.
Banhistas querem que praias continuem a ser locais seguros e acessíveis a todos
Entre os banhistas, a atenção aos sinais é vista como essencial. “Logo que chego à praia, tento identificar a bandeira”, conta Cíntia Silva, que foi com os filhos à praia de Quebra Canela. “Hoje por exemplo, temos a bandeira amarela, o que significa tomar banho com cuidado, e as crianças já reconhecem os sinais, e isso é importante”, avançou. Para a banhista, a presença de nadadores salvadores transmite confiança. “Só pelo facto de estarem aqui, já nos sentimos mais protegidos”.
Já Maria Rodrigues, natural da ilha de São Vicente, conta que a praia de Quebra Canela é a sua favorita.“O mar nunca está calmo, por isso conviver e tomar banho requer responsabilidade, há que respeitar os sinais e não ir muito longe”. A mesma aponta a importância da supervisão, especialmente com as crianças. “Há pais que trazem as crianças e largam por aqui, e depois não ouvem nem o nadador salvador”
.
A banhista Keila Mendes, por sua vez, diz que vem frequentemente à Prainha para relaxar e sentir a brisa do mar e que tem estado a reparar que os frequentadores têm estado mais atentos aos sinais.
Já Zenaida Barros, embora tenha a praia de Prainha como a sua preferida, lamenta as mudanças no espaço. “Hoje com o restaurante Linha d’Água há cada vez menos espaço para a circulação e está a tornar-se uma praia quase privada. O governo devia analisar esta situação”, criticou, mas elogiou a iniciativa dos nadadores salvadores.
José Fernandes, que está na capital por motivos de saúde, partilhou que foi ao mar para fazer fisioterapia para a coluna. “É a primeira vez que venho à praia de Quebra Canela e estou a gostar, tem movimentação e está evoluída, mas a primeira coisa que faço ao chegar é ver as bandeiras”, garantiu.
Entretanto Martin Henneken, turista residente em Portugal que está hospedado na zona da Prainha, decidiu conhecer praias novas e ficou encantado com o ambiente animado e a vigilância presente. “Senti uma corrente, e isso mostra como é importante estar atento, mas temos um nadador salvador atento e sinto-me seguro, e sem dúvida, quero regressar”.
De salientar que em agosto de 2022, o Instituto Marítimo-Portuário (IMP) pediu uma “reflexão mais profunda” sobre o comportamento dos banhistas, depois de terem sido registados num único dia cinco mortes por afogamento no país, na ilha do Sal e em Santiago. Dias depois viria a falecer mais um jovem na praia da Prainha.
Já nesta época balnear, no dia 28 de julho, um jovem de 21 anos perdeu a vida no mar de Rincão, em Santa Catarina, Santiago.
Venda na praia sustenta famílias
Diamantino Gomes, que vende água de coco há vários anos na praia de Quebra Canela por 200 escudos, salienta que a praia oferece boas oportunidades para negócio. “É um lugar agradável, com uma boa energia, e graças a Deus as vendas têm corrido bem”

Na mesma linha, Paulo Tavares, que trabalha com aluguel de guarda-sóis desde 2019, avançou que o negócio surgiu de uma necessidade. O mesmo viu que a praia ficava vazia a partir do meio-dia por causa do sol e não havia sombra. “Investi em guarda-sóis e comecei a atrair mais pessoas, especialmente os estrangeiros”, afirma e diz que os preços de aluguel variam entre os 250 e 500 escudos.
O mesmo quer expandir o negócio para as outras praias como São Tomé, São Francisco e Gamboa e também sonha em abrir uma escola de surf.
Já Paulo Teixeira, vendedor de bijuterias há mais de um ano na praia da Prainha, avançou que escolheu o local por causa da energia e da hospitalidade. “Gosto muito desta praia tranquila e as pessoas são humildes e acolhedoras. Graças a Deus vendo todos os dias”, afirmou.
Daimara Furtado/ estagiária

Ondas fortes condicionam operações no porto de Vale Cavaleiros no Fogo
TAMBÉM PODES GOSTAR


Casal aposta em cafetaria móvel com bebidas frias na Praia

Cruz Vermelha recebe 26 mil contos para antecipar resposta à seca



- PUB
- PUB












