O Amor é mais Forte do que o Ódio

O meu objetivo confesso era escrever este texto antes das eleições presidenciais do dia 8 de fevereiro, em Portugal. No entanto, a preguiça falou mais alto. Ainda assim, resolvi finalmente escrever estas linhas, refletindo sobre um dos temas centrais das últimas três eleições em terras lusas: a imigração.

À primeira vista, parece que venceu a democracia em Portugal, deixando muitos imigrantes mais descansados para viverem as suas vidas de forma tranquila. Mas será mesmo assim?

Os imigrantes em Portugal sempre viveram, de um modo geral, de forma pacífica — pelo menos essa é a minha perceção. Contudo, nos últimos tempos, com a intensificação do discurso da direita (e deixo claro desde já que não tenho qualquer cor partidária), parece que os imigrantes passaram a ser vistos como pessoas indesejadas e apontados como a origem de quase todos os problemas do país.

É evidente que em todos os países existem imigrantes desonestos, pessoas que não gostam de trabalhar, que vivem de apoios sociais ou que acabam por enveredar pela criminalidade. Mas isso não é um fenómeno exclusivo de Portugal, nem de uma nacionalidade específica. É uma realidade transversal a todas as sociedades que recebem imigração. Importa também sublinhar que Portugal acolhe maioritariamente imigrantes trabalhadores e empreendedores. Existem exceções, claro — como em qualquer grupo humano — porque isso faz parte da condição humana, não das nacionalidades.

A verdade é que a grande maioria dos imigrantes em Portugal constitui uma força laboral essencial para o país. São pessoas que trabalham incansavelmente, muitas vezes em dois ou três empregos, durante dias e noites, e que contribuem ativamente para o desenvolvimento económico e social. Por isso, entristece-me ver pessoas a apoiar discursos contra a imigração, especialmente num país que sempre foi, ele próprio, um país de emigrantes.

Portugal exportou mão de obra durante décadas para o mundo — para o Brasil, Venezuela e vários países africanos — onde os portugueses foram, na maioria das vezes, bem recebidos e integrados, por vezes até melhor do que no seu próprio país de origem.

Ainda assim, hoje multiplicam-se os relatos de imigrantes que enfrentam comportamentos hostis em Portugal. Um país que oferece novas oportunidades de vida, mas que é também envelhecido e profundamente dependente da imigração, que desempenha um papel fundamental na sua economia.

No semanário Expresso de 30 de janeiro, li uma notícia que dava conta de que ter um filho em Portugal, em 2025, custou o emprego a cerca de duas mil pessoas — entre mulheres grávidas, mães a amamentar e pais em licença parental. Este é, por si só, tema para outro texto. Mas importa referir que Portugal tem mais mortes do que nascimentos e que, nos últimos anos, quem mais contribuiu para o aumento da natalidade e para o crescimento do número de crianças nas escolas foram precisamente os imigrantes.

Outro mito recorrente é a ideia de que os imigrantes recebem mais do Estado português do que aquilo que contribuem. Os dados mais recentes mostram exatamente o contrário: os imigrantes pagam várias vezes mais à Segurança Social do que aquilo que dela recebem. Na agricultura, por exemplo, há mais imigrantes a contribuir do que cidadãos nacionais.

Dito isto, acredito firmemente que quem chega à terra dos outros deve respeitar os seus costumes, aprender minimamente a língua e conhecer o básico sobre o país que passa a chamar de casa. É legítimo que o país que acolhe organize os fluxos migratórios. O que não é legítimo é discriminar quem chega.

Os resultados das eleições presidenciais deixaram-me esperançosa. Tal como é uma minoria de imigrantes que causa problemas, também é uma minoria de portugueses que rejeita a imigração. A maioria continua a acreditar na convivência, no respeito e na humanidade.

Como disse Bad Bunny no intervalo do Super Bowl deste ano — num momento que também abordou o tema da migração —, o amor é mais forte do que o ódio.

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Iranita Andrade

Iranita Andrade

Profissional com competências em Comunicação, Marketing, Publicidade e Jornalismo. Mas a minha função principal é ser mãe … mãe de uma criança autista. Apaixonada por uma boa conversa e por aprender coisas novas.

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