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Em Angola, mulheres recorrem às chamadas “jardas” para aumentar os glúteos e as ancas. Médicos alertam para complicações graves, falência de órgãos e até mortes associadas ao uso clandestino destas ampolas.

É um contraste grande. Se, por um lado, há quem não tenha dinheiro para uma alimentação saudável, por outro, há quem pague caro por padrões de beleza que podem ser bastante perigosos.
Em Angola, aumentam os relatos de complicações e até de mortes associadas às chamadas “jardas” – ampolas com hormonas e outras substâncias usadas, muitas vezes, de forma clandestina, para aumentar o volume dos glúteos e das ancas.
Médicos alertam que a situação começa a ser um problema de saúde pública. Uma especialista ouvida pela DW diz mesmo que recorrer às jardas pode ser o equivalente a assinar a própria sentença de morte.
A médica Flora Jonas conta que já atendeu pacientes que usaram mais de 10 mil ampolas para aumentar o volume dos glúteos e das ancas. Dez mil. É um número que parece impossível, mas que, segundo a especialista, revela bem até onde algumas mulheres estão dispostas a ir na busca pelo corpo ideal.
“Já viste 10 mil ampolas no nosso organismo? É uma sobrecarga terrível. Como é que alguém está sã e vai fazer mais de 10 mil ampolas porque quer ter o corpo avantajado? Isto é pegar na esferográfica e assinar a sentença da morte”, alerta a médica Flora Jonas.
Flora Jonas está bastante preocupada com a situação. A médica diz que já recebeu, no seu escritório, pacientes entre os 13 e os 67 anos por causa de complicações associadas ao uso das “jardas”.
A pressão dos padrões de beleza
Mas a pressão para corresponder a determinados padrões de beleza continua a ser grande, afirma Amadeu de Lucas.
Segundo o académico e ativista dos direitos humanos, a procura pelas “jardas” não é só uma questão de autoestima; é também uma forma de busca por aceitação e integração em determinados círculos.
“Hoje por hoje, as mulheres, de facto, não vão buscar a aplicação da jarda como uma via para ter um corpo perfeito para o seu esposo; é sobretudo por uma questão de exposição, é mesmo por uma questão de aceitação social”, afirma Amadeu de Lucas.
A imagem do corpo considerado perfeito é frequentemente construída nas redes sociais, que alimentam comparações e onde se definem padrões de beleza muitas vezes difíceis de alcançar.
A médica obstetra Flora Jonas explica que muitas das mulheres que recorrem às jardas dizem fazê-lo por não se sentirem confortáveis com a sua própria aparência e por acreditarem que, se transformarem o corpo, ficarão mais confiantes e terão maior reconhecimento social.
Mas Flora Jonas reforça o alerta: O preço dessa procura pelo corpo ideal pode ser muito caro.
“As mulheres devem cuidar das hormonas, porque as hormonas no nosso organismo são muito importantes”, adverte Flora Jonas.
A lista de possíveis complicações para a saúde é extensa: desde infeções e problemas hormonais, a necroses ou falências de órgãos.
“É bem verdade que a jarda já não sai, a jarda fica no organismo. O que nós fazemos aqui é desintoxicar, mas quando a pessoa pica, bloqueia as artérias, porque elas metem muitas quantidades. E a jarda pode levar a falência no rim e dá problema nos órgãos internos”, explica a médica Flora Jonas.
Em último caso, a procura do corpo considerado perfeito pode terminar em morte.










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