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O empreendedorismo social nasce quando um problema social passa a ser visto como uma forma de criar um negócio social. Esta foi a nossa experiência e a grande verdade é que quando começámos a trabalhar, nem nós sabíamos o que era o significado deste conceito. Sabíamos apenas que queríamos trazer valor ao mercado e contribuir para a sociedade.
Olhando para trás, em 2019, os parceiros que tivemos desde o princípio do nosso percurso foram fundamentais. O Comité Olímpico Cabo Verdianos, ajudou-nos muito com a construção dos nossos valores, o Business Incubation Center a visão do Empreendedorismo e o movimento Sport for Life foi a nossa primeira grande ponte para a inovação social.
Em 2020, tivemos um momento de revelação com a pandemia do Covid-19, quando percebemos que a vida poderia mudar de forma drástica de um momento para o outro.
Foi nessa altura, que a WeCare se reestrutura e passa a ser uma empresa social, inspirada na realidade que estávamos a viver. Começámos a construir programas junto das comunidades, primeiro para combater os efeitos do Covid, através da atribuição de kits básicos, depois para começar realmente a empoderar os jovens para as possibilidades do empreendedorismo, para o desporto e para o apoio às organizações na sua construção estratégica.
O que mudou efetivamente? Nós compreendemos que trazer valor, poderia criar impacto na vida das pessoas e que não fazia sentido sermos nós a irmos para as comunidades fazer esse trabalho diretamente com os beneficiários, quando já existiam lideranças locais a fazê-lo.
Atualmente, estimamos ter mais de 300 projectos elaborados, que, por sua vez, já formaram mais de mil pessoas, das mais diversas idades, nas mais diversas áreas.
Então, o que é o empreendedorismo social? A criação de valor social, ambiental ou comunitário é o propósito central recorrendo à inovação, à iniciativa empreendedora, à mobilização de recursos e à capacidade de criar soluções sustentáveis e escaláveis.
Enquanto o Empreendedorismo tradicional quer criar valor económico, rentabilidade individual e responder às necessidades do mercado, o empreendedorismo social tem uma visão da coletividade que começa com a abordagem de um problema e como a sua solução poderá trazer impacto no desenvolvimento humano.
O empreendedorismo social não é sinónimo de caridade, voluntariado ou responsabilidade social empresarial.
A sustentabilidade económica é indispensável. O retorno financeiro é visto como um meio de continuamente possibilitar a nossa capacidade de ação e criação de novos programas. O Lucro é um meio para sustentar e ampliar o impacto.
Nós, empreendedores sociais, procuramos mudar a forma como o problema é entendido e resolvido pela sociedade. É aqui que entra a Inovação Social: a forma como respondemos aos problemas à sua volta.
Inovação é transformar uma ideia em uma solução que cria valor.
Ou seja: Problema → nova ideia → solução → implementação → valor → impacto social → Gerar sustentabilidade
O Kumunidadi Summit teve a sua 1ª edição em 2025 como uma forma de responder aos maiores desafios das Organizações da Sociedade Civil: Falta de financiamento, Recursos Humanos e elevada necessidade de formação.
No ano passado, este evento teve mais de 200 participantes no Banco de Cabo Verde, 72 organizações e permitiu que fossem apresentados mais de 20 negócios sociais, um guia de financiamento das oportunidades da Organizações da Sociedade Civil (OSC), uma feira de investimento social onde participaram OSC, empresas, parceiros internacionais e universidades
Como inovamos? Primeiro abordamos os problemas da OSC e percebemos que a solução teria sempre de vir do Ecossistema em que se encontram também as empresas, as universidades, os parceiros internacionais, a juventude e as comunidades.
Num dia e meio de evento, conseguimos demonstrar que existem bastantes oportunidades de financiamento; Existem oportunidades gratuitas de formação; Muitas organizações estão a mudar o seu método de operação do assistencialismo para criação de negócios sociais; Há vontade dos integrantes do ecossistema participarem na transformação social; entre outras muitas considerações.
Este ano, percebemos um outro problema que é necessário abordar: O distanciamento da economia digital com o setor social. E por isso, começámos a colocar “mãos à obra” para procurar a solução.
Nos dias 27 e 28 de novembro, Inovação Social e Economia Digital, estarão em destaque no Kumunidadi Summit no Banco de Cabo Verde. Temos muitas novidades, mas vamos deixar para as próximas rubricas.

Gestora da Comunidade WeCare, Presidente da associação Social Development Hub – SDH e da CUFA Cabo Verde, empreendedora social e criadora de narrativas. A WeCare é uma empresa social que colabora com Organizações não Governamentais como forma de encontrar financiamento para as suas atividades dedicadas ao impacto social e formação para a obtenção dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável. A Social Development Hub é uma organização sem fins lucrativos com o objectivo de criar e promover redes de desenvolvimento humano. A Central Única das Favelas, é uma das redes internacionais que promovem o empreendedorismo social e são representadas em Cabo Verde.





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