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Quando falamos em criar valor comunitário, a primeira imagem que nos vem à cabeça é de uma sala cheia com pessoas interessadas e disponíveis para trabalhar no desenvolvimento da sua comunidade. Não é este o cenário real. Este é o cenário de projetos já bem estruturados e com parceiros fortes. No entanto, o ponto de partida das organizações é o trabalho de formiguinha.
“Começa ku quel ki bem”
A frase não é minha, mas ouvi-a há dias numa entrevista do sociólogo Redy Lima e apercebi-me do poder desta afirmação. O valor da mensagem que veiculamos não vai passar numa sala cheia de participantes com agendas pessoais, só vai passar numa sala cheia de pessoas interessadas na transformação que começa com elas mesmas.
Todo o processo do empreendedorismo social está intimamente relacionado com a capacidade de falhar, mas não desistir. A nossa visão é que o trabalho em rede vai permitir-nos a todos atingir os objectivos sustentáveis do milénio e para isso formamos pessoas e organizações sem fins lucrativos, mas também formamos empresas para que percebam que a sua ação também tem de prever a responsabilidade social.
O que nós vendemos, portanto, é uma nova mentalidade sobre a possibilidade que cada um de nós tem de mudar o mundo, mesmo que seja apenas começando na sua casa.
Nem todas as pessoas estão disponíveis para ouvir essa mensagem, mas nós trabalhamos para o pequeno grupo de pessoas que está. Se a mensagem passa? Ela vai sempre passar se o trabalho continuar a ser construído com consistência e persistência.
Os projectos, tal como qualquer produto, têm um tempo de vida. É preciso que terminem para que nós possamos aprender com eles e evoluir para a próxima fase. Este ano, despedimo-nos do Sport BootCamp, na sua 16ª edição, com lindas memórias. Foram 5 anos de trabalho de formiguinha que nos proporcionaram grandes aprendizagens. O maior benefício que temos é o facto de termos criado uma grande rede de empreendedores que vai da Brava a Santo Antão e ainda passa por São Tomé e Príncipe.
Começámos sempre com os empreendedores que queriam saltar do sonho para o negócio e dentro de nós sentimos sempre que as suas vitórias eram nossas, porque é assim que pensam as comunidades. Aquele que hoje vê luz no seu projecto, vai abrir portas aos outros que ainda estão só a pensar “e se esta ideia der certo?”
Mas não vamos a lado nenhum, 2025 vai trazer novidades.

Gestora da Comunidade WeCare, empreendedora social e criadora de narrativas. A WeCare é uma empresa social que colabora maioritariamente com Organizações não Governamentais como forma de encontrar financiamento para as suas atividades dedicadas ao impacto social e formação para a obtenção dos objectivos do milénio.





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