“Os professores estão a fazer contratos de três em três meses numa situação precária”, denuncia Sindprof

Os professores do país voltaram hoje, 12, a vestir-se de preto para dizer “basta” à situação que a classe vem enfrentando há vários anos.

Sem chegar a consenso com o ministério da Educação, os professores cabo-verdianos voltaram nesta segunda-feira, 12, às ruas do país com as mesmas reivindicações, entre as quais o aumento salarial. A manifestação foi convocada pela plataforma dos professores e contou com o apoio dos sindicatos representativos da classe.

“Os professores estão a fazer contratos de três em três meses numa situação precária. É preciso que o ministério (da Educação) veja que os professores estão em ilhas diferentes e que precisam de dinheiro para suprir as necessidades e pagar as contas. O ME tem que ver isso porque é um tanto quanto desumano um professor sair da sua ilha e dar aulas noutra e, entretanto, durante três meses não ter (um salário). Como é que esse professor vive? Como é que ele paga as contas? É preciso dar um safanão acordador aos professores de Cabo Verde, que é preciso dizer não. (…) Porque esta situação está a se tornar insuportável para todos aqueles que abraçaram a educação como uma causa”, afirma a presidente do Sindicato Democrático dos Professores (Sindprof), Lígia Herbert, em entrevista à imprensa durante a concentração para a manifestação na Praça Alexandre Albuquerque, na Praia.

Segundo o representante dos professores, David Nunes,a falta de pagamento de salários dos docentes é uma problemática que já vem se arrastando há longos anos.

“Na verdade, isto não é de agora, é uma prática recorrente do ministério da Educação. As pessoas começam as suas carreiras e durante alguns meses ficam sem receber o salário e acredito que todos os professores já passaram por isso. É lamentável que ainda na época em que vivemos haja pessoas com algum vínculo com o ministério a passar por esta humilhação”, diz e acrescenta que esta manifestação é uma forma de demonstrar que “a luta ainda não terminou” e que “vão continuar até que as suas vozes sejam ouvidas”.

No que tange às reivindicações dos professores, David Nunes esclarece que a Plataforma dos Professores e os sindicatos já chegaram a um acordo com o ministério da Educação quanto à promoção/progressão da classe, mas no que tange ao aumento salarial ainda não há um consenso.

“O nosso objetivo é atingir os 107 mil escudos como salário para os professores”, afirma e acrescenta que até o momento apenas os sindicatos Sindep e Siprofis encontram-se com o ministério da Educação.

Em comparação com a manifestação anterior, houve uma fraca adesão dos professores na manifestação na cidade da Praia. A presidente do Sindprof justifica com o facto de que na manifestação anterior os concelhos estavam todos reunidos na Praia. “Neste momento, na Assomada há uma manifestação que reúne (os professores) de todos os concelhos do Tarrafal até aos Órgãos. Estamos divididos em vários concelhos, estamos no Maio, no Fogo e provavelmente os impulsos são os mesmos, a equiparação salarial em relação a todos estes problemas que têm afetado a classe”.

A mesma fonte acrescenta também que “é natural que os professores comecem a ficar cansados de tanta luta, de tanto bater na mesma tecla e a resposta do Ministério é sempre igual”, diz e salienta que o Sindprof vai apoiar a classe até ao fim.

O representante dos professores, David Nunes, espera que o ministério da Educação venha a atender as reivindicações dos professores, “porque posteriormente teremos uma intensificação da luta e quando digo isto já se deu alguma pista de como isto vai ser. Espero que venha a atender porque teremos um braço mais forte para este trimestre e o seguinte”, conclui.

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