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O atleta de 39 anos é o jogador nacional com mais internacionalizações, segundo dados avançados na cerimónia de despedida da seleção.

Depois do anúncio da sua retirada da seleção nacional de basquetebol na semana passada, a cerimónia de despedida do capitão Fidel Mendonça teve lugar nesta terça-feira, dia 3 de outubro, na cidade da Praia e contou com a presença do Presidente da República, José Maria Neves, do selecionador nacional de basquetebol, Emanuel Trovoada, bem como de outras personalidades que acompanharam o jogador durante o seu percurso profissional e de familiares e amigos.
Um dos pontos altos da cerimónia foi a apresentação pelo jornalista desportivo Marcos Fonseca de alguns dados sobre o percurso profissional do capitão que é o jogador mais internacional de todas as modalidades de Cabo Verde.
Fonseca recordou que o número 7 da seleção fez a sua estreia há 17 anos na equipa nacional a 8 de outubro de 2006 nos primeiros jogos da Lusofonia em Macau, curiosamente sob o comando do selecionador Emanuel Trovoada ao lado do qual Fidel também terminou o seu percurso nos Tubarões Azuis tendo o último jogo com a camisola de Cabo Verde acontecido no Mundial 2023 contra a equipa anfitriã, o Japão, a 2 de setembro.
“Fidel é o único basquetebolista que já disputou todo o tipo de competições que Cabo Verde já disputou no basquetebol”, lembrou o jornalista mediante os aplausos da plateia. Já enfrentou seleções e equipas de todos os continentes, acrescentou Marcos Fonseca, sendo 20 delas africanas, sendo Angola e Senegal as equipas que enfrentou mais vezes.
No total foram 80 internacionalizaçōes, número que faz do Fidel o atleta que mais vezes já entrou em campo para representar Cabo Verde de todas as modalidades, sendo mais de mil minutos a jogar com a camisola numero 7 e mais de 500 pontos marcados, faltando ainda dados de 16 jogos, avançou a mesma fonte.
Um grande espírito de liderança, um profissional que respeita o treinador e os colegas, detentor de uma confiança louvável, capaz e trabalhador foram algumas das características do jogador enaltecidas por Hélio Varela, antigo treinador do Fidel na equipa do Bairro, que nas palavras de Varela representa o “ ideário do cabo-verdiano”. “ No ano em que ele entrou para o Bairro (2011) ganhámos tudo”, recordou o antigo técnico.
“Não gosto desta história de despedida. O Fidel fez um estágio como jogador, agora é que o Fidel vai brilhar. Estas características que vimos no desportista agora imaginem como dirigente”, afirmou Varela.
Visivelmente emocionado, Fidel Mendonça afirmou, em tom de brincadeira, que estava a ser mais difícil enfrentar a plateia no momento da despedida do que no último jogo contra o Japão. “Uma grande mensagem que tenho procurado deixar ao longo de toda a minha vida: o mais importante é acreditar”.
Lembrando que chegar à seleção sempre foi um grande objetivo pessoal, Mendonça não conteve as lágrimas ao falar dos pais “sem os quais não seria possível chegar onde chegou” e enalteceu a importância da família. “Não há ninguém que viva numa zona de subúrbio que consiga sobreviver se não tiver uma educação forte como a que os meus pais me deram. Se hoje estou aqui (…) Os verdadeiros capitães são os meus pais”, afirmou e lembrou a importância de “boa educação” para a construção de uma sociedade melhor e de bons profissionais.
O jogador também abordou com orgulho o percurso da seleção até chegar no Mundial 2023, como última do ranking, mas onde, no entender do capitão, Cabo Verde teve uma excelente prestação e fez a sua primeira vitória num Mundial (contra a Venezuela). “Foi um grande sucesso a nossa participação no Mundial”, disse e lembrou que o país ficou em 28º lugar do ranking, entre 32 seleções, fazendo assim história por ser o melhor lugar da seleção nacional até então na modalidade.
À seleção nacional de Basquetebol fica a faltar apenas uma participação nos Jogos Olímpicos, um sonho que Fidel esperava conseguir. Mendonça explicou que a sua saída da seleção tinha sido ponderada ainda antes da partida para o Mundial já que o basquetebolista decidiu que só faria sentido continuar se Cabo Verde conseguisse o apuramento para os Jogos Olímpicos, que são a única prova oficial da FIBA que ainda falta à seleção. Não tendo sido possível, o jogador acredita que chegou ao fim uma etapa e ele, enquanto capitão deve dar o exemplo e se retirar. “Este é o grande motivo da minha retirada da seleção para que comece um novo ciclo com novas lideranças”, explicou o jogador para garantir de seguida que apesar de “ sair do campo não vai sair do jogo” (parafraseando Zé de Maio).
Quanto a projetos futuros, o capitão garantiu que vai continuar ligado ao basquetebol e que vai dar continuidade à Fundação que lançou este ano e que tem como objetivo criar mais “ Fidéis” e passar mensagens positivas aos “jovens e crianças dos subúrbios que não acreditam que um dia podem chegar ao Mundial ou a qualquer área de vida”. “ É possível sim, devemos acreditar que há sempre uma janela de oportunidade”.


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