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A Casa da Memória, uma instituição cultural de carácter eminentemente privado, cuja criação visa guardar a memória do passado e construir a história do futuro, reabriu-se ao público em formato presencial duas vezes por semana.

A promotora da Casa da Memória, Monique Widmer, disse à Inforpress que depois da pandemia e de alguma paragem para limpeza e organização, reabriu a Casa de Memória para o público, mas de duas maneiras: presencial e, para breve, em formato virtual.
A partir de agora esta instituição cultural de referência na cidade de São Filipe e na ilha do Fogo, a funcionar desde 20 de Abril de 2001 no centro histórico vai estar aberta ao público às quintas e sextas-feiras, porque, explicou Monique Widmer “é uma possibilidade porque abre horizontes aos contactos estabelecidos com as pessoas que visitam o espaço”, sejam nacionais ou de outros países.
A parte virtual deverá estar ativa até ao final do ano, porque o site está pronto e falta introduzir toda a lista dos livros que estão na biblioteca da Casa de Memória, especializada em temáticas sobre Cabo Verde e mais particularmente sobre a ilha do Fogo, referiu Monique Widmer, indicando que os títulos disponíveis poderão interessar as pessoas, que estão no exterior e que pesquisam temas sobre Cabo Verde, e as Universidades.
“Não pretendo nada de extraordinário, mas como houve um investimento de quase 15 anos para estabelecer a biblioteca, pode haver interesses sejam de cabo-verdianos que estão na emigração, estudantes universitários e pesquisadores que querem debruçar-se sobre Cabo Verde”, afiançou a responsável da Casa da Memória.
A biblioteca está organizada por temas, de modo a facilitar às pessoas, e no passado chegou a estar online e tinha pessoas de fora, nomeadamente da Argentina, Estados Unidos, Portugal e França a perguntar e a pedir mais dados e coordenadas dos livros que existem na biblioteca.
A responsável reconheceu que não dispõe das últimas obras, porque, explicou, “tudo se passa na Praia”, sublinhando que anteriormente a Casa da Memória tinha uma boa ligação com a Biblioteca Nacional, mas que agora a Biblioteca Nacional tem outras ligações.
A biblioteca virtual será organizada por títulos, autor, edições, anos das edições, se é um livro, uma brochura e ao lado de cada livro disponibilizado consta os principais tratados no mesmo, disse Monique Widmer, apontando como exemplo que em relação ao livro de Orlando Ribeiro, “A ilha do Fogo e as erupções vulcânicas”, as pessoas pensam que é apenas sobre vulcanologia, mas retratada a sociologia, a agricultura, a vida da cidade e do campo, desenvolvimento desta ilha, a história geral da ilha, observando que o livro tem muito mais que o título.
A biblioteca da Casa da Memória não faz empréstimos de livros, porque a experiência de outras instituições, nomeadamente das bibliotecas das escolas secundárias, por exemplo, desaconselha esta prática.
Além do risco de desaparecimento dos livros, muitas vezes, explicou, Monique Widmer, as pessoas em casa não dispõem de todas as condições para consultar e o livro fica a deteriorar, acrescentando que “hoje em dia não é muito possível emprestar os livros”.
“As pessoas devem habituar-se a procurar um lugar silencioso, com seu computador ou caderno e saber tirar apontamentos, concentra-se na sua pesquisa que é importante”, disse, sublinhando que as pessoas que estão no exterior depois de consultar os índices e os temas retratados podem pesquisar na internet ou em bibliotecas.
As visitas presenciais podem ser de forma individual ou em grupos, referiu a responsável, indicando que alguns guias sabem melhor falar da história da cultura da ilha ao seu grupo e outros que se concentram numa visita rápida ou preferem visitar a paisagem e o vulcão.
“A história do Fogo é muito importante ser contada porque tem estereótipo sobre a história da ilha, sobre os sobrados, sobre os brancos e a história das outras ilhas não é tao diferente da ilha do Fogo”, referiu Monique Widmer, para quem o povo cabo-verdiano foi feito de várias influências, com lados menos bons e lados melhores, defendendo a necessidade de haver melhor integração da história de cada ilha.
Com relação à preservação cultural, a responsável da Casa da Memória defende que o Instituto de Investigação do Património Cultural (IPC) devia ser um servidor das coisas que existem e não estar demasiado concentrado apenas naquilo que é do domínio público.
Este instituto tem uma postura com umas e outra postura com outras pessoas, observando que “há muito trabalho por fazer” pese embora na questão da preservação o IPC tem um grande papel de defesa do património.
Desde a sua criação há mais de duas décadas, a Casa de Memória sobreviveu à base da solidariedade, mas a responsável já contactou algumas agências turísticas representadas na ilha para analisar possíveis contribuições, mas ficou no critério das agências turísticas ou das pessoas que visitam o espaço deixar alguma contribuição para ao menos pagar o salário de uma jovem, porque, explicou “continuo a funcionar na base de solidariedade”.
Monique Widmer adiantou ainda que não tem possibilidade de se inscrever no sistema das Finanças porque não é um espaço de venda, mas quer fazer tudo para manter a Casa da Memória presente e em interação com tudo aquilo que se passa na ilha e no município e participar nos encontros, salvaguardando toda uma rede de relações com os Ministérios da Educação e da Cultura, câmaras e com outras instituições.
“Sinto que a Casa da Memória faz parte do património da cidade de São Filipe e da ilha do Fogo”, advogou Monique Widmer, para quem, em termos culturais de iniciativas das pessoas, podia haver uma abertura para novos horizontes e que as atividades que se realizam nesta cidade devem ser divulgadas publicamente.
Inforpress

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