Entre a ilha do Sal e a capital, Helga Correia “constrói memórias” a partir de fotografias natalícias

Com vagas limitadas para estes tipos de sessões, a profissional explica que prefere apostar na qualidade do seu serviço e não em ter uma grande quantidade de trabalhos.

Com uma década no mercado a fotografar grávidas e recém-nascidos, Helga Correia decidiu, em 2018, passar a “construir memórias” a partir de mini-sessões de fotografias natalícias. Em entrevista ao Balai, a fotógrafa conta que este conceito começou na ilha do Sal, onde residia há cerca de nove anos, mas que recentemente mudou-se para a capital para dar continuidade à sua arte, tendo hoje um estúdio na Praia.

Devido a motivos pessoais, Helga Correia embarcou numa nova aventura trazendo consigo a sua família e o seu dom de captar imagens para a Praia, local onde se encontram instalados desde o mês de setembro deste ano.

Com cerca de seis anos a fazer sessões de natal na ilha do Sal, decidiu expandir os horizontes e apostar na capital. A mesma adiantou que este ano abriu 40 vagas para os seus clientes habituais, sendo 20 para ilha do Sal e 20 para Praia.

Conhecida pelas suas sessões para famílias, avançou que nesta época festiva recebe muita procura e que as sessões natalícias são bastante limitadas. “A minha prioridade são os meus clientes habituais da ilha do Sal que foi onde criei este conceito. Os mesmos já conhecem o meu trabalho e já criaram uma tradição de todos os anos nesta época procuram os meus serviços”.

Questionada sobre a limitação das vagas, justificou que o seu objetivo é proporcionar qualidade e não ter muita quantidade, porque depois não consegue responder à demanda, com a mesma qualidade.

“Desde a minha chegada a cidade da Praia recebi muita procura e consegui esgotar as vagas que tinha disponíveis. Tive muitas pessoas a solicitar-me para abrir mais vagas, mas realmente não foi possível, porque poderia correr risco de não entregar trabalhos com ótima qualidade que estou habituada a fazer”, adiantou.

A mesma diz que devido a tanta procura sempre disponibiliza as vagas muito cedo para que as pessoas possam fazer as suas reservas com antecedência, e se não conseguir esgotá-las abre para o público, e as mais procuradas são as sessões de famílias que acabam por envolver todos os membros.

Sobre os valores das mini-sessões, avançou que têm um preço mais razoável do que uma sessão normal, porque tem duração de 20 minutos, em que varia entre cinco mil escudos a sete mil escudos, de acordo com o número de fotos incluídas.

“Com este curto espaço de tempo consigo atender mais clientes, o que resulta em ter mais faturação nesta época do que nos outros meses. Por exemplo, aqui na Praia as mini-sessões foram abertas entre os dias 12 a 14 de dezembro, nomeadamente quinta-feira de tarde, sexta-feira e sábado o dia todo”, acrescentou.

Questionada sobre a evolução dos telemóveis com cada vez melhor qualidade de imagens, justificou que o avanço da tecnologia não é uma concorrência para si, porque quem percebe realmente o valor de um fotógrafo consegue ver as diferenças significativas, a mesma acredita que cada um tem o seu papel no mercado.

“Existem realmente telemóveis excelentes que fazem ótimas fotos, tal como existem câmeras fotográficas que fazem também, mas não adianta nós termos um telemóvel com boa qualidade de imagem e não saber tirar fotos, ou ter uma boa máquina fotográfica e não ter uma visão artística de um fotógrafo. Acredito que é isso que distingue estas duas vertentes. Para mim ter famílias no meu estúdio, criar aquela conexão e momentos de partilha que possam ficar registados numa fotografia de qualidade, é muito importante” afirma.

Para Helga Correia a inspiração é algo que se trabalha, por exemplo, ao ver arte, imagens, natureza, filmes e trabalhos de outros fotógrafos. “Eu faço muita pesquisa e estudo, tento sempre estar atenta às novas tendências, acredito que a inspiração se cria de vários sítios, mas é claro, tem o teu toque especial, a tua experiência e tudo aquilo que tem a ver com a tua história no mundo da fotografia”.

Para além de fotógrafa, Helga Correia é professora de profissão, natural de Portugal, veio para Cabo Verde há 20 anos para lecionar a disciplina matemática, e foi no arquipélago que despertou o gosto pela fotografia, explorando várias vertentes, mas diz que com o tempo acabou por descobrir o amor em fotografar grávidas e recém-nascidos.

 

 

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