“Para o mundo é o meu pai, para mim é o meu mundo”

Esta é uma das famosas dedicatórias do dia do pai. O dia 19 de março marca esta data especial, convidando-nos a refletir sobre o papel desta importante figura, símbolo de força e dedicação.

Li algures que o dia do pai tem raízes históricas profundas, celebradas de formas distintas pelo mundo, mas com um propósito comum: reconhecer o impacto e o amor paternal.

Apesar da ideia do pai como heroi e protetor, a realidade nem sempre é cor-de-rosa. Infelizmente, muitos crescem sem a oportunidade de conhecer esta figura ou de cultivar esse vínculo. Outros, mesmo tendo um pai presente, lamentam a relação, marcada por ausências emocionais ou desilusões.

Mas, para aqueles que assumiram este papel com dignidade e amor, a nossa homenagem é mais do que merecida. Muitos, na luta por proporcionar uma vida melhor aos filhos, tiveram que se ausentar – uma realidade que grande parte de nós, cabo-verdianos, conhece bem. Há também aqueles que, no meio da batalha pela sobrevivência, partiram cedo deste mundo, deixando saudades eternas e memórias preciosas. A estes, tiramos o chapéu – não apenas hoje, mas sempre.

Ao escrever estas palavras, o meu coração aperta-se de saudades e lágrimas teimam em cair. Saudades de uma figura que, mesmo longe, nunca deixou de estar presente na vida dos seus filhos. Saudades de um pai que foi emigrante, mas sempre fazia questão de acompanhar cada passo dos seus filhos. Muitas vezes com conselhos duros que, na altura, criticávamos ao comparar com a desejável liberdade e autonomia que os colegas pareciam ter. Mas hoje, ao olhar para trás, só tenho a agradecer por ter tido um pai rigoroso – um bom “piloto no leme”, como nos lembrava a nossa mãe, sempre que nos queria chamar a atenção para as regras que o nosso pai ditava.

Hoje, olho para mim e para os meus irmãos e só tenho a agradecer pela força e determinação que nos representam. E, mesmo na eterna saudade, continuamos a seguir os conselhos que o pai nos deixou, passando também o seu legado para os nossos. Com o meu pai, aprendi que “somos os responsáveis pelas nossas ações”; “a família é a nossa maior riqueza”; “somos a nossa melhor companhia”;  “cada coisa tem o seu tempo”; “somos a energia que evocamos e o nosso pensamento tem grande poder”. 

Na verdade, as lições deixadas são inúmeras, muitas delas adquiridas nos últimos meses antes da sua partida, em observações e conversas de adulto para adulto. Mas uma das que mais gosto – e que o ouvia repetir sempre – é que “a vida é maravilhosa, mas temos de saber aproveitá-la”. E ao longo desta jornada, continua a ressoar em mim o facto de que, realmente, “a vida não precisa de ser perfeita para ser maravilhosa”. E assim, sigo agradecendo pelas oportunidades que me são dadas diariamente.

Não posso abraçar o meu pai hoje, mas agarro-me à memória da pessoa que ele foi e aos seus ensinamentos, que estão representados em mim e permitiram-me  transformar na pessoa que sou hoje.

Que todos os filhos possam ter a oportunidade de conhecer o seu pai e criar memórias significativas desta figura que se espera ser o provedor, aquele que cuida, protege –  um símbolo de segurança e confiança.

Que todos aqueles que experimentam “a condição de ser pai” – mesmo que não biológico – possam fazer jus ao que esta figura social representa. Que possam compartilhar a decisão de ter filhos e honrar, na plenitude, tudo o que este papel implica.

Que todos os filhos possam apresentar, com orgulho: “este é o meu pai”. Que, tal como eu, possam manter na memória este sentimento de que “para o mundo é o meu pai, para mim é o meu mundo”.

Feliz Dia do Pai!


Denizia Pinto

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Denízia Pinto

Denízia Pinto

Cabo-verdiana, com experiência internacional na área de promoção da saúde pública e mudança de comportamento social. Apaixonada por iniciativas que promovem hábitos saudáveis e impulsionam o desenvolvimento humano. Acredita no poder de pequenas ações para transformar comunidades e inspirar mudanças duradouras.

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