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A transição energética em Cabo Verde entrou numa fase particularmente determinante. Já não estamos no momento de definir visão ou de lançar intenções estratégicas. Estamos, de forma clara, numa etapa de execução, consolidação e maturação de projetos estruturantes para o setor.
Ao longo dos últimos anos, o país tem vindo a construir um pipeline relevante de iniciativas no domínio energético, com especial destaque para a expansão da capacidade renovável, a modernização progressiva das infraestruturas elétricas e o reforço da resiliência do sistema. Trata-se de um conjunto de investimentos e intervenções que, no seu todo, representam uma mudança estrutural em curso — e não apenas um conjunto de projetos isolados.
Neste contexto, importa afirmar com clareza: o principal desafio do setor já não é a falta de planeamento. É a capacidade de execução consistente.
Em sistemas energéticos insulares, como o de Cabo Verde, a complexidade técnica é elevada e os riscos de fragmentação entre fases de planeamento, financiamento, implementação e operação são particularmente críticos. Sempre que existe descontinuidade neste ciclo, perde-se eficiência, aumentam-se custos e, sobretudo, compromete-se o impacto esperado dos investimentos realizados.
É por isso que, no atual momento, a prioridade estratégica deve ser inequívoca: garantir continuidade, coerência e disciplina na execução dos projetos já iniciados. Não se trata de reduzir ambição — trata-se de assegurar que a ambição se concretiza.
A expansão das energias renováveis, em particular da energia solar fotovoltaica, é hoje um dos pilares centrais desta transformação. No entanto, o aumento da capacidade instalada só produz o impacto desejado quando acompanhado por sistemas de rede mais robustos, maior capacidade de armazenamento e soluções de gestão inteligente da produção e do consumo. Sem este equilíbrio, o sistema torna-se tecnicamente mais exigente e menos eficiente.
A modernização da rede elétrica e a integração de soluções de armazenamento deixam, por isso, de ser opções complementares para passarem a ser condições estruturais do sucesso da transição energética.
Paralelamente, a eficiência energética continua a ser uma das áreas com maior racionalidade económica e maior potencial de impacto imediato. Em muitos casos, os ganhos obtidos através da redução de perdas e da otimização de consumos têm um retorno mais rápido e mais previsível do que novos investimentos em capacidade instalada. Ainda assim, esta continua a ser uma dimensão frequentemente subvalorizada na prática.
Outro vetor relevante é a diversificação progressiva das soluções energéticas, incluindo projetos de mobilidade elétrica e sistemas híbridos adaptados à realidade insular. Estas iniciativas devem ser encaradas com pragmatismo técnico, assegurando sempre viabilidade, escalabilidade e integração com o sistema existente.
O ponto central, contudo, permanece inalterado: Cabo Verde já não está na fase de definição da transição energética. Está na fase de a executar.
E é precisamente por isso que o fator crítico de sucesso deixou de ser a formulação de novas estratégias e passou a ser a capacidade de dar continuidade às que já estão em curso, com estabilidade institucional, rigor técnico e consistência na implementação.
No setor energético, a experiência internacional demonstra de forma clara que os resultados mais relevantes não dependem apenas da ambição dos planos, mas da disciplina com que são executados ao longo do tempo.
Cabo Verde tem hoje a oportunidade de consolidar um percurso já iniciado. O verdadeiro desafio não é recomeçar — é concluir bem o que já começou.

Mãe, esposa, engenheira e empresária. Especialista em Energias Renováveis e Eficiência Energética, tem uma vasta experiência no setor energético e um forte compromisso com a sustentabilidade. Apaixonada pelo desenvolvimento do setor em Cabo Verde, é também uma entusiasta das questões de género, acredita na importância da participação ativa das mulheres na transição energética e procura incentivar essa inclusão







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