Maria Mendes eterniza memórias olfativas da infância com perfumes com aroma a Cabo Verde

Maria Mendes é uma descendente de cabo-verdianos que vive na Itália e é fundadora de uma marca de perfumes desenvolvidos a partir da mistura de ervas e flores típicas de Cabo Verde.

Em entrevista ao Balai, a empreendedora que é filha de mãe cabo-verdiana e pai italiano, conta como decidiu criar uma linha de perfumes cabo-verdiana que traduz o sentimento que guarda dos momentos em que vinha passar as férias ao lado da família materna, na cidade da Praia, durante a infância.

Tudo começou em 2020 quando Maria Mendes, formada em Economia e Finanças, decidiu mudar de rumo e arriscar na indústria de fragrâncias. Uma paixão despertada desde tenra idade pelas flores e perfumes e que se tornou num negócio a partir do momento em que quis fazer algo original por Cabo Verde.

“Na altura estávamos em plena pandemia (covid-19) e tivemos que dar uma pausa no projeto, mas já tínhamos os estudos feitos, o que permitiu-nos trabalhar mais na ideia até conseguir implementá-la um ano depois”, conta sobre os primeiros passos na criação da linha que contou com o apoio de um profissional de perfumaria italiano, na criação das fragrâncias, que apesar de serem todas com plantas e flores típicas do território cabo-verdiano, são produzidas na Itália.

“Em 2021 trouxemos para o mercado o primeiro perfume, ao qual demos o nome de Alma, que como os outros que vieram a seguir, é composto por aromas de diferentes tipos de plantas de diferentes regiões de Cabo Verde”, explica sobre os processos de produção que permitem captar o aroma das plantas e gerar uma fragrância, que como defende a empreendedora, não provoca um impacto ambiental de forma agressiva.

Questionada sobre a razão do nome dado à marca, Água de Cabo Verde, Maria explica que o nome carrega um valor afetivo, uma vez que toda a razão por detrás da iniciativa deve-se às memórias olfativas que a mesma guarda da sua infância nos períodos em que vinha passar as férias no país.

“Após as férias, sempre voltava para a Itália com uma garrafa cheia de água do mar para a usar quando brincava. Para mim, aquilo era uma forma de levar Cabo Verde comigo e preservar as boas memórias, por isso o nome de Água de Cabo Verde”, revela.

Por conta disso, a empreendedora explica que as quatro fragrâncias desenvolvidas pela marca até agora, possuem um cheiro específico que vai ao encontro do nome escolhido para cada um e que traduzem os sentimentos despertados quando se lembra do arquipélago. Ao todo trata-se de três perfumes e um ambientador.

Para a empreendedora, os primeiros anos de atuação no mercado nacional foram desafiantes, uma vez que sentiu a necessidade de dar maior visibilidade à iniciativa e fazer com que as pessoas se habituem ao facto de terem uma marca de perfumes nacionais.

“Com o tempo, tivemos feedback positivo por parte dos cabo-verdianos no país e na diáspora e também de pessoas de outras nacionalidades, tanto africanas como europeias, o que me deixou bastante orgulhosa, pois sempre quis fazer algo por Cabo Verde, principalmente no momento em que acompanhamos o seu desenvolvimento económico”, celebra.

Apesar da produção dos perfumes ser feita na Itália, a descendente cabo-verdiana realça que o objetivo sempre foi criar e desenvolver todo produto a partir de Cabo Verde, principalmente a comercialização do mesmo. Embora não tenham uma loja física no país, o que faz com que contem com parceiros de venda espalhados por algumas ilhas, além de Santiago, como Fogo, Sal, Boa Vista, e na maioria dos aeroportos do país.

Ainda sobre os desafios, a empreendedora que também possui um negócio de estalagem na Itália, realça as barreiras impostas pela distância, que segundo conta, dificulta o avanço do negócio em Cabo Verde que ainda necessita da sua presença constante.

“Um dos meus grandes sonhos é contar com uma equipa interna engajada para que possa ter mais cabeças envolvidas e motivadas a impulsionar a marca” , aponta.

Além de uma equipa, Maria partilha o interesse em criar um mini laboratório onde possa permitir às pessoas conhecerem de perto os processos de criação de um perfume.

A longo prazo, a empreendedora manifesta a intenção de criar mais duas essências com outros elementos naturais e como um plano maior de abrir lojas próprias da Água de Cabo Verde em diferentes pontos do país.

Enquanto filha de cabo-verdiana nascida num país estrangeiro e que teve a oportunidade de criar laços com as origens crioulas, Maria Mendes apela aos filhos da diáspora a investirem nos negócios em Cabo Verde.

Para a entrevistada, a partilha de conhecimento entre quem vive fora e quem vive no país é o primeiro passo para impulsionar o avanço do país com a criação de projetos que contribuam para a economia.

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