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Medida Provisória, Lázaro Ramos
O filme de estreia de Lázaro Ramos como realizador (com uma maturidade fílmica bem competente) gerou uma onda de fogosos panegíricos pela critica internacional, até epitetado como “melhor filme brasileiro depois da Cidade de Deus” é uma experiência de ficcionalidade distópica muito interessante tematicamente, mas que a meu ver possui algumas arestas anti-catárticas (sobretudo nas cenas (todas) de perseguição e no desfecho) bem como na forma tímida e pouco “espetaculosa” como desenvolve a problemática da higienização numa escala mais global.
Primavera, Verão, Outono, Inverno e Primavera…, Kim KI-Duk
Uma dás pérolas do cinema sul-coreano, este é um arrebatador exercício de visualidade. Existe neste filme algo mais do que a mera e conhecida fabulação mestre-discípulo, que é o continuado arrebatamento poético da envolvência pictórica de toda a locação cénica. A magnitude do filme confirma-se na simplicidade do seu realismo fotográfico contemplativo, que torna imersiva uma narrativa sobre a circularidade da vida e do tempo, e uns quantos mais preceitos de uma orientalidade que nos escapa. O único senão é sermos (eu pelo menos) furtados às simbologias que com certeza escalariam a apreciação a um nível ainda mais alto!
A Orfã – A origem, William Brent Bell
11 anos depois do primeiro ter conquistado um bom hype por causa do burburinho pelo plot twist interessante eis que se lembraram de espremer mais sumo da pouca fruta.. uma prequela que tem um roteiro com tantos furos e patadas que acabam por ser o verdadeiro terror que ali se encontra…Bom, há uma reviravolta lá pelo meio que vem quieto e de rasteira, mas não o sol suficiente para a peneira… e … eita título mentiroso … de 1st kill nao tem nada.
Thor love and thunder, Taika Waititi
A coisa que vale é que ele mesmo não se leva a sério. E é tudo o que precisamos de fazer para aguentar até ao fim. Christian Bale tentou, tentou e depois desistiu quando entendeu em que filme estava. Taika tinha salvado Thor em Ragnarok aqui certamente deu-lhe um pontapé. Se era para rir dos bodes, confesso, eu ri dos bodes. okey, confesso, eu ri todas as vezes!
Boa Noite Mommy, Veronika Franz, Severin Fiala
Este é o típico filme polarizador. Há quem se sinta idiotizado porque se por um lado é muito rápido desvendar o véu maior da trama… há, do outro lado, a possibilidade da dúvida e de se deixar a curtir aquilo que é o apanágio deste filme: as sinuosidades da inversão antagonista, o mordiscar que faz com o fantasioso, os silêncios cismáticos que rebuscam o jogo sádico…
Boa Sorte Leo Grande, Sophie Hyde
O mais formidável deste filme é o quanto de muito está contido no pouco. É muito fácil passar despercebido (porque o desempenho interpretativo de Thompson e McCormack são hipnotizantes) mas é aplaudível a meticulosidade com que a direção artística faz do set pequeno (e quase único) um espaço para se que o Cinema diga do que é feito.

Art-(v)-ista cabo-verdiano e produtor cultural multidisciplinar. Dissidente. Criador de Futuros.







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