Regresso às aulas: Dicas da nutricionista Janete Évora para lanche das crianças

Após um ano e meio de suspensão devido à pandemia da covid-19, arrancou nesta segunda-feira, 13, o novo ano letivo em regime presencial. Com o início das aulas, os pais e encarregados de educação têm uma série de preocupações, uma delas é o que colocar nas lancheiras das crianças. O Balai esteve à conversa com a nutricionista mindelense Janete Évora que dá dicas importantes sobre lanches saudáveis e enfatiza que é importante que a criança participe no processo de preparação da lancheira.

O mês de setembro marca o regresso às aulas com as quais surge o desafio de preparar lanches saudáveis como forma de garantir que crianças possam ter energia que lhes permitam brincar e aprender.

De acordo com Janete Évora, nutricionista especialista em Nutrição Pediátrica, o lanche escolar deve ser nutricionalmente equilibrado, simples e funcional para que a criança fique mais concentrado e produza melhor.

“Deve-se priorizar sempre os alimentos “in natura” ou seja na sua forma mais natural possível, evitando industrializados. As frutas são assim boas escolhas. Sendo ainda ricas em vitaminas e sais minerais. Para crianças mais pequenas caso os pais desejem enviar a fruta em porções (já cortado), pode-se passa-las por água com gotas de limão para evitar o escurecimento que ocorre por exemplo na maçã”.

Alimentos que possuem corantes, conservantes, excesso de sódio e gordura saturada, refrigerantes, sumos de fazer em água (pacotinho), bolachas recheadas, bolos com recheio, achocolatados, sumos de “fruta” industrializados, preparações fritas, (…), são alguns dos alimentos que segundo a nutricionista devem ser evitados ou até abolidos da alimentação das crianças.

As oleaginosas como amêndoa, noz, avelã e amendoim são alguns dos alimentos que são esquecidos e que a nutricionista recomenda nos lanches das crianças. “Devem ser naturais e sem sal adicionados. E ainda, até os 3 anos, é preferível oferecê-las trituradas ou moídas para evitar o risco de asfixia. Elas potencializam a memória, a aprendizagem e a velocidade das tarefas cognitivas. Em relação aos benefícios para o sistema imunológico, elas são ricas em vitamina E, selênio e magnésio, que contribuem para combater as infeções causadas por vírus, bactérias etc”.

Sugestões de lanches saudáveis

 

• Sanduiche de pão integral (recheio salgado – queijo de terra; recheio doce – creme de mancarra e banana em rodelas);

• Iogurte líquido (sabor natural não tem corantes) + porção de frutas + porção de mancarra ou nozes, amêndoas.

• Mini – panquecas de aveia e banana + porção de queijo.

• Bolacha de trigo integral + leite meio gordo de caixinha.

• E nunca esquecer de algum líquido sem a adição de açúcar como água, água de coco e chás.

No que se refere ao horário para a preparação da lancheira, diz que depende da rotina familiar, mas recomenda que não seja muito afastado do horário que a criança vai consumir o lanche, para evitar a proliferação de bactérias ou oxidação das frutas.

A nutricionista enfatiza que é importante que a criança participe no processo de preparação da lancheira. “Crianças que cozinham ou ajudam no preparo das refeições se alimentam melhor”.

Em relação à conservação dos alimentos na lancheira, Janete diz que os pais devem dar preferência as lancheiras térmicas. Os lanches devem ser colocados em potes de plásticos com tampa. Além disso a higienização da própria lancheira deve ser feita diariamente com água e álcool 70% e semanalmente deve ser lavada com água e detergente.

Criar hábitos saudáveis de alimentação

 

De acordo com a OMS, se nenhuma medida for tomada, o número de crianças com sobrepeso e obesidade pode chegar aos 75 milhões no mundo.

Segundo a nutricionista Janete Évora, em Cabo Verde ainda não há estudos nessa área, mas aconselha que se criem hábitos saudáveis de alimentação nas crianças desde tenra idade, como forma de garantir um desenvolvimento adequado e prevenir-se da obesidade.

“Os hábitos saudáveis na alimentação devem ser iniciados com a amamentação exclusiva (sempre que possível), passando pela introdução alimentar correta, com uma alimentação balanceada, rica em frutas, legumes, verduras. Evitar dar doces antes dos 2 nos de vida (refiro-me não só a adição do açúcar como evitar alimentos que tenha ‘açúcar escondido’ ou seja sob outros nomes como sacarose, glicose, frutose, dextrose, maltodextrina etc.)”.

A nutricionista realça ainda que deve-se também respeitar os horários das refeições (não beliscar guloseimas entre um intervalo e outro), evitando alimentos gordurosos, frituras e refrigerantes. “O alimento saudável deve ser inserido de uma forma prática na alimentação da família, gerando nas crianças memorias afetivas positivas relacionadas aos alimentos certos”.

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