O outro lado da crítica 

Há uns anos, se alguém me dissesse que eu ia acordar às cinco da manhã para correr dez quilómetros, eu ria. Se me mostrassem uma pessoa a recusar um copo de vinho num jantar porque tinha um treino importante no dia seguinte, provavelmente pensaria: "Que exagero. A vida é para aproveitar."

Hoje sou essa pessoa.

E isso ensinou-me uma das maiores lições da vida: nunca devemos julgar aquilo que nunca vivemos.

É muito fácil emitir opiniões quando observamos a vida dos outros de fora. Criticamos escolhas, hábitos, prioridades e até sonhos sem fazermos ideia do que existe por trás de cada decisão. Julgamos quem acorda cedo, quem treina, quem abdica de certas coisas, quem muda de estilo de vida ou quem decide recomeçar.

Mas a verdade é simples: a perspetiva muda quando mudamos de lugar.

Só quem vive uma experiência compreende verdadeiramente o que ela exige, o que oferece e como transforma uma pessoa. Eu não sabia o prazer que existe em cruzar uma meta, a disciplina que nasce de um objetivo ou a paz que um treino pode trazer. Também não sabia que dizer “não” a um copo podia ser uma forma de dizer “sim” a algo maior.

Quantas vezes criticamos alguém apenas porque ainda não chegámos ao ponto onde essa pessoa está?

A vida tem uma forma curiosa de nos ensinar. Muitas vezes coloca-nos exatamente na posição que um dia apontámos com o dedo. Não como castigo, mas como oportunidade para crescermos, desenvolvermos empatia e aprendermos a olhar para os outros com menos julgamento.

Talvez todos ganhássemos mais se trocássemos a crítica pela curiosidade. Em vez de perguntar “Como é que alguém consegue viver assim?”, talvez devêssemos perguntar “O que é que essa pessoa descobriu que eu ainda não descobri?”

Porque ninguém sabe o caminho do outro. E a vida tem o hábito de nos surpreender.

Antes de julgares alguém, lembra-te: amanhã podes ser exatamente essa pessoa.

 

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Denise Fernandes Teixeira

Denise Fernandes Teixeira

É esposa e mãe licenciada em Marketing Turístico que começou a sua carreira profissional como jornalista. Foi assessora de comunicação e marketing numa instituição pública, mas a sua verdadeira paixão é a investigação criminal. Hoje é uma emigrante que se prepara para mudar totalmente de área - a advocacia.

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