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Mal sabemos que não há data marcada no futuro. Vivemos num mundo acelerado, a correr de um compromisso para o outro e responder urgências de trabalho. Estamos constantemente a projectar um futuro melhor e, nesta correria, os momentos do presente passam despercebidos.
Não paramos para pensar, mas o tempo mostra que cada dia é uma oportunidade única. Cada dia aproxima-nos de coisas que nem imaginamos, mas também pode afastar-nos do que é mais importante. Na busca do momento “certo” ou “especial” deixamos passar momentos que nunca mais voltam. Enquanto que para alguns, o fim chega de repente; para outros, o despertar de cada dia dá uma sensação de um amanhã garantido – mas, infelizmente, não é assim.
Talvez hoje seja o momento certo. Talvez os abraços que não demos hoje se tornem memórias ausentes amanhã. Mas ali, já não podemos retroceder, pois o tempo não espera e nem volta atrás. A psicologia comprova que o abraço é um gesto simples, mas com um poder transformador – uma forma singular de comunicar e que, sem precisar de palavras, transmite fortes emoções como amor, carinho, empatia, compreensão e segurança – o que pode salvar vidas, fortalecer laços e contribuir para o bem estar emocional.
Sobre isso tenho a contar sobre o último e mais demorado abraço que dei ao meu pai que partiu há sensivelmente três anos. Lembro-me bem daquele dia, saíamos da sua última consulta.Naquele dia, depois de receber os exames e conversar com a médica, o meu pai percebeu que os dias estavam a levá-lo para perto do fim e infelizmente, não haveria muito a fazer. Estávamos ali, (eu e o meu esposo), à sua espera, à porta do consultório. Olhámos todos um para o outro e abraçámo-nos demoradamente. No meio ao silêncio “ensurdecedor”, o meu pai disse: “Vou sentir tantas saudades vossas”. Ele não sabia – e talvez nunca pudesse imaginar – que a saudade eterna ficaria connosco.
Aquele abraço teve e tem um significado imensurável na minha vida e, agradeço diariamente por ter tido a oportunidade de dar aquele abraço quando mais importava – tanto para meu pai,que naquele momento vivia um turbilhão de emoções, quanto para mim que não sabia o que dizer. Como eu queria voltar ao tempo e abraçar-lhe mais, apertar-lhe forte e dizer o quanto ele faz falta na minha, nas nossas vidas. Mas, a memória que aquele abraço deixou enche o meu coração de gratidão. Hoje, consigo dizer que foi o mais importante abraço da minha vida.
Então, não adie, nem espere a data importante para abraçar, principalmente os seus pais, os seus irmãos, marido, mulher, namorado, namorada, os seus próximos e a quem ama, no geral. Não espere a tal data especial para demonstrar o quanto as pessoas que importam para si, são realmente importantes. E mais, nos dias de hoje, graças às novas tecnologias não há longitude (como dizia o meu pai) – não precisamos estar perto para abraçar. O abraço está nas palavras, no mostrar-se presente, nas atitudes positivas em relação ao outro, num gesto simples de carinho e até num simples “bom dia” que damos ao outro através de mensagens ou telefonema.
Aquele abraço, aquela demonstração de amor não precisa de uma ocasião especial. Portanto, “não deixe para amanhã o que pode fazer hoje”.
Denizia Pinto

Cabo-verdiana, com experiência internacional na área de promoção da saúde pública e mudança de comportamento social. Apaixonada por iniciativas que promovem hábitos saudáveis e impulsionam o desenvolvimento humano. Acredita no poder de pequenas ações para transformar comunidades e inspirar mudanças duradouras.







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