“Depois do meu filho, a arte é a minha felicidade”, diz artesã mindelense

“Depois do meu filho, a arte é a minha felicidade”, diz artesã mindelense

Apesar de reconhecer que o artesanato está aos poucos a ser valorizado em São Vicente, Alexandra Duarte, mentora da marca Xaxu Mimos, defende mais apoio ao setor, principalmente no que se refere a espaços para venda e divulgação.

Natural de São Vicente, Alexandra Duarte é a mente criativa por trás da microempresa de artesanato Xaxu Mimos. A jovem, com formação inicial em contabilidade, fez uma mudança de rumo ao abandonar o curso na reta final para seguir a sua verdadeira paixão: o artesanato. Atualmente, trabalha como técnica comercial de vendas, mas não abandonou o seu amor pela arte, que é uma parte essencial da sua vida.

Desde a infância, Alexandra nutria um gosto pelo artesanato e na escola a sua disciplina favorita era Educação Artística. “Sempre gostei de fazer trabalhos manuais. (…) Sinto-me feliz e realizada quando faço a minha arte, enquanto não terminar uma peça não me descanso. (…) Depois do meu filho, a arte é a minha felicidade”, afirma com um sorriso.

Inicialmente, começou a criar lembrancinhas e, com o tempo, desenvolveu uma paixão pela confecção de bolsas. Hoje em dia faz vários itens de decoração para casa em macramé.

O projeto Xaxu Mimos, que começou de forma informal, só ganhou forma de empresa em 2021. Alexandra relata que, ao longo dos anos, começou a ser solicitada para emitir faturas e, por esse motivo, decidiu abrir a sua microempresa. Essa mudança também foi motivada pela vontade de participar em eventos e feiras, expandindo a sua presença no mercado.

Contudo, conciliar o trabalho de técnica comercial de vendas com o artesanato não tem sido uma tarefa fácil para a jovem, que afirma que tem falta de tempo. “Trabalho das 8h00 às 17h00 e, quando surgem encomendas, trabalho até de madrugada”, diz, acrescentando que também é dona de casa e mãe. “Adoro trabalhar à noite, é um momento de paz para mim”, confessa Alexandra.

A marca Xaxu Mimos oferece aos clientes uma variedade de produtos e as bolsas feitas de madeira e plástico transparente são as mais procuradas pelo público devido à inovação.

“Produzo também bolsas de macramé, linha de lã, folha de bananeira e tâmara, itens de decoração da casa feitos com corda de sisal e madeira. Neste momento, estou a entrar num projeto de macramé. Faço cestas e lembrancinhas para crianças e há quatro anos confecciono ovos de Páscoa para vender em minimercados”, conta, afirmando que é uma artesã bastante versátil.  

Os preços dos produtos, que se encontram à venda online, variam dos 500$00 aos 6 mil escudos e consoante o tamanho e a matéria-prima. O feedback do público tem sido muito positivo. “Por acaso, tudo o que faço à mão o público gosta. Já enviei bolsas para Portugal, Luxemburgo e os Estados Unidos da América.”

A falta de matéria-prima em São Vicente é um dos maiores desafios apontados por Alexandra. “Compro a maioria dos materiais na cidade da Praia. (…) Quando encontro os itens em São Vicente os preços são exagerados, o que encarece os meus produtos. E quando é assim as pessoas acham as peças caras, mas não sabem o que está por detrás do trabalho”, salienta, acrescentando que às vezes compra matéria-prima noutros países, mas demoram muito tempo para chegar.

Valorizar mais o artesanato

A mentora da Xaxu Mimos já participou duas vezes na Feira de Oportunidades e no ano passado fez a sua estreia na Feira Internacional de Cabo Verde (FIC), na cidade do Mindelo. “No primeiro ano compraram todas as peças, no segundo restou um pouco e na FIC vendi a maioria. Agradeço à administradora delegada da FIC, Angélica Fortes, pela oportunidade. (…) Às pessoas passaram a conhecer o meu trabalho graças à FIC.”

Apesar de reconhecer que o artesanato está aos poucos a ser valorizado em São Vicente, Alexandra defende mais apoio ao setor, principalmente no que se refere ao espaço. “Acho que a Feira de Oportunidades deveria ser realizada mais do que uma vez ao ano. Para participar na Urdi é muita burocracia. (…) É preciso apostar mais no artesanato na ilha. Por exemplo, no terminal de cruzeiros devia haver espaços para os artesãos comercializarem a sua arte”, diz em jeito de apelo.

No futuro, Alexandra Duarte espera expandir ainda mais o seu trabalho, quem sabe, realizar uma exposição na cidade da Praia. “O meu objetivo é viver exclusivamente da minha arte, fazer o que me faz feliz”, conclui.

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Por Aline Oliveira

Jornalista e editora de conteúdos do portal Balai Cabo Verde. Contacto: aline.oliveira@balai.cv