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José Maria Neves falava durante o lançamento da campanha “We Are Equal” realizada nesta quinta-feira, 28, na cidade da Praia.

Sob o lema “Somos Tudos Iguais e Sempre Fomos” foi lançada nesta manhã, 28, na cidade da Praia, a campanha “We Are Equal” (Somos Todos Iguais), promovida pela Organização das Primeiras Damas Africanas para o Desenvolvimento (OAFLAD). Na ocasião, o Presidente da República, José Maria Neves, afirmou que a África deve tornar-se um continente “mais forte, unido e próspero com oportunidades para todos os géneros”.
José Maria Neves destacou que as lideranças africanas, especialmente das mulheres e dos homens do continente, têm uma “grande responsabilidade na definição do futuro de África”.
“A África no século XXI deve tornar-se um ator político relevante no mundo e isso exige uma grande transformação socioeconómica”, afirmou o mais alto magistrado da Nação e adiantou que no mundo atual, com o impacto das redes sociais e da Inteligência Artificial (IA), a esfera pública está a fragmentar-se de forma evidente e que as instituições de mediação, como as famílias, as escolas, os partidos políticos, os sindicatos e as igrejas, estão a fragilizar-se, e apelou que estes precisam ser “mais sábios”.
Em Cabo Verde a campanha terá como lema – “Família – Berço” e, neste sentido, o Presidente da República sublinhou a importância de fortalecer as famílias para desempenharem um papel crucial na educação das crianças e dos jovens, bem como de dotar as universidades de ferramentas para gerar conhecimento e enfrentar os desafios atuais. “O que devemos fazer é dar mais poder às famílias, mais sabedoria, para que possam desempenhar o seu papel, na educação das nossas meninas e dos rapazes “.
Durante a sua intervenção, o PR aproveitou para parabenizar a Primeira Dama, Débora Katiza Carvalho, pelo lançamento da campanha frisando que é importante fazer este trabalho complementar, porque as “Primeiras Damas têm um pé no Estado e outro na sociedade civil”.
No contexto da campanha lançada hoje, Debora Katiza Carvalho abordou a necessidade de promoção da igualdade de género e, principalmente, o combate às mais variadas situações de violência baseada no género (VBG) cujas vítimas são esmagadoramente do sexo feminino.
Durante o seu discurso, a Primeira Dama sublinhou: “Buscamos um mundo mais justo e equitativo e nos regozijamos com todos os avanços que estão a ocorrer em África, evitando e combatendo os casos de retrocesso”.
Referiu ainda que ao longo das últimas duas décadas, foram feitos progressos consideráveis na promoção da igualdade de género, especialmente no acesso à educação, saúde e emprego, mas as mulheres e meninas continuam a ter grandes desafios. “A realidade é bem diversa, de país para país, embora a ocorrência de situações que ofendem a honra e a dignidade, principalmente de mulheres e meninas, continue a ser um denominador comum neste sentido e para os problemas globais buscamos soluções locais.
Durante a sua intervenção referiu que em Cabo Verde “as meninas registram maior sucesso escolar, melhores notas, constituem a maioria no ensino secundário e universitário”.
“Por outro lado, entre os rapazes, o desempenho escolar é comparativamente inferior, sendo a taxa de abandono escolar uma preocupação crescente. Esta situação pode ter consequências negativas para esses jovens, dificultando o seu acesso ao mercado de trabalho”, salientou. Nesta linha, Débora Katiza Carvalho enfatizou que a dificuldade de encontrar trabalho e de se integrarem plenamente na sociedade é uma realidade para esses jovens.
“A violência doméstica e a violência contra meninas e mulheres continuam a manchar a sociedade, exigindo medidas urgentes para a sua erradicação, não podendo contar com os nossos silêncios cúmplices. Este fenômeno, que precisa ser eliminado, muitas vezes resulta de deficiências relacionadas com o machismo ainda presente na sociedade”, salientou.
“É necessário que façamos uma mudança na forma como educamos os nossos meninos com um caráter de urgência” afirmou. No entanto, mesmo reconhecendo a importância da família para o sucesso desta campanha, a educação dos meninos exigirá a colaboração e parceria de todos os atores da sociedade, salientou a Primeira Dama.
Concluiu que esta campanha tem como missão erradicar os comportamentos específicos que destacam para a adoção de atitudes machistas nos rapazes, refletidas em estereótipos de género, violência sexual e violência de gênero. O projeto apoia a importância fundamental das famílias na educação dos jovens, especialmente no que diz respeito à formação dos rapazes, promovendo uma masculinidade positiva.
A campanha lançada hoje em Cabo Verde sob o lema – “Família – Berço”, foi lançada pela OAFLAD em 2023 e já chegou a 17 países africanos, sendo que o ato oficial de hoje contou com a participação das Primeiras Damas de vários países, nomeadamente, a Primeira Dama Débora Katiza Carvalho, a Primeira Dama do Burundi, Angéline Ndayishimiye, da Primeira Dama de Moçambique, Isaura Nyusi (por vídeo), da representante da Primeira Dama da Nigéria, Hajia Laila Jibrin Barau (esposa do Vice-Presidente do Senado da Nigéria) e da Secretária Executiva da Organização das Primeiras Damas Africanas (OAFLAD), Nardos Berhanu.
Cátia Lopes- Estagiária







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