Comunidade, o local onde todos nos encontramos

Diz o ditado: “É preciso uma aldeia para se educar uma criança.” À medida que o conceito físico de aldeia desaparece, mantém-se vivo e, cada vez mais presente, o conceito de comunidade, já não só usado para reconhecer um espaço, mas como um tema onde um grupo de pessoas se identifica e pode conectar-se para obter mais conhecimentos e crescer. Por isso, é que cada vez mais as empresas apostam na criação de comunidades que falem a língua dos seus produtos.
Imagem@cedida por We Care

O que é efetivamente a comunidade, senão um grupo de pessoas com um conjunto de
valores e crenças em comum?

No empreendedorismo social, o conceito de comunidade ainda é tribal. “Nha zona” é muitas vezes o local onde nascem os projetos sociais que são reflexo daquilo que a comunidade mais precisa, como trazer sorrisos às suas crianças (O Caminho da felicidade do Maracanã), ou simplesmente fornecer serviços de primeira necessidade.

A comunidade é o espaço (físico ou não) onde todos reconhecemos o nosso local de pertença. As comunidades fortes conseguem transmitir mensagens de empoderamento e, com frequência, direcionam essas mensagens para os mais jovens, aqueles que mais precisam de modelos positivos e orientação.

Uma comunidade forte é especialmente capaz de colocar os seus valores ao serviço da
formação de jovens e é desta capacidade que nasce a grande maioria dos projetos sociais. Com o empreendedorismo social, muitas vezes voltamos à base de todas as coisas: mais do que termos a possibilidade de nos conectar a qualquer hora, é preciso que realmente nos consigamos ligar no sentido de criarmos uma perspetiva de partilha de grupo.

É lá onde é proporcionado um ambiente seguro (muitas vezes, apenas psicologicamente) onde os indivíduos se sentem valorizados, compreendidos, inseridos, vistos. O empreendedorismo social tem especial impacto nestes locais onde a experiência é compartilhada e onde a diversidade de perspetivas enriquece o tecido social.

O facto de as comunidades aceitarem naturalmente quem a elas pertence, permite o
fortalecimento da resiliência para enfrentar desafios e persistir na procura de soluções
inovadoras para os seus problemas sociais. O segredo está nos indivíduos serem vistos como o grupo e as suas características serem apoiadas pelo conjunto.

É isto que temos de aprender com as comunidades: são organizações que agem sobre a transformação positiva motivada pelo destaque daquilo que elas melhor têm, as pessoas e a sua capacidade de partilha. Através desta perspetiva, cria-se a oportunidade da mudança ser encarada como um ato de libertação e não como a imposição unilateral.

“Nha zona” é, por si só, uma expressão de identificação: eu sou como as pessoas da minha zona. Agora imaginemos que esta “nha zona” refere-se a um espaço de grande dinamismo e expressão comunitária, onde os jovens são formados pelos mais velhos e os anciãos são
cuidados pelos mais novos, num sistema de partilha circular. Então “nha zona” seria o local
ideal, a que todos gostaríamos de pertencer, nos identificar e ser identificados 

Susana Duarte

Susana Duarte

Gestora da Comunidade WeCare, empreendedora social e criadora de narrativas. A WeCare é uma empresa social que colabora maioritariamente com Organizações não Governamentais como forma de encontrar financiamento para as suas atividades dedicadas ao impacto social e formação para a obtenção dos objectivos do milénio.

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