
A energia não pesa no bolso. Mas alguém está a pagar
O combustível voltou a disparar. E, mais uma vez, o Estado entra em cena para impedir que o choque chegue inteiro ao bolso das famílias.

O combustível voltou a disparar. E, mais uma vez, o Estado entra em cena para impedir que o choque chegue inteiro ao bolso das famílias.

Com a mudança do elenco governamental, é natural que se esperem ajustamentos em prioridades, orientações e definições estratégicas em vários setores. No entanto, no domínio da energia, importa distinguir entre mudança de ciclo político e continuidade de uma trajetória técnica que já se encontra em curso. É neste enquadramento que partilho o meu olhar sobre o setor energético em Cabo Verde.

Há uma pergunta que ainda paira, silenciosa e desafiadora, nos corredores das empresas, nos estaleiros de obra e até dentro das próprias casas: o que significa, afinal, ser mulher na engenharia e viver em plenitude?

Nos últimos meses, Cabo Verde tem assistido à inauguração de alguns sistemas inovadores conhecidos como BESS – Battery Energy Storage Systems, ou Sistemas de Armazenamento de Energia por Bateria.

Quando se fala em transição energética, a imagem que surge quase automaticamente é a de painéis solares a brilhar ao sol ou de aerogeradores a girar ao vento. Embora estas tecnologias sejam, de facto, pilares fundamentais da produção de energia renovável, reduzir a transição energética apenas à instalação de equipamentos é uma visão incompleta.

A época natalícia é sinónimo de luzes cintilantes, encontros em família e muita magia, especialmente para as crianças, que vivem esta fase do ano com entusiasmo redobrado. No entanto, este é também um período em que o consumo de energia tende a aumentar significativamente. Entre iluminações, eletrodomésticos em uso mais frequente e atividades festivas, a conta de luz pode subir sem que nos apercebamos.

Em Cabo Verde, o sucesso de um sistema solar doméstico não está em vender energia à rede, mas em aproveitar cada raio de sol dentro de casa.

Os recentes episódios de cortes de energia na cidade da Praia chamam a atenção para um desafio estrutural do setor elétrico cabo-verdiano: a necessidade de equilibrar o crescimento das energias renováveis com a robustez e fiabilidade da base térmica. A transição energética é, sem dúvida, um objetivo estratégico para o país, mas a sua concretização exige realismo técnico, planeamento integrado e visão de longo prazo.
As alterações climáticas deixaram de ser uma ameaça distante para se tornarem uma realidade concreta, com impactos devastadores em comunidades por todo o mundo. O recente episódio em São Vicente, onde chuvas intensas e inesperadas provocaram inundações, perdas humanas e materiais, expôs de forma dolorosa as vulnerabilidades das nossas cidades face a fenómenos extremos cada vez mais frequentes.

Nos últimos dias, a cidade da Praia voltou a enfrentar cortes no fornecimento de energia elétrica — um episódio que, para muitos, traz à memória tempos de incerteza e desconforto. As consequências fazem-se sentir em várias frentes: estabelecimentos comerciais parados, pequenos negócios interrompidas, equipamentos domésticos desligados e um calor intenso que se torna ainda mais difícil de suportar, sobretudo para idosos e crianças.

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