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A vontade de criar um negócio próprio levou o casal cabo-verdiano Miguel Leal e Liza Moreno a investir numa cafetaria móvel. Naturais de Santiago, viviam na Holanda antes de decidirem regressar a Cabo Verde e investir.
Com 38 anos, Miguel Leal é engenheiro eletrotécnico e tem experiência na área empresarial. Já Liza Moreno, de 35 anos, adquiriu experiência profissional em Portugal, sobretudo nas áreas de atendimento ao público, gestão e restauração.
A ideia de apostar numa roulote de venda ambulante (food truck) surgiu quando o casal identificou uma oportunidade de aproveitar a carrinha de um amigo que não estava a ser utilizada. O plano inicial de Miguel era abrir um bar, mas a possibilidade de criar uma cafetaria móvel (coffee truck) levou-os a repensar o projeto.
“O Emma’s Place no modelo atual é uma oportunidade de mercado. Houve uma oportunidade e nós aproveitamos e arrancamos”, explica Miguel.
A escolha das bebidas frias resulta da intenção de apresentar uma proposta adaptada ao clima do país e de diversificar as opções disponíveis no mercado. Para Liza, a ideia era apostar em produtos que pudessem ser consumidos de forma rápida, sem que os clientes precisassem esperar muito tempo.
“Sabemos que café é uma coisa que quase todo mundo gosta e Cabo Verde é um país quente, então porque não fazer a bebida fria? Experimentamos e sabíamos que seria uma bebida que as pessoas poderiam gostar”, conta.
O espaço funciona atualmente num ponto fixo na Avenida Amílcar Cabral, no Platô, na cidade da Praia. No espaço vendem-se bebidas frias, como café frio, matcha, açaí e sumos naturais. Há também merendas e outras opções para consumir ao longo do dia. Os preços variam entre 85 e 800 escudos.
O casal pretende oferecer produtos conhecidos internacionalmente, mas com uma apresentação diferente da habitual. Segundo Miguel, o modelo de funcionamento foi pensado para permitir que as bebidas e os alimentos sejam preparados e entregues em cerca de cinco minutos.
A divisão de tarefas entre os dois tem sido uma parte importante da implementação do negócio. Liza, que possui experiência prática na restauração e na preparação de alimentos, enquanto Miguel contribui sobretudo nas áreas de marketing, divulgação e ferramentas digitais.
“Os nossos conhecimentos complementam um ao outro”, afirma Liza, que diz que se sentiu segura em avançar com o projeto, apesar de ser a única da relação com experiência direta na restauração.

O nome Emma’s Place tem também uma ligação familiar: foi inspirado na filha do casal. Miguel explica que a intenção é construir um negócio que possa crescer ao longo dos anos e, eventualmente, ser continuado pela filha.
“O objetivo é deixar o nosso legado e criar uma cadeia de restaurantes móveis de referência e quando a nossa filha crescer poderá continuar com o negócio, que foi criado para ela e para nós também.”, afirma.
Embora funcione atualmente num ponto fixo, o casal pretende manter o conceito móvel, com a possibilidade de participar em diferentes iniciativas e chegar a outras localidades e ilhas. A expansão deve passar pela criação de novas carrinhas, com o mesmo conceito ou com outras propostas de produtos.
A aposta neste negócio trouxe desafios relacionados com a contratação de trabalhadores e os procedimentos necessários para iniciar a atividade. Miguel considera que encontrar pessoas comprometidas com as funções é uma das principais dificuldades enfrentadas pelos empreendedores.
O empresário aponta ainda o processo de licenciamento, que, segundo relata, demorou vários meses até à obtenção das autorizações necessárias para comercializar os produtos.
“Acredito que a maior dificuldade que um empreendedor pode ter em Cabo Verde hoje em dia é a falta de recursos humanos, muito mais do que a questão da documentação, porque percebemos o porquê da exigência em relação à documentação apesar de ser um entrave bastante desanimador,” afirma Miguel.
Apesar dos obstáculos, o casal afirma ter recebido uma reação maioritariamente positiva por parte do público. Liza conta que vários clientes, empresários e moradores do Platô manifestaram satisfação com a proposta e com as várias opções disponíveis.
Já Miguel reconhece que o conceito pode causar alguma estranheza por não corresponder aos formatos de restauração mais tradicionais, mas também considera que a aceitação tem sido positiva.
Com a experiência adquirida, Miguel acredita que existem oportunidades para novos negócios no país, sobretudo para quem identifica necessidades no mercado e apresenta soluções diferentes.
O empreendedor considera, no entanto, que é necessário estar preparado para enfrentar dificuldades como o financiamento, a burocracia e a contratação de recursos humanos.
“Cabo Verde é um país de oportunidades, porque há falta de muita coisa. Quem tiver um espírito empreendedor e resiliência está no bom caminho para o sucesso”, defende, incentivando os jovens a investir em ideias que possam responder às necessidades existentes e criar emprego.
Liza reforça a importância da persistência e da confiança no próprio projeto. “O importante é nunca desistir no primeiro não, na primeira dificuldade que achares. É ir com garra, acreditar em si mesmo e se tiver as pessoas certas ao seu lado melhor ainda”.
Melanie Fortes





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