Olavo Correia defende que uma nação de empreendedores é fundamental para o desenvolvimento do país

Olavo Correia defende que uma nação de empreendedores é fundamental para o desenvolvimento do país

O ministro das Finanças falava ontem, 30, na abertura da II Cimeira de Desenvolvimento e Financiamento Jovem, que conta com a participação de jovens talentos de todas as ilhas.

“Uma nação que se quer desenvolvida, ousada, pujante e de inclusão e de oportunidades tem que ser, em primeiro lugar, uma nação de empreendedores”, afirmou o vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia, na II Cimeira de Desenvolvimento e Financiamento Jovem, que arrancou nesta quinta-feira, 30, nas instalações da Feira Internacional de Cabo Verde (FIC), na cidade da Praia.

Segundo Olavo Correia, os governantes têm a obrigação de investir na juventude em Cabo Verde e em África e que é preciso correr riscos pelos jovens e pelas mulheres. “Os jovens e as mulheres são duas asas que permitem Cabo Verde sonhar grande, pensar alto e fazer coisas grandes pela nossa nação.”

“Vale a pena corrermos o risco de investirmos na educação, na formação, mas também na criação de oportunidades, porque os jovens e as mulheres em Cabo Verde, felizmente, têm talento”, salientou, acrescentando que os jovens e as mulheres precisam apenas de oportunidades para colocarem as suas energias, capacidades e inovações ao serviço do país.

O vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças avançou que o governo tem criado vários instrumentos de forma a ter um melhor clima de investimento para os jovens e as mulheres empreendedoras.

Presente também no ato da abertura, o presidente da Pró-Empresa, Edney Cabral, disse que pretendem criar um ambiente propício para permitir que os jovens tenham acesso à qualificação, ao desenvolvimento de competências e ao financiamento de projetos que os ajudem a concretizar os seus sonhos.

“Pretendemos que esta cimeira seja um catalisador para novas oportunidades, oferecendo aos empreendedores o ensejo de desenvolverem as suas habilidades, de encontrarem apoio financeiro para as suas iniciativas e, mais importante, sentirem-se ouvidos e valorizados”, afirmou, enaltecendo que a juventude que é o motor de desenvolvimento de Cabo Verde. “Estamos a crer que os jovens possuem ideias inovadoras e vibrantes, essenciais para a construção de um Cabo Verde cada vez melhor.”

Jovens de toda as ilhas em busca de oportunidades

Jovens de Santo Antão à Brava, que estão a marcar presença na II Cimeira de Desenvolvimento e Financiamento Jovem, afirmam em declarações ao Balai que encaram o evento como uma oportunidade para divulgar os seus talentos.

Presente na cimeira pelo segundo ano consecutivo a convite da Pró-Empresa, Semõa Oliveira trouxe conservas de atum e búzios do Maio e disse que o evento é uma oportunidade de dar a conhecer os produtos da ilha. “A primeira edição foi excelente e espero o mesmo este ano.”

A participar pela primeira vez, Lany Martins que veio do concelho dos Mosteiros, no Fogo, ambiciona divulgar a sua marca de bijuterias denominada “Martins Biju Arts”. “Trouxe brincos, colares, pulseiras, bem como rendas, garrafas recicladas e quadros. É a primeira vez que estou a participar e espero sair daqui com a mente mais enriquecida, com mais ideias e com um financiamento.”

Já a artesã natural de Picos, concelho de São Salvador do Mundo, Suzete Tavares trouxe “tradição de terra”, bem como flores, tudo feito com materiais reciclados. “A cimeira é uma oportunidade de mostrar a qualidade do nosso produto”, disse, acrescentando que espera que depois do evento possa expandir os seus produtos e evoluir no sector. “Estou num bom caminho.”

Sónia Baptista veio da Brava e esta é também a sua estreia na cimeira. No seu stand é possível encontrar hambúrgueres de peixe e peixe fresco conservado. Trabalha nesta área há vários anos e espera adquirir novos conhecimentos e partilhar com os outros expositores presentes, bem como levar novas ferramentas para poder alavancar o seu produto.

A marcar presença também pela primeira vez no evento, a mindelense Kelly Fernandes disse ao Balai que está a ser uma boa experiência, uma vez que está a conhecer novas pessoas. “Pelo facto de estar a interagir com outros artistas é bastante vantajoso para mim. Trouxe brincos da minha marca “Brink Art” que já existe há cerca de 4 anos. Vir a convite da Pró-Empresa significa muito para mim e também é uma forma de apresentar os meus produtos na ilha de Santiago.”

Natural de Ponta do Sol, Santo Antão, Anísia Cabral está no evento para divulgar o seu projeto “Gelado d’Terra”, uma forma que encontrou de dar vazão ao excesso de produção agrícola da ilha das montanhas.

“O meu objetivo é usar a abundância de produtos que temos na ilha de Santo Antão para dar-lhes saída, na época das mangas há abundância e não sabemos o que fazer, quero ser mais um que dá uma direção feliz para cada legume ou fruta. Nesta cimeira trouxe gelado de ponche de mel, gelado de hibisco que é acompanhado com calda e tenho também aquele que chamo da prata da casa que é fruta-pão com coco de terra”, salienta, acrescentando que é a a primeira vez que está a participar num evento desta envergadura. “É muita emoção. Espero que seja mais uma oportunidade para as pessoas conhecerem os produtos de Gelado d’Terra.”

A Cimeira de Desenvolvimento e Financiamento Jovem decorre até ao dia 1 de fevereiro na FIC e tem por objetivo facilitar um diálogo construtivo entre os jovens, o governo, as instituições financeiras, as entidades públicas e privadas, entre outros setores.

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