Ainda Estou Aqui

O filme Ainda Estou Aqui mostra que a protagonista da história, no fim da vida, é diagnosticada com Alzheimer. E uma curiosidade: segundo ouvi num comentário de um youtuber, o nome do filme deve-se ao facto de, no final, a incrível Fernanda Montenegro, representando a protagonista com Alzheimer, fazer um olhar como se estivesse de volta por breves segundos.

Recentemente, tive contacto com alguém nesta situação e fiquei a pensar como a vida é misteriosa. Como se costuma dizer, todos vêem o início, mas não o fim. Vês aquela pessoa fisicamente bem apresentada, cheia de saúde, mas afinal aquela pessoa que conhecias já não está lá.

Não reconhece os filhos, amigos, a família, e nem se lembra de coisas básicas e recentes da sua história. Lembra-se de um passado mais antigo, em que talvez ainda era filha, criança — mas não se recorda da sua vida adulta, de tudo o que construiu, e dos amores mais importantes que teve.

Parece uma caixa vazia… e fico a pensar: será que é uma morte em vida? O que se passa dentro daquela cabeça a que já não conseguimos aceder? Será que, por breves momentos, ela volta a ser, a 100%, a pessoa que foi um dia?

Tal como no filme, ficas a pensar: uma pessoa cheia de histórias, lutas, sofrimentos, alegrias e vitórias… reduzida a quase nada. Histórias que passam a ser contadas por outros — aqueles que sofrem com essa partida, mesmo com o corpo ainda presente.

Lá está: como será a cabeça de quem ama e admira essa pessoa, vendo-a desaparecer diante dos seus olhos, sem poder fazer nada? Alguém disse-me uma vez que estava a velar a mãe em vida — e que aquela já não era a mãe que conheceu, cheia de vida.

Na minha opinião, a dor não é de quem parte, mas sim de quem fica — e é obrigado a lidar com a situação todos os dias, até que a presença física também desapareça.

Por isso, talvez o melhor seja mesmo dizer o quanto gostas da pessoa hoje, agradecer hoje, e fazer de todos os momentos algo especial — para que as lembranças felizes sejam o nosso combustível nos dias mais difíceis.

Sê uma boa pessoa, para que a tua ausência um dia seja sentida com saudade, mas também com alegria — e com o sentimento de que nada ficou por dizer ou fazer, nem com a vida nem com as pessoas que amas.


* Por Juebin Huang: A doença de Alzheimer é a perda progressiva da função mental, caracterizada pela degeneração do tecido do cérebro, incluindo a perda de células nervosas, a acumulação de uma proteína anormal chamada beta-amiloide e o desenvolvimento de tranças neurofibrilares.

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Iranita Andrade

Iranita Andrade

Profissional com competências em Comunicação, Marketing, Publicidade e Jornalismo. Mas a minha função principal é ser mãe … mãe de uma criança autista. Apaixonada por uma boa conversa e por aprender coisas novas.

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