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A Zona Económica Exclusiva (ZEE) de Cabo Verde cobre cerca de 700 mil km², um dos maiores ativos naturais do país. Este território marítimo abriga uma diversidade biológica e ecológica valiosa, com potencial para gerar riqueza nas seguintes áreas:
Portanto, Cabo Verde está numa posição privilegiada para transformar esse potencial num novo ciclo de crescimento económico com impactos positivos na criação de emprego, na diversificação da economia e na transição para uma economia de baixo carbono. Neste sentido, para que tenha vantagem competitiva e comparativa, a visão estratégica para os próximos 50 anos deve assentar em três eixos fundamentais:
Investimentos em portos modernos, centros logísticos oceânicos, sistemas de monitorização ambiental e infraestruturas de apoio à pesca e aquicultura serão cruciais. A conectividade marítima regional e internacional deve ser priorizada como vetor de integração e comércio.
Será necessário fortalecer a governança oceânica com uma legislação moderna, transparente e favorável ao investimento. Isso inclui a revisão e implementação de políticas como o Plano Nacional de Investimento da Economia Azul e a Estratégia Nacional para o Mar, garantindo articulação com os ODS e a Agenda 2063 da União Africana.
Investir no conhecimento marítimo, na literacia oceânica e na formação técnica e científica, por meio de universidades, centros de investigação e parcerias internacionais. A criação de um Centro de Inovação e Observação Oceânica de Cabo Verde pode posicionar o país como polo regional de ciência azul.
Apesar do enorme potencial, os desafios são reais: falta de financiamento, escassez de dados oceânicos, pressões ambientais, pesca ilegal, ausência de coordenação interinstitucional e baixa atratividade para investimento privado. No entanto, as oportunidades são maiores quando se aposta numa abordagem integrada e baseada em conhecimento, governança e cooperação internacional. Cabo Verde pode liderar a agenda da Economia Azul em África, especialmente no contexto da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA).
Assim sendo, a Economia Azul deve ser encarada como uma prioridade nacional nos próximos 50 anos de Nação Independente, sendo incorporada nos planos estratégicos de médio e longo prazo, com visão sistémica e intergeracional. O mar é o nosso maior património natural e geoestratégico. Transformá-lo em motor de desenvolvimento sustentável é não apenas uma opção, mas uma missão de soberania e de futuro.

"Economista, consultor e funcionário público. Além do seu trabalho profissional, Carlos Bentub é pai, amigo, sorriso fácil, aventureiro e preocupado com questões sociais e ambientais. Para ele, a diferença entre o possível e o impossível está no limite de cada ser humano."







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