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Esta pesquisa fez-me pensar como é que os produtos dos nossos escritores são distribuídos no estrangeiro, nesse caso concretamente em Portugal? Não podemos dizer que não encontramos alguns autores nas grandes superfícies, mas o problema é a divulgação, fazer saber que os produtos estão cá. Muitas vezes vejo pedidos no Facebook de pessoas querendo um livro de um autor cabo-verdiano que não encontram cá. Têm de pedir a familiares e amigos que estão na terra para os enviar.
Na procura pelo livro da cantora Celina Pereira fiquei a saber que estão disponíveis na Wook e na Bertrand, mas não se encontram exemplares do “Estória, estória…do tambor a Blimund”, que era o que o meu amigo queria. É um legado que precisamos preservar e passar para as gerações mais novas.
Os nossos artistas precisam e merecem ter um lugar para chamarem de “seu”, para verem os seus trabalhos divulgados. Não falo só de escritores, os músicos também precisam de um espaço para venderem os seus CDs. Apesar que hoje em dia são usadas mais as plataformas digitais para divulgar as suas músicas, muitas pessoas gostam de ter um produto físico. Nós, o público, também precisamos de um lugar onde possamos encontrar os trabalhos.
Os nossos artistas precisam e merecem ter um lugar para chamarem de “seu”, para verem os seus trabalhos divulgados.
Porque é que em Portugal não temos uma loja física que venda os trabalhos dos nossos artistas? Bom que eu saiba não há. Agora lembrei-me que temos um Centro Cultural de Cabo Verde em Lisboa, e que poderia ser usado também para a divulgação/venda de CDs e livros. Segundo o artigo “Primeiro centro cultural de um país africano na Europa: Cabo Verde em Lisboa”, publicado no site DW, existe um piso, que para além de albergar exposições permanentes, é para dar visibilidade aos lançamentos que se fazem em Cabo Verde de livros e CDs. Se já existe é preciso aproveitar para divulgar e vender os trabalhos dos nossos artistas no espaço. Era ter um espaço permanente com produtos da terra, não só no dia do lançamento do produto.
Qual é o apoio que os nossos artistas recebem de Cabo Verde? Qual é o reconhecimento, de preferência em vida, que eles recebem? Como podemos mudar a perceção de que os artistas precisam ser só agraciados após a morte? Já viram a quantidade de homenagens que um artista recebe quando morre? Mesmo quando estão vivos, muitas vezes, recebem mais homenagens dos países de acolhimento do que o próprio país de origem. Tem algum sentido?
Não podia deixar de falar das editoras que fazem a publicação dos trabalhos dos artistas. Como é feita esta divulgação? Um dia de lançamento e depois deixar nas prateleiras e, se deixar? Esta pergunta remete-me ao início do texto, do meu amigo que procurava um livro.
Sem esquecer que há muitos artistas pouco conhecidos pelo grande público, e não encontramos os seus trabalhos expostos. Ok, pode não ser numa grande superfície, mas num espaço que divulgasse os trabalhos dos nossos artistas que vivem cá em Portugal, por exemplo, e os que estão na terra também. Volto ao que sugeri acima: usar o CCV para divulgar/vender os trabalhos.
é preciso aguçar a curiosidade e o apetite para consumir mais produtos dos nossos artistas.
Outro ponto que não posso deixar de tocar é que muitas vezes acontecem eventos e os Cabo-Verdianos nem sabem que acontecem. Porquê não divulgar nos bairros, nas associações de cada zona? Usar só a internet para divulgar, vai ter muita informação que não chegará a todos. Tudo é uma questão de divulgação, e de incentivar a ter um espaço com os nossos produtos.
Se não comunicarmos/divulgarmos não saberemos o que o nosso mercado cabo-verdiano tem, é preciso aguçar a curiosidade e o apetite para consumir mais produtos dos nossos artistas. Devemos aproveitar que a nossa literatura, a música, a nossa cultura em geral, já tem uma boa visibilidade no mundo e continuar a oferecer mais e mais.

"Nascida e criada na ilha do Monte Cara, ganhou asas para o mundo. É Jornalista de formação pela UERJ, Brasil. Adora viajar, ler, ir ao cinema, ao teatro e estar com as pessoas que ama. Atualmente vive em Lisboa, é colunista na Revista Brasileira "Coluna de Terça''e é mãe de duas princesas Luso-Caboverdianas."







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